sinas

Quando nasci painho já não existia. Também porque não tinha lá essas vontades. Luzia ficava contando que quando ela nasceu ele ainda existia um pouco. Tinha braços de balanço ela dizia. Ficava imaginando. Que desde nascida só tive balanço de corda na árvore. Mivó ficava balançando, essa teve a vida toda existência. Ela me dizia que meu pai tinha uma pessoa engasgada na garganta. Que todos seus desejos não eram ditos porque sempre essa pessoa passava um facão nos pés dos desejos. Passava uma vontade medonha meu pai. Às vezes queria dizer amor àquela mulher, que agora não existe, aí vinha a pessoa e passava o facão no amor. Ficava só com os olhos dizendo e com as mãos. Mainha é que aprendeu a entender silêncios. Eu é que não.

Também depois dum tempo painho se cansou daquela pessoa em sua garganta. Começou a engolir palavras sem vontade de dizê-las. Também por isso cresceu-lhe o bucho. A pessoa que vivia engasgada foi se misturando com a pessoa de meu pai. Foi tanto que virou facão as mãos e os olhos dele. Só pelo cansaço. Virou facão pra podar Mainha. Foi assim que ela também deixou de existir.