O ÚLTIMO CAPÍTULO (BVIW)

— Que serviço "porco"! — é o que minha "língua": coça pra dizer, assim que vejo a gambiarra feita pelo funcionário da Companhia da "Antena". Respiro fundo. O melhor seria botar pra fora toda a minha frustração, mas não quero ofuscar minha relação de "harmonia" com o Edu e a Cintia, donos da empresa, e amigos de longa data. Aliás, os dois sempre foram impecáveis, só acho que desta vez não deram "sorte" ao contratar esse tal sô Divino — que pode ser tudo na vida, menos antenista. Disfarço, olho pro lado, mas ele me pergunta já afirmando:

— Então, dona Marina, ficou joia meu serviço, não ficou?

Tenho ímpetos de lhe dizer uma "palavra" nada suave que me ocorre, mas ponho uma camada de "esmalte" cor de boa vontade no "rosto" e com um sorriso de puro equilíbrio, respondo:

— Ficou divino, sô Divino, tô impressionada!

Ele ri, achando graça, passa a chave do pix, se despede e bate o portão. Corro pra checar a TV na esperança de estar redondamente enganada. Não estou: só chuvisqueira. Agora é ir à busca de alguém que me possa salvar dessa enrascada. Tenho um arrepio quando penso que hoje é o fim da novela e não posso, mas é de jeito nenhum, perder o último capítulo.

Tema da Semana: Crônica usando as palavras: porco, antena, língua, harmonia, esmalte, rosto, sorte, palavra.