FINAL MELANCÓLICO

“Quando o sangue começa a ferver, é tolice desligar o coração”.

Nelson Mandela

Domingo, 30 de junho do ano da graça de 2013. Graça porque este ano, até que enfim, o povo brasileiro começou a reagir contra a desgraça aqui instalada. Neste dia 30 de junho de 2013 será o melancólico final deste fatídico campeonato intitulado Copa das Confederações.

Em ciência política, a confederação é uma associação de estados soberanos para lidar com assuntos cruciais como defesa, relações exteriores, comércio internacional e união monetária. Embalada neste conceito, a FIFA embarcou nesta idéia e criou a COPA DAS CONFEDERAÇÕES sendo esta de alcance limitado. O que está se vendo no Brasil é a FIFA saindo desta limitação, impondo condições, alheia à fome e à miséria do povo brasileiro, põe em conivência com este governo corrupto, seis mil policiais em torno do anel do complexo esportivo do Maracanã para intimidar uma gente que grita, que protesta, que põe faixas com os dizeres mais significativos a respeito do momento que estamos sofrendo neste Brasil dos sofredores. Este está sendo o assunto CRUCIAL desta Copa das Confederações – DAR-SE BEM, doa a quem doer.

Em meio a uma corrupção medonha, tamanha é a falta de sentimento, de religiosidade e de respeito a uma população maltratada, sofrida, cuja miserabilidade foge às raias do suportável. Milhões e milhões, são montanha de milhões numa malversação escandalosa enquanto o povo sofre, a violência cresce e a inocência padece, a paciência esmorece, irmão desconhece irmão justamente porque entorpecido, o homem sofre e quer que o outro sofra também. A violência aparece, o desrespeito entorpece, e tanta outra maldade acontece por culpa de um governo atrelado a um socialismo iníquo que beneficia a poucos em detrimento dos muitos padecentes.

Enquanto isto, a FIFA e sua Copa carniceira marcam território, impõem seus direitos, o direito de ganhar, de ludibriar, de esmagar a revolta de uma população sofrida, que sem casa, emprego e comida, mostra a fome ao mundo globalizado. O Maracanã não é mais nosso, os “geraldinos não mais existem” e os “arquibaldos” são de quem é dono da malversação, dilapidado. Torcida presente, verde e amarelo às pencas, loiras mulheres, poucas as negras aparelhadas, (afinal, mulher negra quase sempre serve para requebros febris, samba no pé, prato servido em bandeja de prata aos barões do café “soçaite”, a bem da verdade), homens na arena, ingresso caro, porque caro é quem compra prá se mostrar, quem esbanja em noitadas alegres, filhos de nobre, nascido em berço esplêndido, esplêndida anarquia, virou orgia esta Copa das Confederações. O pobre do além não querer, mal querente com esta vida inversa, cerveja, televisão, (a Bolsa Família facilitou a compra de TV e geladeira, fiança na Casa Baía, bem feito! Tão sem jeito, faliu Bahia da Casa, quem manda confiar em Lula?) – o homem pobre, pobre homem, em casa, mulher de malandro, feijoada, rabada, galinha ou carne seca (cara de comprar), faz sua festa, Maracanã nem pensar, faz parte de um passado recente e ele prá não se tornar descrente, bebe todas até não caber mais na podre barriga vitimada por um podre poder...

Sem mais nada prá se divertir, sem uma luz neste túnel cheio de merda acasalada com infortúnio, vem por cima um bando de pastores malditos feitos nas coxas (sem ser coxanautas), Macedo, Valdemiro, Silas ou coisa que o valha, à fio de navalha, perseguem o mal reinante entre esta pobre gente, consistente cada um deles mais mal retira em forma de dinheiro de quem acredita num Deus que dá riqueza a todos.

“O povo unido protesta sem partido”, com certeza, em que partido acreditar? Meu Deus dos oprimidos!!! Quando o filho adoece, prá onde levar? Aos estádios milionários, ou a cemitérios proletários? “O povo acordou?” Será que acordou mesmo? Ou é uma quimera, esse sonho de acordar o gigante Brasil? Quando teremos hospitais no padrão FIFA? Se for capaz, enumere as coisas erradas existentes nesta terra, meu rapaz! Quem são os baderneiros que atentam contra a soberana Pátria? Os “contratados pelos potentados” para disseminar desordem em meios aos revoltados “organizados”? Ou os hospitais sem atendimento? “Me chama de Maracanã e investe em mim, homem de vida folgazã, porque eu me chamo EDUCAÇÃO”. Jogamos mentos, MENTOS? Verdade? Jogamos mentos na geração Coca Cola? Enfim, o mais brilhante dístico desta geração coca cola,sem coca cola, com cola somente, com crack ou droga letal, mostra com destaque, diante de um mundo que nos observa: ‘Os Nossos sonhos são a prova de bala”. Será? Pode-se acreditar que estamos à prova de bala? Bala perdida – bem perdida - retira vida de quem nem bala tinha prá se defender. Morre José, morre Maria, no Morro do Alemão, ou em outra contramão desta cidade OLÍMPICA. “Spray de pimenta no baiano é tempero” mas o spray é tanto jogado na cara do inocente, que mesmo baiano crente desta verdade, fica cego por causa de tanta pimenta.

Enquanto isto transcorre, recorrente fica, ocorre jogo entre Brasil e Espanha, Brasil campeão da Copa das Confederações, e eu com isto? Quanto ganhei se mais perdido fiquei? Neymar é bola da vez, menininha perdidinha da silva, sem conceito ou preconceito, louca prá se perder, quer parir filho do ídolo do momento, de barro pobre ídolo é feito, segmentado, segue vida que pediu a Deus, perde o trono, menininha louca de tesão, pensando nele, dorme com outro em qualquer esquina, para depois parir filho da perdição, jogado em qualquer lugar, tendo em nomeada conta, um Neymar como filho seu...

Eis um final melancólico, apaixonado por futebol, o povo grita, se descabela, esquecido de vida dura, alegre festa, afinal o Brasil é Campeão!!!

No dia seguinte, quantas mortes ocorreram? Quantos de morte morreram ou sem morte se embebedaram? É este o Brasil dos brasileiros...

“Enfia os 0,20 no SUS”

“Eu era INFELIZ e não sabia”.

Carlos Lira

clira
Enviado por clira em 30/06/2013
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