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GIAMBATISTA VICO (1668-1744)

 
Giambatista Vico, nome dado em homenagem a São João Batista nasceu em Nápoles, na Itália, em 23 de Junho de 1668, filho de Antônio Vico e Candida Masulio, sendo o sexto de oito filhos. O pai era alegre, e a mãe era um tanto melancólica. Ele mesmo, Vico, escreveu uma autobiografia. Mas este frequentava a biblioteca do pai, e possivelmente ao subir em uma escada, teria caído, e fraturado o crânio, aos sete anos, e por cinco horas teria ficado inconsciente, de tal modo que o médico disse que se ele voltasse, no caso de não morrer, ficaria com idiotismo. Mas aconteceu de se recuperar, apesar de sempre ter uma constituição sensível, mas ficou saudável, entrando na escola quando possuía dez anos. Seu primeiro mestre espiritual foi um filósofo nominalista, o padre Antônio dal Bolzo, depois estudando com um seguidor de Duns Scot, Giuseppe Ricci, jesuíta. Vico teria ficado durante toda a vida, sempre Católico. Superior na escola aos colegas, acabou dele ser transferido para a escola jesuíta. Mas acaba saindo e estudando de modo autodidata. Tenta se ligar a Universidade, indicado por um Bispo, assistindo palestras de Don Francesco Verde, sobre Direito, e também se encanta com a jurisprudência por ela tratar de diversos saberes, mas volta a estudar sozinho logo em seguida. Aos dezesseis anos acaba assumindo a defesa de seu pai, como espécie de advogado, mas depois também não achou ser essa sua vocação, por causa da saúde sensível. Fica nove anos em solidão e chega a ser preceptor de filho de Marquês de Domenico Rocca, momento onde estudou Platão. Nesse período entra em contato com a filosofia de Gassendi, e também com o cartesianismo, e sua obra assim tem esse foco de combater o pensamento cartesiano. Ele ainda lia autores como Cícero, Boccacio, Dante, Virgílio, Horácio, Petrarca, Ficino e Pico. Empobreceu em uma cidade que pouco ligava para as suas concepções, fazendo a escrita de encômios sob encomenda. Mas em 1699 passa a ocupar o cargo de Professor de Retórica da Universidade. Assim, escreve em latim ao abrir ano letivo, de modo que ele começou a criticar a obra cartesiana, o método de Descartes, e defendendo que a filosofia devia também se dedicar ao abstrato, em especial a literatura, e ainda na história. Em seguida se casa com Teresa Destito, sendo pai de diversos filhos. Sua obra assim é a Ciência Nova. Não com grandes reflexos de imediato, mas depois admirada por romantistas, e talvez nem tanto porque acabava de opondo nas suas teses ao iluminismo. Seu maior interprete foi o filósofo Benedito Croce. Mas Vico defendia assim a sabedoria antiga dos italianos, dos jônios, bem como a metafísica, a qual englobaria quase tudo, como a moral, a lógica, a política, a economia, e até a física. Acaba se opondo a doutrinas como a de Hobbes e Maquiavel, que defendiam um acaso, bem como a de Espinoza e Zenão, que defenderiam um destino, e defende contra estes, usando do tema da Providência. História para ele é uma teologia civil e racional da Providência Divina. Nisso parece a um autor místico que já citei aqui, Saint Yves de Alveydre, que também coloca o fator Providência como central na sua História Filosófica do Gênero Humano. Mas ele foi um paizão. Seus filhos ganharam destaque, seja positivo ou negativo. Uma filha sofria de séria doença degenerativa, já outro filho foi preso por vida dissoluta e dívidas. Contudo, sua segunda filha ganhou renome como poetisa, e seu filho favorito, Genaro, foi indicado para a sua cadeira de Retórica, sendo seu sucessor na mesma. De interesse é que ele tem uma visão que faz a história seguir certo ciclo ou períodos. O centro da ciência estaria em Deus e na metafísica. Disse: “A primeira Ciência que se deve aprender é a Mitologia, ou seja, a interpretação das fábulas (pois, todas as histórias gentílicas possuem fabulosos princípios), já que as fábulas foram as primeiras histórias das nações gentílicas”. Também que “Nações como a dos caldeus, dos citas, dos egípcios e dos chineses foram as primeiras a fundar a Humanidade do mundo antigo”. De interesse é a figura que coloca antes de sua obra, com o símbolo maçônico ou illuminati do “Olho que tudo vê”, no triângulo luminoso, outro símbolo esotérico, e ainda das referências simbólicas nessa gravura, e ainda outros como os signos do zodíaco, no caso Leão e Virgem. Também nas suas reflexões dá atenção aos deuses pagãos e a importância da religião desde sempre. Mas os Bourbon ao verem sua capacidade, indicara antes Vico como historiógrafo real. Destarte, quando sua reputação ia se fazendo, ele começou a ter problemas de saúde e com algum dos filhos, assim sofrendo de doença degenerativa. Sofreu muito por quatorze meses por causa do câncer, e ficou quase sem a capacidade de falar. Por fim, um dia viu esposa e filhos, e, cantando os Salmos, parte desse mundo, em 20 de janeiro de 1744.