COMO VEJO O MUNDO?”... ALBERT EINSTEIN


Os americanos estão hoje inquietos com a situação econômica de seu país e suas consequências. Os dirigentes, cônscios de suas responsabilidades, esforçam-se principalmente por resolver a terrível crise de desemprego em seu próprio país. A ideia de estarem ligados ao destino do resto do mundo, particularmente ao da Europa, mãe pátria, se enconra menos viva do que em tempo normal.
Mas a economia liberal não irá resolver automaticamente as próprias crises. Será preciso um conjunto de medidas harmoniosas vindas da comunidade, para realizar entre os homens uma justa repartição do trabalho e dos produtos de consumo. Sem isso, a população do país mais rico se asfixia. Como o trabalho necessário para as necessidades de todos diminuiu pelo aperfeiçoamento da tecnologia, o livre jogo das forças econômicas não consegue sozinho manter oo equilíbrio que permita o emprego de todas as forças de trabalho. Uma regulamentão planificadae realista se impõe, a fim de de se utilizarem os progressos da tecnologia no interesse comum.
Se daqui em diante a economia não pode mais subsistir sem rigorosa planificação, esta é ainda mais exigida pelos problemas econômicos internacionais. Hoje, poucos indivíduos pensam realmente que as técnicas de guerra representam um sistema vantajoso, aplicável à humanidade para resolver os conflitos humanos. Mas os outros homens não têm lógica nem coragem para denunciar o sistema e impor medidas que tornem impossível a guerra, esse vestígio selvagem e intolerável dos tempos antigos. Será preciso ainda uma reflexão profunda para detectar o sistema e depois uma coragem a toda prova, para quebrar as cadeias dessa escravidão, o que exige uma decisão irrevogável e uma inteligência muito lúcida.

Aquele que deseja abolir de fato a guerra tem de intervir com energia para que o Estado do qual é cidadão renuncie a uma parte de sua soberania em proveito das instâncias internacionais. Deve preparar-se, no caso de algum conflito de seu país. Para submetê-lo à arbitragem da Corte internacional de justiça, exige dele que lute com todas as suas forças pelo desarmamento geral dos Estados, previsto até mesmo pelo lamentável tratado de Versalhes. Se não se suprime a educação do povo pelos militares e pelos patriotas belicosos, a humanidade não poderá progredir.

Nenhum acontecimento dos últimos anos foi tão humilhante para os Estados civilizados quanto essa sucessão de malogros de todas as conferências anteriores sobre o desarmamento. Os politiqueiros ambiciosos e sem escrúpulos, por suas intrigas, são os responsáveis por esse fracasso, mas também, por toda a parte, em todos os países, a indiferença e a covardia. Se não mudarmos, pesará sobre nós a responsabilidade, não do aniquilamento , da soberba herança de nossos antepassados.

Receio muito que o povo americano não assuma sua responsabilidade nesta crise. Porque assim se pensa nos Estados Unidos: “A Europa vais perder-se se se deixa levar pelos sentimentos de ódio e de vingança dos seus habitantes. O presidente Wilson havia semeado o bom grão. Mas aquele solo europeu estéril fez nascer o joio. Quanto a nós, somos os mais fortes, os menos vulneráveis, e tão cedo não recomeçaremos a nos intrometer nas questões dos outros”.
Quem pensa assim é um medíocre que não enxerga nada além da ponta do nariz. A América não pode lavar as mãos diante a miséria européia. Pela exigência brutal do pagamento de suas dívidas, a América acelera a queda econômica da Europa e com isso tembém sua decadência moral. Ela é responsável pela balcanização europeia e participa também da responsabilidade por esta crise moral na política, incitando assim o espírito de desforra alimentada pelo desespero.
A nova mentalidade não encontrará um dique nas fronteiras americanas. Seria meu dever advertí-los: suas fronteiras já foram transpostas. Olhem ao redor de vocês, tomem cuidado!.
Basta de tanto palavreado! A conferência do desarmamento significa para nós, e para os senhores, a última oportunidade de salvar a herança do passado. Os senhores são os mais poderosos, os menos atingidos pela crise, e portanto para os senhores que o mundo olha, e confia esperançoso.

(A América e a Conferência do Desarmamento em 1932).


A impressão é que a história continua a mesma, e A. Einstein continua vivo, ecoando...

O mundo parou ou foi o Ford americano?...