O VIRA DO MORETTI

O VIRA DO MORETTI

Estávamos na fazenda do Bimbo, em Trabiju, interior de São Paulo. Já falei sobre ela. Éramos em vinte. Turma do Panelinha.

Entre outros passatempos, o costume é nos reunirmos ao redor de mesas situadas no galpão da piscina, para os bate-papos. Sobre música, cinema, esportes, política...

O Moretti, médico cirurgião plástico, recuperado de sérios problemas de saúde, mineiro de Lavras, voltava ao nosso convívio, demonstrando não ter perdido sua enorme veia humorística, sempre contando casos com finais inesperados. Toda sua conversa tem início que prende o ouvinte. O final...! Me engana que eu gosto!

Naquela ocasião, o assunto girava em torno de animais domésticos, quando ele lembrou-se do vira, nome vulgar do pássaro preto, que vivia em sua fazenda em Lavras. Domesticado, a gaiola tinha sua porta aberta, e a ave circulava livre pela casa, voltando somente para o repouso. Num determinado dia, estando o Moretti ausente, ao voltar para a casa, encontrou a gaiola no chão, e o vira com uma das pernas fraturada. Não tendo outro material disponível, pegou dois palitos de fósforos da caixa sobre o fogão, partiu-os ao meio, e com linha fina, colocou uma tala no membro fraturado da ave. Trabalho perfeito, dada sua habilidade como cirurgião. O vira, logo, logo, começou a dar seus passinhos, até executar breves vôos, geralmente, sobre o fogão à lenha, claro na parte lisa, sem as bocas.

Feliz, a ave passou até a cantar, atraindo uma fêmea, e assim

ambos ensaiavam, inclusive, passinhos de dança, sobre o fogão. Não é que, o vira, ao dar determinado passo, as cabeças dos palitos, se tocaram, em fricção, produzindo uma faísca de fogo, vindo a causar a morte do bichinho, com queimaduras de terceiro grau em todo corpo! Assadinho!

Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 23/08/2012
Reeditado em 09/01/2013
Código do texto: T3845562
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