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Poderíamos ser felizes juntos

Oi! Sou eu de novo, não o eu que sai por aí sorrindo pra todo mundo na rua, mas aquele eu que se faz presente pra você as vezes, as vezes porque durante muito tempo eu aprendi a lidar com algumas coisas dentro da minha solidão, se você reparar bem, no fundo dos meus olhos tem uma nota de melancolia que esteve sempre aqui, ela me traz uma parte mais densa, complexa, mas com tanto silêncio que talvez você nem note.
É que houve uma época em que eu acreditava que era auto suficiente demais pra que houvesse espaço pra outro alguém na minha vida sabe, eu não entendia direito isso de se perder em alguém porque eu cabia certinho na minha solidão e tudo bem...
Mas não se preocupa não, eu aprendi algumas coisas nesse tempo, inclusive que eu estava bem errada nisso, ainda bem viu, tem espaço pra caramba aqui, acho que era o medo de abrir a porta pra alguém entrar e querer tirar as coisas do lugar, da um trabalho enorme arrumar a bagunça depois, sei disso porque já reviraram tudo aqui dentro e no final a gente arruma tudo sozinho, dói bastante, principalmente porque depois você já nem sabe mais o lugar de cada coisa e percebe que tem coisa que não cabe mais em lugar nenhum. Eu olhava meu reflexo no espelho todo trincado e ficava me perguntando se uma hora eu ia ficar inteira de novo ou se seria como aquele reflexo em pedaços...
Demorou pra entender que eu não era aquele espelho, ele era uma das coisas que estavam sobrando, joguei tudo fora, tudo o que não cabia mais em mim já não era mais eu, já não era mais quem eu sou hoje. Transformar-se é ser e isso é muito curioso.
Eu sou essa intensidade toda dentro do peito, esse mar profundo demais pra sentir as coisas de um jeito banal, essa talvez seja minha maior qualidade e pra mim mesma, minha maior sina, porque eu não vou te afogar ou ser uma tsunami imponente que entra sem bater na porta, eu vou estender minha mão, sorrir, perguntar se quer me acompanhar, respeitar seu silêncio sendo silêncio contigo, vou te ajudar até mesmo se eu for sua maior dúvida, vou me desmanchar por você em cartas de amor, percorrer cada caminho seu pra entender como chegou até aqui hoje, vou deixar minhas digitais da sala até o quarto, do quarto até seu íntimo canto escuro onde ficam seus medos e os sonhos que jogou fora, vou contar piadas bestas só pra ver seu sorriso, vou te fazer perder a cabeça entre as quatro paredes que nos separam do mundo, vou te contar meus medos também, sonhos, a sensação que tive quando partiram meu coração e como eu arrumei a bagunça sozinha.
E mesmo sendo esse mar profundo demais, minha superfície é tão serena que não vai te dar medo de entrar aqui dentro, mas se você quiser sair por qualquer motivo, se não quiser ficar, me fala que eu vou com você até a porta dos meus sentimentos porque já vou estar te amando tanto a ponto de deixar o egoísmo de te querer em mim já que a porta sempre vai ficar aberta pra você entender que há espaço para sua liberdade entrar ou sair, se quiser.
Você não precisa de mim pra conversar, te incentivar, te acolher, pra viver um dia incrível, redecorar o quarto, escolher um jogo novo de cadeiras para a cozinha, pedir uma pizza tomando um bom vinho, sair numa sexta a noite com os amigos, contar uma piada boba ou arrumar a bagunça de alguém que amou, você não precisa de mim pra ser feliz... Assim como eu não preciso de você pra ser feliz também... Mas como seria incrível nos amarmos ao ponto de ser uma escolha nossa sermos felizes juntos com tudo o que nos faz feliz em nossa solidão. Poderíamos ser tão felizes...
Fabrine
Enviado por Fabrine em 13/11/2017
Código do texto: T6171100
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fabrine
Pindamonhangaba - São Paulo - Brasil, 23 anos
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