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AUMENTATIVOS, DIMINUTIVOS & OUTROS


Em aula sobre FORMAÇÃO DE PALAVRAS, surgiram os inevitáveis SUFIXOS e não há como escapar de aumentativos e diminutivos...  nem sempre indicando tamanho/dimensão  e sim expressando as emoções do emissor:  afetividade, sensibilidade, variando entre amor e aversão.  No uso, falando ou escrevendo, é que estes sentidos se caracterizam.  Exemplos:

“Livreco imoral”, disse o padre-professor e me tomou da mão o livrão de contos eróticos. “Seu paizinho não gostará de saber disto.  Arrume junto a outra livralhada e queime tudo agora.”  Nem livreco, era volumoso, duzentas páginas, nem pai baixinho... na verdade, um ponto noventa de altura.  Livralhada, raiva dele sobre leitura nossa durante as aulas.

Nesse contexto, ‘livreco’, sentido de desvalorização, coisa à toa;  em ‘livralhada’, 3 unidades substantivas  - conceito de livro + de mau livro + muitos livros._

A PALAVRA E SEUS USOS  -  Dos sufixos à LINGUAGEM AFETIVA é um pulo curto.  Palavras interessantes...  Menina desenhando maçã.  Professora-crítica:  “Que frutinha desbotada!  Não tem um lapisinho mais escurão?”

AUMENTATIVO ou DIMINUTIVO  pode indicar:  1-tamanho - “Menininha de uns três anos, talvez.”  -  “Letrinha miserável!” (miúda)  -  “Aceita um cafezinho?” (na xícara pequena)  /  2-diminuição de valor - “Letrinha miserável...”  (de difícil leitura)  - “Sujeitinho à toa...”  (vulgar, que não presta)  /  3-expressão de afeto - “Meu amado filhinho.” (carinho) - “Sujeitinho agradável.” (simpatia)  /   4-avaliação  -  “Fiz um papelão!” - “Que bobinho!” (crítica suave)  /  5-admiração  -  “Mulheraço de mau caminho!” - “Que garotão!” (entusiasmo)  /  6-desprezo - “Sujeitinho insuportável!” (intolerância)  /  7-expressão de ironia - “Coitadinho dele...” (não tem nada de coitado) - “Você é tão engraçadinha, graciosinha...” (graça nenhuma)

MODELOS de diminutivos artísticos em:  1---Poeta BOCAGE, século XVIII, em ataque a um poeta menor de apelido Belmiro - “Junto ao Tejo, entre os tenros Amorinhos, / as belmírias musas pequeninas (...) e os lançaram depois nuns despotinhos. (...)”  /  2---Poeta CAMILO PESSANHA, século XIX, soneto “Singra a nave” -  “(...)  Seixinhos da mais alva porcelana, conchinhas tenuemente cor de rosa, (...) conchas pedrinhas, pedacinhos de ossos...”

LINGUAGEM AFETIVA  - De modo emotivo, a fala traduz com vantagem o pensamento, impressionando mais do que ideias e conceitos racionais e lógicos.

Casos:   1-Oração desprovida de termos essenciais - “E eu, paciência!”  / 2-Vocativo - “Tão depressa, amigo!” / 3-Interjeição - “Ah, cuidado!” / 4-Uso do “presente histórico”, isto é, emprego das formas verbais para traduzir ideias e pensamentos de incidentes ocorridos no passado - “Um dia, ele repousava em plena floresta;  nisto, chega um leão.” / 5-Emprego de pronome objetivo sem função sintática necessária, correspondendo a objeto indireto - “Não me saia daqui, sem me avisar antes.” / 6-Uso de oração interrogativa equivalente a verdadeira ordem ou recomendação imperativa - “Quer fazer o favor de trazer o café?” / 7-Uso de oração interrogativa ou exclamativa com verbo no infinitivo - “Sair sem ao menos um beijinho?” - “E dizer que um dia me sentei ao lado da rainha!” / 8-Uso de adjetivo seguido da preposição ‘de’  e suas combinações e de substantivo ou pronome - “O infeliz do meu amigo...  oh, pobre de nós todos!” / 9-Emprego de anacoluto - “Tu, que da liberdade após a guerra foste destacado dos heróis na lança, antes te houvessem roto” (discurso cívico). / 10-Emprego do pleonasmo - “A mim, pouco se me dá chover ou não.” / 11-Uso de diminutivos dos hipocorísticos ou aumentativos - “Venha cá, Juquinha chorão!” / 12-Emprego de superlativo absoluto sintético forjado em substantivo ou pronome a maneira de adjetivo - “Estou bacanérrimo?” - “Que jogo chatérrimo!” -  “Elegante coisíssima alguma!   Pois se vestiu a mesmíssima roupa suja...”  - Redobro também é linguagem afetiva. - “Estou cansada, muito cansada, cansadíssima, cansadérrima!” / 13-Uso de certas inversões - “Para nós, rico ou pobre, é a mesma pessoa.” - “Cruel é acordar cedo.” - “E espinhos existem no galho da rosa.” / 14-Repetição intencional de adjetivo, de verbo etc. - “Passarinho tolo tolo, de olhinhos arregalados...” - “Ninguém como eu para seu namorado, ninguém, ninguém...”  -  “Cai, cai, balão!” / 15-Uso do que os latinos chamavam de acusativo do objeto interno, ou seja, do objeto direto cognato - “”Morrerás morte vil da mão de um forte” (Gonçalves Dias). - “Ela sonhava sonhos de menina.” - “Ele chorou lágrimas de arrependimento.” / 16-Emprego de certas expressões idiomáticas - “Não são os amigos que o deixam, é o senhor que os quer deixar (s amigos não o deixam, o senhor não os quer deixar).” - “Ele sacou da espada e se pôs em guarda.”

 

 

FONTES:

Recortes diversos  ---  Livro “Estilística da língua portuguesa”, de Rodrigues Lapa.

                                        F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 28/05/2017
Código do texto: T6011479
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 50 anos
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