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Pílula para Escrever

A boneca Emília, aquela do Sitio do Pica-pau Amarelo (de Monteiro Lobato), tomou uma pílula para falar. Eu, ao que tudo indica, tomei uma para escrever. Não, essa crônica não é sobre drogas, nem sobre placebos. É um texto para relaxar, um bate-papo de final de tarde. Se não estiver afim, pode ir embora, vou entender perfeitamente. Decidiu ficar? Então puxe uma cadeira e sente aí. Vai um café, um suco, ou um chá?

Esse texto é sobre essa estranha envolvente mania de escrever todos os dias. Só não digo que é vício porque a idéia que tenho não casa com o sentido negativo dessa palavra. Porém não deixa de ser mesmo uma compulsão. Olha que se eu não tivesse tantas outras coisas pra fazer, era até capaz de passar o dia todo escrevendo. Naturalmente, isso só acontece quando o pássaro da inspiração pousa no meu ombro e fica lá, cantando, chamando minha atenção para o mundo das idéias ao meu redor.

Acho isso mágico. Quem reclama é meu marido: “Pô, Helena, desde que você começou com essa história de escrever, aqui em casa é tanta gente, um entra e saí a toda hora que nem tem mais lugar pra mim, viu? Hoje você passou a tarde inteira com esse talzinho aí, ontem com a pintora, antes com o cientista... Pô, assim não pode, assim não dá!” E eu disse a ele: “Calma, amor, esse povo vem e vai... você, você fica! Deixa de ciuminho bobo, tá bom? Aí fica tudo bem.

Na verdade, acho que tem um tipo de gaiola de loucos na minha cabeça. E todos querem se expressar. A confusão se arma quando todos tentam falar ao mesmo tempo. Não queria falar assim, para evitar lhe assustar... Mas se é o que penso que realmente ocorre... Fazer o quê, né? Se tentasse lhe enrolar, fugir da verdade, você ia acabar percebendo mesmo, de um jeito ou de outro... Aliás, se tem uma coisa que leitor não suporta (penso eu!) é perceber que estão tentando enganá-lo. Ah, tá certo... concordo que há vários tipos de leitores, até um tipo que “gosta de ser enganado”, se assim me permite.

Para ter uma idéia do quão envolvente é esse negocio de escrever, hoje foi um dia bem cansativo, mesmo assim não sosseguei enquanto não sentei pra escrever, nem que fosse só um parágrafo. E no final deu essa conversa aqui! Estou cansada porque hoje foi dia de faxina. Não gosto de fazer faxina, mesmo assim prefiro isso a ter que passar roupas. Acho que disso você já sabia de outra crônica, não? (2) Pois é, passar roupas não é meu forte. Alías, trabalho doméstico em geral. Mas se tem que fazer... Ih, eu nem queria lembrar da pilha de roupas que tenho por passar... Todo dia olho para ela e canto:

“AMANHÃ!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
AMANHÃ!
REDOBRADA A FORÇA
Prá cima que não cessa
HÁ DE VINGAR!” (1)

Não, não ria... É sério!

Aliás, a música é uma excelente companheira... Outro colega aqui do Recanto, o Nilsson (3) – não sei se você conhece – também gosta de escrever umas crônicas musicais. Gosto dos textos dele. Leia quando tiver um tempo. Garanto que vai gostar! De repente me deu uma saudade... Saudade de coisas que não vivi. Pode!? O Nilsson escreve – e muito bem por sinal - sobre boa música, algumas da geração de 60, 70, ... Queria também ter vivido essa época, ter estado no Woodstock, ter visitado os Festivais de MPB em que despontaram Elis, Milton, Nara e tantos outros.

Ah, durante a faxina botei a Madonna pra tocar, pra ver se me acelerava um pouquinho... Daí lembrei de uma entrevista (4) que vi na internet, já faz tempo, acho que na época em que Madonna esteve no Brasil - e conheceu Jesus. Não, não o Jesus, JESUS. Seria até bom (pra ela) se o conhecesse de verdade, digo JESUS – talvez até já o conheça (quem sabe?) Crença é coisa muito pessoal. – Sim, mas o Jesus que ela conheceu trata-se de um jovem brasileiro.

Outro dia esse relacionamento foi notícia num programa de rádio daqui. Não sou fã de fofocas de celebridades, mas quando se ouve rádio, (ainda) não dá pra se selecionar as notícias que se quer ouvir, o que, pensando bem,  é bom que continue assim... Já pensou se pudéssemos escolher ouvir só notícias que nos agradassem? Pense na força de um exército de alienados... Sim, essa “fofoca” remeteu-me à memória da entrevista. Lembro muito bem porque a locutora frisou o nome do rapaz.

É que o povo daqui (da Alemanha) acha estranho alguém se chamar “Jesus”. Imagino a reação de alguns se soubessem que no Brasil “Jesus” é usado tanto para pessoas quanto para marca de refrigerante. Até onde eu sei, o Guaraná Jesus – o sonho cor de rosa - só tem no Maranhão. Diz a lenda que o químico ou farmacêutico (sei lá) que inventou a fórmula chamava-se também Jesus. Daí o nome do guaraná.

A entrevistada foi uma escritora que desconheço, Camille Paglia. Se não me engano, essa entrevista foi publicada na revista Veja. Como não “vejo” essa revista, não posso garantir essa informação. Camille, antes muito fã da doidinha, nessa entrevista agora declarou que Madonna está patética e disse ter como mais nova musa o furação Daniela Mercury. Não tenho nada contra Madonna, gosto de Daniela e nada sei sobre Camille. Nisso tudo, fiquei só imaginando o que diria Madonna aos que dela (bem ou mal) falam. Penso que a resposta já foi dada, algo no rumo do trecho de Human Nature, álbum Bedtime Stories (1994):

“And Im not sorry (Im not sorry)
Its human nature (its human nature)”

Viu só? Essa pilulinha é boa mesmo! Se não me segurar, desembesto a escrever.
Ah, o café! ou era o suco?... ou o chá? Não importa. O que quer que seja, tá pronto! Já ia até me esquecendo... Esse negocio de escrever deixa a gente doidinha.

1 – Trecho de Amanhã, de Guilherme Arantes.
2 – Leia a crônica Estranha Mania: Fé na Vida
3 - www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=44291
4 - literaturaclandestina.blogspot.com/2009/03/entrevista-escritora-americana-camille.html

Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 29/05/2009
Reeditado em 07/06/2009
Código do texto: T1621394
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
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