CENSURA

Há muito tempo - para mim, que não vivi a época, porém pouco pra quem por ela passou -, viveu-se um período de extrema violência cultural no país, além de outras formas. Porém a que mais ameaça reaparecer, sempre que pode, é aquela. Volta e meia acontecem episódios, ameaças veladas ou não, de censura.

Quando se lê ou assiste a alguma entrevista de Chico Buarque, percebe-se a gravidade da situação; quando se ouvem algumas músicas, como "Pra não dizer que não falei das flores", "Alegria, alegria", Apesar de você", "O bêbado e a equilibrista", dentre outras, não há como não ficar arrepiado; vendo Caetano chorar na TV ao rememorar episódios de sua prisão, reaparece a chama da indignação, automaticamente.

Prisões... sumiços de pessoas... fraudes... violências físicas...

Mirian Leitão, Zé Dirceu, Rubens Paiva, Dilma e tantos outros! Alguns podem dizer - e dizem - o que passaram; outros não podem fazê-lo por não se encontrarem mais em nosso meio.

Mas parece que as pessoas aprendem muito mais com a perda, com o sofrimento. Tanto que passam a reproduzir em outros, não creio que por vingança, mas automaticamente, tudo aquilo que viveram e vivenciaram.

Agora o Governo quer censurar a TV. Será que a Belíndia se tornou agora um clone da Venezuela? Como pode um governo querer entender de cultura, a ponto de decidir o quê, quando e como podemos ver se o presidente mal sabe ler e escrever?

Mesmo que o soubesse, seria seu direito violar a Constituição Federal, aquela que denominaram "Constituição Cidadã"?

Creio que não podemos deixar voltar períodos de violência, de desrespeito ao nosso direito. Por menor que seja, a violência é um acinte, uma afronta à nossa inteligência. Podemos muito bem selecionar o que queremos e podemos ver. E, se os pais não conseguem educar seus filhos, não podem mostrar aos mesmos aquilo a que não podem assistir na TV, não podem tampouco outorgar ao governo tal tarefa. Principalmente em se tratando de tal governo.

Pabinha
Enviado por Pabinha em 21/10/2008
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