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A infância não volta e você vai morrer de saudades

Entrando no clima de mais uma data comercial estipulada, mas que muito me faz lembrar de cheiros, apreços, momentos... Sempre tive uma curiosidade absurda pelo tempo e um atrito gigante com relógios. Quando mais nova, vivia aquela ansiedade (quase que diária) de que o tempo passasse logo e eu atingisse meus anos de maioridade. Quando a gente é criança, a gente pensa bastante sobre altura e sobre permissões. Ser adulto parece sempre deixar a infância para trás e ganhar credenciais e cartões de acesso. É na infância que a gente quer brincar de ser gente grande porque acha mais divertida a possibilidade de explorar o mundo do alto de pernas compridas.
Aquela necessidade desenfreada da criança em crescer e ver o relógio passando rápido se converte na agonia rotineira de quem precisa que as horas passem para acabar o expediente e voltar para o aconchego de casa. Os desenhos na parede agora se tornaram vandalismo, caso tentemos reproduzi-los em algum outro lugar. Os papéis coloridos são faturas de cartões de crédito e contas de luz, água e internet que a gente precisa se virar para pagar. Morar longe de casa tem um gostinho de saudade que sobe na boca sempre que o telefone toca e são nossos pais, tios e tias com conselhos. E é quando você está numa dessas mudanças de emprego, se despedindo de pessoas e guardando porta-retratos é que cai a ficha: crescer dói. No geral, crescer traz algumas boas recompensas que justificam as perdas e o coração apertado por ter que encarar o mundo como "gente grande". Ser criança tinha suas restrições, mas não doía. Crescer dói.  Porque pedir aconchego, quando se é adulto, é considerado piegas. Porque pedir pra dormir na cama de mainha, quando se ocupa metade dela, é estranho. E mesmo com a certeza de que o caminho valeu a pena, eu acordei com o coração apertado e com a conclusão saudosista: crescer dói, sim. Mas a gente vai tratando os machucados e olhando sempre pro relógio, e esperando os filhos chegarem pra dar o velho conselho - aproveita! A infância não volta e você vai morrer de saudades.
Ana Cristina Araújo
Enviado por Ana Cristina Araújo em 12/10/2017
Código do texto: T6140409
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Ana Cristina Araújo
Equador - Rio Grande do Norte - Brasil, 27 anos
73 textos (2256 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 12:31)
Ana Cristina Araújo