NÃO ME PERTENÇO

Por Gecílio Souza

Certo alguém me colocou

Numa sinuca de bico

Gentilmente me desafiou

E não posso pagar mico

Com uma flecha me flechou

No meu ser deu um belisco

Desde então me transformou

Num sideral pobre rico

Me invadiu e me viciou

Me fez gigante nanico

Me venceu, me confiscou

Atirou-me no seu circo

O meu coração sequestrou

Na velocidade do corisco

Seu olhar me interceptou

É o lado A do meu disco

Seu jeito me magnetizou

Me estrebucho, me estico

Minha resistência se esgotou

Estou frágil, corro risco

Esse alguém me enfeitiçou

Nesse feitiço me implico

Seu gênio me acomodou

Este meu coração arisco

Tão agradecido estou

Que este poema dedico

De mim se assenhorou

E à sua elegância suplico

Minha alma festejou

Sua presença reivindico

A quem me emocionou

Cujo carinho eu lambisco

Quem tanto me cativou

A mim próprio que indico

Me seduziu e acalentou

Ofereceu-me um obelisco

De mim se apropriou

Sem alarde e sem fuxico

Uma missiva me enviou

Mensagem que não publico

A ir consigo me convidou

Do convite não me abdico

Em minhas mãos já chegou

A este alguém comunico

O meu dilema é se vou

A minha dúvida é se fico.

G. S.

Oiliceg
Enviado por Oiliceg em 02/09/2017
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