FICOU BÃO DEMAAAAAAAAIS!

Hoje, terça-feira, minha mulher sai mais cedo para a escola e eu, naturalmente, acordo mais tarde. Assim, tomei o café em horário que não dava atenção à fome na hora do almoço. Meio carente, como fico quando estou sozinho, resolvi ligar o televisor e ver que pasmaceira menos pasma estavam passando por lá.

Liguei na tevê aberta e aquela mesmice de sempre; uma porção de desenhos animados com aquela gritaria infernal, com vozes de gente grande querendo imitar criança!

Ora bolas! Até hoje não entendi o motivo pelo qual, gente que produz desenhos pensa que as crianças de hoje são idiotas? O enredo, o vocabulário, a entonação de voz e até mesmo as encenações são coisas feitas por idiotas que pensam que as crianças são idiotas. Pô! Ninguém merece! As crianças de hoje, ou são índigo ou são cristal, logo, tem muito mais para nos ensinar do que nós a elas!

Passei para a tevê a cabo e lá estava aquele sujeito careca, com os olhos arregalados e falando pra mais de metro, fazendo propaganda de uma máquina que “frita” as coisas sem usar óleo ou gordura, a tal de "Air Fryer". Aquilo ali era uma espécie de “Lâmpada de Aladim”! Fritava batatas crocantes, steaks, quibes, almôndegas, empanados, frango e um sem número de outros petiscos, tudo isso sem usar nenhum pingo de gordura!

Ora! Para quem, como eu, que há algum tempo venho brigando com o colesterol, balança, barriga, e outras dessas coisas que incomodam, fiquei afetado pelo que via.

Embora não acreditando muito nessas coisas cheirando a milagre, fui dar uma bisbilhotada no preço, pedindo auxilio ao nosso amigo “Google”. Quase caí de costas! O negócio estava pra lá de salgado mas, no entanto, o buscador apresentava algumas outras opções.

Foi aí que vi que existem outras máquinas daquelas, iguaizinhas, por dentro, embora por fora um pouco diferentes, com preço bem mais à altura do meu bolso do que aquela do sujeito careca e que fazem a mesmíssima coisa.

Aprofundando a pesquisa, descobri que há umas outras três marcas que são vendidas em grandes lojas espalhadas pelo país com preços reduzidos pela metade! Caramba! Pensei. Será que isso é verdade mesmo?

Uma das grandes mágoas da vida foi por ter mudado a residência, de uma casa grande, com terreno, quintal, flores, horta, frutas e cachorro, para um apartamento pequeno, adequado para um casal de idosos já cansados das lides de uma habitação daquele tamanho.

Como uma coisa compensa a outra e a outra descompensa uma, acabei tomando distância definitiva do meu tradicional churrasco de fim-de-semana, com os vizinhos mais achegados.

Sinto saudade do meu amigo Batista que havia adquirido um defeito no braço em razão desse costume tão gostoso. É que de tanto suportar o peso de um copo de cerveja, na mão, o braço do amigo tomou um “golpe de vento” e acabou ficando, definitivamente, em ângulo de noventa graus, com direito a hipotenusa e tudo! Pitágoras que o diga!

Mas, voltando ao assunto, tomei posição de sentido, enchi o peito de ar e tomei a decisão de ir comprar uma nega daquelas. Vesti a bermuda (estava de cuecas), calcei a sandália, meti uma camiseta de malha fria e fui dar com os costados nas “Casas Bahia”. Lá, em cima de uma prateleira, bem diante do meu nariz, estava a procurada.

Como já esperava, era de outra marca e com o preço reduzido pela metade. Uma beleza! Em menos de vinte minutos estava voltando para casa com a caixa no porta-malas do carro. Antes, dei uma passadinha lá na “Casa de Carnes” e tratei de comprar uma picanha daquelas maturadas, embaladas a vácuo.

Aqui, em Sobradinho, esse açougue vende todo o tipo de carne que um pobre mortal tem o direito de experimentar; jacaré, rã, cotia, coelho, paca, cordeiro, bode, javali e, por incrível que pareça, até carne de boi!

Já em casa, dei uma lida rápida no Manual e tratei de cortar uns pedaços da picanha, em cubos de uns quatro centímetros. Feito isso, esparramei, neles, um pouco de sal grosso, liguei a máquina e cuidei de atacar os procedimentos conforme as instruções.

No meio do caminho começou a sair de dentro do bujão, um cheiro de churrasco que era capaz de levantar do túmulo, até a mãe de do gaúcho que inventou o fogo-de-ripa. Peguei um copo, derramei um pouco de “Old Ville” e casquei pra dentro da goela!

Tinha uma cor bronzeada, brilhante, cheirosa e aquela gordurinha fugindo do branco para o amarelado estava soltando umas bolhinhas que faziam um barulhinho tentador. Foi aí que tratei de dar a primeira mordida no pedaço de picanha que estava na ponta do garfo.

Puuuuutttttttzzzzzzz! Que delícia que ficou isso aqui! Depois dessa, lá quero eu saber de churrasco, com carvão, brasa, cinza, fumaça e os cambaus? Não, isso aqui é coisa de gente de elite! Depois que estiver bem traquejado no manuseio da dita cuja, vou dar uma chegada na casa do amigo Batista e mostrar a ele como se faz um churrasco de picanha pra valer...

Só fiquei com um pouco de remorso por não ter compartilhado aquele delicioso momento gastronômico e tê-lo desfrutado sozinho. Mil vezes preferia estar junto com a minha mulher, pois ela é danada por uma comidinha feita por mim...

Bem como agora ainda são quatro e nove da tarde, lá pelas seis ela estará por aqui e, então, renovarei a dose para ouvi-la feliz da vida dizer que “ficou bão demaaaaaais”!

Se algum dos leitores resolver entrar nesse time, por favor, conte pra nóis, tá? Vamos espalhar esse cheirinho aqui no “Recanto das Letras”! Quem sabe, aparece alguma receita, no jeito?

Anunnak

Sobradinho-13/08/13-16:12Hs

Amelius
Enviado por Amelius em 13/08/2013
Reeditado em 13/08/2013
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