Quarentena

Mas que ano peçonhento 

Com essa tal pandemia 

Já não posso mais fazer

Tudo aquilo que fazia

Trancafiado no galpão 

Tristonho, sem alegria 

Meu cusco não late mais

E o meu gato pouco mia

Só viajo nas lembranças

Santa Cruz, Santa Maria 

Vem a tarde, anoitece

E logo clareia o dia

Mas sou taura, não me entrego

Vivo fazendo folia 

Pra cabeça não loquear 

E pra'o mato não ganhar

Encilho meu celular

E domo a tecnologia  

" Me chama no Whatsapp 

Adiciona no Facebook 

Oiga-lê vida virtual

Sem magia e sem truque

E o mate bem topetudo

Que sorvo pela manhã

Vivendo assim isolado

Só tenho compartilhado

Com foto no Instagram" 

Um dia depois do outro

Vou seguindo minha cina

As bombachas remendadas

Nunca mais cortei a crina

Dá vontade de romper

Ir pra Santa Catarina 

Mas ouvi um zum-zum-zum

Que a côsa lá tá brasina

Abandonei a cachaça 

Meu trago é de cloroquina

Se for pra tomar um samba

Pepsi e ivermectina

Saudades de uma bailanta

Do corcovear das menina

Mas preservo o meu couro 

Gaúcho que vale ouro

Larguei de mão o namoro

É que o vírus veio da "china"

" Me chama no Whatsapp 

Adiciona no Facebook 

Oiga-lê vida virtual

Sem magia e sem truque

E o mate bem topetudo

Que sorvo pela manhã

Vivendo assim isolado

Só tenho compartilhado

Com foto no Instagram" 

Tabajar Carvalho
Enviado por Tabajar Carvalho em 14/12/2020
Reeditado em 14/12/2020
Código do texto: T7135419
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