ADEUS A QUEM TANTO AMAMOS!

Com dor, com amor, teu paipaizinho.

A dor é muito grande, a saudade imensa. Ainda me custa entender a tua partida. Tão rápida, tão estranha. A tua desavisada partida deixou-nos sem a presença confortadora da saudade.

Estamos nós dois aqui esperando por tua volta que sabemos muito bem não mais ocorrerá nesta dimensão, neste tempo material.

Os nossos corações estão apertados, sufocados. Não sabemos aonde tu estás e nós te amamos muito, muito mesmo e nos preocupamos com o teu conforto, com o teu bem estar.

Tu fostes embora assim tão de repente que ainda procuramos respostas para tal súbita partida. O que houve? Tu ficaste cansada de nós? Será que não te amamos o suficiente? Tu tinhas todo o nosso amor, o nosso carinho, tu eras tal qual uma filha dileta, amada e necessária para nós. Eu sempre falava para ti que te amavas tanto e perguntava a ti se tu eras felizes conosco.

Agora já tem dois dias de tua partida e parece que o que estamos sentindo permanecerá conosco até o dia em que também formos embora deste tempo. Temos que retomar as nossas vidas com seus barulhos, com suas ocupações. É verdade que a vida continua, mas agora sem ti e isto é totalmente diferente para nós. Então, a vida não nos será mais a mesma. Quando voltarmos a casa tu não estarás mais ali a nos esperar, na espreita da porta se abrir e tu correres para o corredor a pretexto de "dar uma voltinha" no hall dos elevadores, eu não vou mais trocar a tua água, renovar-te o alimento, amassar a tua pastinha, preparar o teu leitinho, aliás, o nosso leitinho noturno, que bastava apenas abrir o armário onde está o pó para que tu já viesses para a cozinha e sentadinha aguardava eu bater o teu, o nosso leitinho que um pouco dele derramava em teu pires e tu sorvias alguns goles. Ficava a te olhar e a te amar por tudo aquilo.

Agora tu fostes embora e nos deixaste aqui sem compreender o porquê de tão rápido e sem aviso.

Eu e tua mãe estamos devastados por dentro e por fora. Está sendo muito difícil para a tua mãe viver cada dia sem a tua companhia. Meu Deus, como ela te amava e eu sei que você a amava tanto quanto. O amor de ambas era lindo. Eu adorava tanto poder apreciar tal e tanto amor.

Eu também te amava muito. Sentirei falta de nossas brincadeiras, de deitar no chão para brincar contigo de "falsas brigas" que muitas vezes me custavam alguns arranhões pelos braços e mãos. Tu sempre teve o cuidado para não me atingir o rosto e eu percebia esta tua preocupação e cuidado. Quanto amor tu nos concedeu. Quanta amizade tu nos favoreceu.

Como era bom poder voltar a casa e encontrá-la sempre a nos fazer festa, ronronando e esperando o nosso beijo, o nosso carinho em sua barriga.

Os seus miados quando preparávamos a sua refeição não vamos mais tê-los. Tento ouvi-los quando estou na cozinha, mas agora só há silêncio, um silêncio que me perturba.

Ah! menina, porque tu fostes embora assim tão cedo, tão rápido. Um erro de um não capacitado médico veterinário acelerou o processo de um probleminha cardíaco que desconhecíamos. É provável que se o rapaz que a atendeu fosse um médico competente, sério e dedicado teria feito os exames corriqueiros, ainda mais quando se atende um animalzinho pela primeira vez. Medir a temperatura corporal e auscultar os batimentos cardíamos, são procedimentos básicos que orientam o médico com relação aos demais procedimentos. Se tivesse feito isso, teria percebido, ainda se competente fosse, o sopro em seu coração e não teria prescrito uma medicação que para pessoas ou animais cardíacos jamais poderia ser indicada. E, por causa disso, uma medicação errada, acabou por acelerar um processo cardíaco que outras médicas veterinárias competentes e dedicadas não conseguiram reverter o quadro, pois havia-se passado algum tempo até percebermos que talvez tenha havido algum procedimento médico equivocado quanto à medicação e seria necessária a sua troca e, então, recorremos a uma outra clínica que no passado havia cuidado de ti. Mas, não havia mais tempo. As médicas sentiram isso, mas ainda assim, tentaram tudo o que era possível. Mas, não deu!

Linda deixou-nos às cinco e meia da manhã do último sábado, dia 04 de Maio. Estava com 11 anos. Estava em companhia da médica que me deu a notícia que seu pequenino coração não resistiu.

Linda Maria, era assim que muitas das vezes a chamávamos, foi embora. No início da madrugada ainda dei-lhe um beijinho de boa noite e de esperança, mas nossos espíritos já sabiam que era de despedida. Ela ainda conseguiu levantar a cabecinha de sua prostração e me olhar com seus lindos e meigos olhos cor de âmbar. Beijei o seu focinho, sua boca, sua bochecha, sua barriguinha e suas mãos, tal como sempre fazia antes de deitar-nos. Foram os meus últimos beijos em seu corpinho com vida.

As suas cinzas estão comigo numa urna linda. Ainda não sei o que fazer com elas. Por ora, estão conosco. Um dia, quem sabe, eu as plante em algum lugar tão bonito e tão pacífico quanto era a nossa menina Linda ou as misture às minhas próprias cinzas.

Que tu estejas em paz, meu neném. Espera por mim, porque daqui a pouco mais a gente vai poder brincar de novo de correr pela casa, um se esconder do outro para dar aquele susto e levar muitas mordidas tuas e tu ganhares muitos beliscões meus. Vou poder te pegar no colo outra vez e a gente vai poder brincar para sempre.

Te amo, meu amorzinho. Fica em paz! Deus te abençoe e muito obrigado por tu teres nos escolhido como tua família.

Com dor, com amor, teu paipaizinho