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Vício

Aqui estou eu.
No quinto copo de sei lá o que. Só sei que é forte o bastante para me deixar alterada até a flor da pele. É, eu estou aqui. Sempre estive aqui. Permaneci nessa mesma posição por inúmeras vezes, implorando para você ficar, implorando para você me notar. Mas você nunca notou não é mesmo?
E a pior parte é ter que permanecer aqui, imóvel, com esse gosto áspero na língua e as memórias de nós dois, enquanto você a leva para dançar em algum lugar que toque músicas românticas... As mesmas que dançávamos.
Eu juro que não sei explicar como me sinto, só sei que é pesado e amargo. É angustiante. Mas ninguém sabe o quanto dói, ninguém sabe que eu sinto sua falta e ninguém sabe que todas as vezes em que eu morri por dentro, era em você que eu pensava.
Sabe, te ver com ela nem foi a pior parte. Te ver abraçando ela, tocando ela... Isso nem foi tão ruim assim. A pior parte foi quando eu vi que você estava feliz, porque você sorria de uma forma que nunca sorriu para mim, e me desculpe se isso parecer egoísmo, é que parte de mim está em prantos por saber que eu nunca seria capaz de te fazer sorrir assim. Mas tudo bem, gosto do seu sorriso, sempre me perdi nele, então se para que você sorria eu tenha que ficar de fora, tudo bem, prefiro te ver feliz longe de mim do que preso a um fardo de culpa... Um fardo como eu.
Desde que você se foi, eu beijei mais lábios do que posso contar, segurei mais mãos do que gostaria e deixei que agarrassem minha cintura sem nem sequer perguntar seus nomes... Eu não estou te culpando, na verdade não estou culpando ninguém, é só que você também era meu melhor amigo, e se você se foi, para quem contarei sobre esse vazio aberto no meu peito?
Eles dizem que eu sou linda, que nunca deveria mudar, dizem que meu sorriso é o mais perfeito que já viram, embora nunca tenham visto um sorriso verdadeiro meu. Eles me abraçam e fazem carinho em meu cabelo, falam palavras bonitas e me mandam mensagens de bom dia todas as manhãs. Mas nenhum deles é você, nenhum deles é e nunca será como você foi! Só que a agonia que eu sinto só por respirar só cessa por alguns instantes, e esses instantes são quando estou me perdendo nos braços de outro alguém. Os seus perfumes permanecem em minhas roupas, os seus dedos marcam minha pele suave e eu adoro ouvir suas respirações bem perto de mim, isso me acalma. Mas a realidade, é que quando os caras legais se vão e eu me vejo sozinha, todo o emaranhado de dor e peso voltam de uma vez só e roubam meu sono, o que me faz correr atrás de mais. Sorrir para mais caras legais, beijar lábios que não são os seus, abraçar corpos que não são o seu... Porque isso me viciou, eu estou totalmente dependente disso... Estou viciada em tentar te esquecer, e a abstinência pode me matar.
Mas não importa quantas mãos já tocaram minha pele essa noite, a única que eu queria era a sua. Não importa quantos olhos pairem sob os meus hoje, eu só queria o seu olhar... Se isso faz de mim uma pessoa ruim, então que seja. Não me importa mais que me chamem de vadia ou oferecida, não importa mais que digam que eu não tomo jeito, porque ninguém além de mim sabe o quão ensurdecedores são os gritos de agonia do meu coração toda vez que eu lembro que você se foi. Quando lembro que você não vai voltar.
Eu realmente não sei explicar como me sinto, só sei que não quero parar, não vou parar... Não vou parar de tentar te esquecer... Mesmo que um dia não haja mais novos lábios ou abraços, mesmo que nem toda bebida do mundo consiga superar esse cansaço, eu continuarei tentando. Preciso continuar.
Porque eu implorei pra você ficar... E foi aí que você foi embora. Porque eu implorei pra você me abraçar, e foi aí que você me soltou. E a pior parte é ter que permanecer aqui, imóvel, com esse gosto áspero na língua e as memórias de nós dois, enquanto você a leva para dançar em algum lugar que toque músicas românticas... As mesmas que dançávamos.
É... Eu ainda estou aqui. Ainda estou.
Shirleyne Moreira Niza
Enviado por Shirleyne Moreira Niza em 14/05/2017
Código do texto: T5999211
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Shirleyne Moreira Niza
São Paulo - São Paulo - Brasil, 19 anos
33 textos (421 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/07/17 23:41)
Shirleyne Moreira Niza