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Poliana

   Ele brincou com o seu coração, não foi? Te deixou chorando uma noite inteira, eu sei. Ele tinha um “carinho especial” por você, e por outras 50 outras moças, e isso sempre te tirou o sono, não é? O fato de você sempre ter tempo pra ele, e ele, nunca ter tempo o suficiente pra você, sempre lhe soou absurdo, eu sei.
   Ah, Poliana… A intensidade que ele colocava no “eu gosto tanto de você”, sempre foi equivalente ao quanto ele nunca te assumiu, sempre foi equivalente às fotos que ele fingiu nem existirem, ou aquela tua frase boba, mas significativa, que você escreveu num papel qualquer do bar em que estavam, e guardou na carteira dele, que fez questão de ignorar sem fazer nem meia consideraçãozinha a respeito. Eu sei o quanto você esperava uma mera ligação, mas também sei que ele só te ligava depois da meia noite, quando já estava bêbado e drogado, com o único intuito de usar você por uma hora ou duas, e depois virar para o lado e dormir, mas antes dizer “tranca a porta antes de sair, e joga a chave pela janela da sala”. Sem contar o “vamos sair pra jantar”, que nunca saiu da fase de cogitação… E aí a gente se pega questionando uma forma de dar um fim em algo que nem começo certo teve, quiçá adquiriu uma forma ou consistência.
   E teve aquele outro, que só saía com você para onde ele sabia que ninguém os veria, sempre à noite, quando os amigos dele já estavam no bar há umas duas horas. “Boa noite, linda. Estou cansado, vou dormir”, mas essa frase no WhatsApp era só pra você, a “fixa”… Para as outras, as do Tinder, as do Happn, as do bar, da faculdade, da última festa que ele não contou que foi (mas você soube mesmo assim), as que ele conheceu naquele barzinho que ele foi enquanto você viajava (aquele que ele disse ser a casa da avó) com os seus pais, aquela que ele sempre "sonhou em pegar", a que sempre sonhou em dar uns beijos no homem que (você pensa que) é seu, e aquela que "dá uns pegas" de vez em quando sem você saber, era papo até as duas da manhã… No dia seguinte, era “linda, eu dormi assim que deitei, nem vi o celular”. Mas você sempre soube que a verdade não era essa. Outro que nunca te assumiu, outro que sempre fingiu que aquelas fotos lindas de vocês, simplesmente não existiam. Nunca te respeitou. Nunca te fez sentir segurança.
   Dói, Poliana, eu sei. O teu texto, foi meu por deveras vezes. E é de tanta mulher por aí, que você nem queira saber! Porque a gente tem a idiota mania de acreditar na bondade (inexistente) de homem canalha. Ou são os homens canalhas que insistem na colheita amarga de se passarem por bons moços só para “enganar mais uma”? Se a culpa é da inocência sonhadora ou da malícia exacerbada, à esta altura do campeonato, à esta situação crítica de coração cansado e dilacerado, pouco importa. Mas sabe, Poliana, dá pra viver apesar disso.
   Sabe, Poliana, um dia a dor cessa… Mas o coração, o coração é meio vagabundo. Ele é capaz de se refazer mil vezes, mas só o fará se você der o primeiro passo, insistir no segundo, no terceiro, no quarto, naquela ligação de término, naquelas sacolada de coisas jogadas fora, naquela remessa de sentimentos ruins expelidos do peito… Você vai ter que insistir na vontade de levantar da cama, na vontade de comer ou na vontade de parar de descontar a decepção num prato de comida, em pacotes de bolachas Oreo e panelas de brigadeiro. Você vai ter que insistir na vontade de sair de casa, na vontade de parar de adular a ferida, e na vontade de jogar nela, todo o vidro de mertiolate. Essa parte, de voltar a respirar e voltar a viver... é parte nossa e parte de Deus. A gente joga um pouco de coisa fora, Ele puxa nosso braço pra cima. A gente força um sorriso, Ele puxa mais um pouquinho. A gente decide seguir em frente, Ele puxa um pouco mais. E então, quando vemos, saímos do poço melhor do que entramos. Até porque, Poliana, homem canalha nenhum merece uma lágrima nossa.
   Sorria pra vida, enquanto esse fio de maldade se enrola pra você. Eu não quero falar de amores futuros, mas preciso pincelar: quando você estiver bem consigo mesma, e achar que não precisa do amor, será presenteada com alguém que te fará render graças aos céus. Mas deixa esse papo pra depois. A verdade, Poliana, é que você é mais forte do que pensa. E se quiser, eu te dou minhas mãos e braços pra te ajudar a seguir em frente. A verdade, Poliana, é que todas nós somos por você; todas nós desejamos que, o tipo de homem canalha, colha exatamente aquilo que plantou. Porque toda mulher já teve um homem canalha na sua vida. Canalha, infantil, moleque… Dá na mesma, porque homem de verdade não age dessa forma.
   E quer saber, Poliana? Não há nada melhor do que se olhar no espelho, se sentir maravilhosa, e perceber que você pisou naquela dor toda com um salto de arrasar, um vestido ou uma calça de parar o quarteirão, e um batom de enlouquecer todos os olhos nas ruas, por aí. A verdade, minha amiga, é que somos todas Poliana. A gente supera e fica cada vez melhor, enquanto o homem canalha só planta um futuro amargo para si. E no fim das contas, Poliana, você só precisa se descobrir dona da própria história, aquela que segura as rédeas dos próprios sentimentos e aquela que não se deixa abater, nem por moleque, nem por homem barbado com síndrome de Peter-Pan.
Débora Cervelatti Oliveira
Enviado por Débora Cervelatti Oliveira em 12/08/2017
Reeditado em 12/08/2017
Código do texto: T6081700
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Débora Cervelatti Oliveira
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 24 anos
46 textos (618 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 23:05)
Débora Cervelatti Oliveira