GEORGE ORWELL

GEORGE ORWELL
Miguel Carqueija


Tu nos legaste um romance, “1984”, que viria a ser reconhecido como uma das maiores obras da literatura universal, e um dos livros máximos do século XX. Escrevê-lo foi uma corrida contra o tempo, pois estavas à beira da morte. Mas conseguiste.
Após tua morte, ocorrida em 1950, já reconhecido como um dos nomes mais importantes das letras britânicas, teu livro foi levado várias vezes ao cinema.
“1984” é uma terrificante distopia, num mundo — naquele tempo, em futuro próximo — de todo dominado pelo totalitarismo dividido em três super-potências. Sem religião, sem liberdade, sem horizontes.
Um mundo em que o cidadão é constantemente vigiado pelo Estado todo-poderoso, até dentro de sua casa, pelas onipresentes “teletelas” (diríamos hoje “câmeras de vídeo”). E onde por toda a parte são vistos os grandes retratos do misterioso Big Brother, ou Grande Irmão — o lider imortal que nunca é visto em pessoa, mas que na verdade representa o super-estado, sufocante e despótico. E toda a “educação” condiciona a amar (adorar, de fato) o grande chefe, o invisível (exceto nos cartazes) Big Brother.
Como irias, Orwell, imaginar que esta tua obra digna, um alerta contundente à consciência moral dos povos contra o perigo do totalitarismo, iria décadas após ser desvirtuada, profanada, por indivíduos de mente doentia que iriam criar, na televisão de vários países, um programa imundo chamado justamente de Big Brother só por mostrar pessoas confinadas e expostas na mídia?
Não foi para inspirar tal nojeira que escrevestes teu belo e terrível romance.

Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 2015


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