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Use Mais Seus Sentidos

“Noto uma busca eterna pelo sentido da vida; nos tempos atuais, disfarçada de busca por felicidade.”

“Não vá perder o sentido,
O sentido da vida!
Retorne aos sentidos,
E sinta vida.”

(Helena Frenzel)

Certa vez, no Brasil, isso já há muito tempo, em mil novecentos e feijão queimado, vivi uma situação engraçada, o que me levou a muito refletir sobre nossas reações (automáticas) a perguntas (também automáticas). Sim, eu sei que ninguém é de ferro e que vez ou outra é questão de sobrevivência pôr o piloto automático no comando. Sei que é saudável desligar de vez em quando. Porém isso torna-se perigoso quando se perde, digamos assim: o sentido das coisas.

Voltemos ao episódio, que se passou lá na minha cidadezinha: Sendo apresentada ao amigo de um amigo, em lugar de responder “tudo bem” ao padrão “como vai?”, como esperado, sofri um curto-circuito cerebral e respondi “parabéns”, e -- pasmen! -- ninguém notou a troca, nem eu (no momento), nem o interlocutor e muito menos outros que participavam  da conversa.

Bem, pelo menos ninguém se manifestou. A conversação continuou ainda por um bom tempo. Só muito depois, tendo eu voltado às atividades normais, tive um 'flash back' muito nítido. A seqüência de ações ficou tão fortemente gravada em minha mente que isso só pode mesmo ter havido.

Mais tarde, comentando o ocorrido com meu amigo -- o que me apresentara ao outro seu amigo --, achamos a hipótese da troca de respostas provável, e decidimos testá-la. É bem possível que a troca tenha ocorrido, e passado despercebida, pela tendência que temos, parece, de reagir no automático. Note bem, relato aqui apenas experiência e observações de duas criaturas. Não fizemos nenhum estudo formal a respeito.

O que fizemos foi o seguinte: passamos um bom tempo observando reações em situações de encontro e despedida quando, ao invés da resposta habitual (padrão esperado), respondíamos qualquer outra coisa parecida. Muito pouca gente notou as trocas. Fiquei muito surpresa com os resultados, embora não tenhamos feito o teste com tanta gente assim.

E por que será que isso acontece? Um povo aí que anda estudando uma tal de NLP - Neuro-Linguistic Programming (1) sugere que coisas assim 'passam' porque não somos tão conscientes quanto deveríamos de nossos cinco sentidos -- e não são seis?!

Você pode até pensar que sou 'pinel', mas muito antes de saber dessa tal de NLP, já costumava, de vez em quando, tirar um dia para testar os meus sentidos, um por um: visão, audição, olfato, paladar, tato e, principalmente, a intuição.

Experimente concentrar-se -- por quinze minutinhos que sejam -- só naquilo que ouve, nos cheiros que percebe, ou nas formas que consegue definir com as mãos (e os pés também! E por que não?!), relate o que sentiu e depois pense a respeito.

Mas cuidado, não vá fazer nenhuma besteira... -- Depois mete o dedo aí numa tomada e vem dizer que a culpa é minha!? Ah, não! -- Certifique-se de que esse experimento seja realizado em condições seguras para você, familiares, vizinhos e o resto do mundo, sim?

Num domingo recente, tirei para testar minha audição. Para mim foi algo mágico. Sentada no sofá, fechei os olhos e lá permaneci, em silêncio, não sei por quanto tempo. Quando voltei do, digamos assim: 'transe', notei que estava muito relaxada, quase pegando no sono.

Concentrei-me nos menores ruídos que meus ouvidos puderam captar. Deu até para compor uma sinfonia: pássaros cantando, um ou outro carro passando na rua, ora carro grande, ora carro pequeno; ruídos, sons e movimentos na vizinhança: tilintar de vidro contra vidro – ora vidro espesso, ora vidro muito fino; portas batendo, tosse, tosse rápida, espirros, fungada, suspiro; descarga de vaso sanitário, ruído de vozes -- O que diziam? O que diziam? Não sei, não pude identificar, mas não brigavam, nem discutiam, “jogavam frescobol com palavras”... e comida; zumbido de motor... motor de geladeira, tilintar de pratos contra a mesa, e talheres contra pratos; o roçar da minha roupa contra o sofá, quando movia levemente o corpo ajeitando melhor as costas. Passos, cachorro latindo, pássaros a conversar, a cantar, a cochichar, a... ah, não posso dizer! Será? E o vento...

Foi uma boa experiência, devo repetí-la mais vezes. Da próxima vez vou tentar usar mais meu nariz... Num bom sentido, claro. Já tive também 'o dia sem visão'. Esse aí "foi punk!", como diria uma ex-colega (de São Paulo). Esse eu não agüentei meia hora. Resultado? Dois vasos quebrados, dedão do pé inchado e por um triz, mas só por um triz mesmo, não tive os pés cortados por cacos espalhados pelo chão.

Só pra terminar: meu marido às vezes fala que eu não tenho todas as taças no armário – algo no sentido de “ter um parafuso a menos na cabeça”. Acho que ele está brincando... Ou estaria falando sério? Ai, meu Deus! Melhor maneirar nesse negócio de sentir os sentidos...

1 - http://www.nlpu.com/whatnlp.htm

Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 12/08/2009
Código do texto: T1749589
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
Alemanha
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