Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Avefauna do meu sertão

No sertão a avefauna
É uma grande riqueza
São aves de todo tipo
Muitas de rara beleza
Da rapina de bom porte
A pássaro de miudeza

Os nomes são apelidos
Que vem da criatividade
Reproduz o som do canto
Ou a sua sonoridade
A cor e as suas matizes
Ou uma funcionalidade

Tem pombas de vários tipos
Rolinha cachecha e branca
Sangue-de- boi, fogo-apagou
Todas tem uma semelhança
Da juriti ao o avoante
E a maior delas, asa branca

Pintassilgo e coleirinha
Caboclinho e bico-de-prata
Bigode e maria pretinha
De longe se ouve na mata
Todos são pequenininhos
Mas o canto bem destaca

O cabeçudo cá do sertão
É o cardeal-do-nordeste
Às vezes é galo campina
Tem nome que só a peste
Chamam cabeça-vermelha
Pela cor que lhe reveste

Ave de água não falta
Raxanã e mergulhão
Galinha d'água e marreca
Alguns migram, outros não
Paturi e pato selvagem
Em seus bandos, vem e vão

A garça é outra que migra
Faz seu charme na descida
Mostra suas pernas longas
Sem vergonha, bem despida
Mas não perde uma piaba
Ganha no bico sua vida

Alguns ficam de butuca
Atrás do peixe de cada dia
O pescador vem do alto
Mergulha na água fria
Socó-boi dá seu razante
E não perde a pescaria

O cancão é zuadento
Quando avista um perigo
Sem medo até de cobra
No canto sai o aviso
Preste atenção no alerta
Desse pássaro amigo

Nosso craúno dá show
Preto das penas ao bico
Alguns chamam chico preto
Com seu canto bem bonito
Desculpa para sua sina
De ser preso por malditos

Uns são bem organizados
Na hora de fazer ninho
Vejam o pequeno beija-flor
Tece com ramos fininhos
E deixa só uma entrada
No formato de biquinho

O joão-de-barro ganhou
A alcunha de pedreiro
Faz a sua casa de barro
Planeja como engenheiro
Até a porta de entrada
Não deixa entrar pingueiro

A casaca é mais relaxada
A estética não é conceito
Junta no alto da árvore
Um balseiro de graveto
Tira o tempo para cantar
O seu canto sem defeito

Sabiá, sofreu e sanhasso
São chegados numa fruta
Fura-manga pequenino
Mela o bico bem astuta
Seus cantos bem adoçados
De bem longe se escuta

Seriema e codorniz
Jacupemba e lambu,
Lembram até uma galinha
Como o três-potes e o jacu
Na terra vivem espertas
E puxam vôo sem lundu

O senhor cá desses ares
Não é o grande carcará
Nem gavião ou urubu
Você não vai acreditar
O bem-ti-vi bem miúdo
Bota todos pra borrar

A turma dos papagaios
É também representada
Começa pelo sabacu
E a guinguirra espritada
Maracanã quase fala
Pense numa grande zuada

Azulão, xexéu, coã
Caboré e lavandeira
Mãe-da-lua e téu-téu
Carão e maria-faceira
Se arreparar direito
A coruja nem é feia

Doutor quinco e zabelê
Andorinha e papa-sebo
Alma-de-gato e sem-fim
Anum do branco e do preto
E o incrível pica-pau
Fura a madeira no jeito

O bacurau se encontra
No famoso oco do pau
Mas muitos já não se vê
Em seu habitat natural
Ema, urubu-rei e canário
Do sertão já deram tchau.

(finalizado em 16/06/2017)
Imagens: mosaico com fotos de Rosa Melo extraídas do Facebook.
PG Alencar
Enviado por PG Alencar em 16/06/2017
Reeditado em 20/06/2017
Código do texto: T6029340
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, desde que seja dado crédito ao autor original (PG Alencar) e as obras derivadas sejam compartilhadas pela mesma licença. Você não pode fazer uso comercial desta obra.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
PG Alencar
Teresina - Piauí - Brasil, 45 anos
101 textos (5515 leituras)
1 áudios (90 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 09:59)
PG Alencar