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PEDRO ABELARDO (1079-1142)
 


Nasceu em uma localidade da Bretanha, há uns poucos quilômetros de Nantes, em Pallet, no ano de 1079. Filho de pai militar, que também se preocupava com as letras, de modo que seus filhos seguiram o exemplo do pai. Logo antes de ser um teólogo Abelardo foi militar, seguindo o modelo paterno. Diz que sua terra deu a ele um ágil temperamento e um talento para o estudo das letras. Diz ele que preferiu a armadura da dialética e os caminhos de Minerva, em lugar daquele de Marte. Busca assim a filosofia peripatética, sendo ainda discípulo de Roscelino, defensor do nominalismo, e de Guilherme de Champeaux, este defensor do realismo. Assim ele elaborou obras como Sic et Non, sim e não, ou prós e contras, o que se referia a erros nas Escrituras Sagradas, que deveriam procurar soluções. Escreve então Introdução à Teologia, essa com teses condenadas pela Igreja. Mas o fator marcante da vida de Abelardo foi seu amor pela Heloísa, o que nada mais nada menos lhe rendeu a castração de seu órgão gerador. Assim em Paris se apaixona por Heloísa, sobrinha de um cânone chamado Fulberto. Em Paris ele tinha muitos alunos e admiradores. Tanto era o amor que a procurava quando havia a necessidade de estudos por parte da mesma, nas letras. Ela assim se distinguia no estudo das letras, encantando a Abelardo, ainda mais que era muito bonita. Mesmo não estando sempre presentes, trocavam cartas de amor. Loucamente apaixonado por Heloísa, Abelardo assim busca a intervenção de amigos dela para obter contato maior, e assim poderia a ver na casa desta. Falou assim com o tio dela, a fim de intermediar esse relacionamento, mas ele era demasiado avaro, de modo que ele teve de despender gastos financeiros para encontrar seu amor. Assim de algum modo o nosso pensador Marte, imitando a mitologia, buscou o amor de Vênus de todo o modo. Entrega-se a ela assim como um lobo, dando rédea sol aos seus desejos sensuais. Os estudos assim lhes proporcionava ainda encontros secretos. Havia assim mais beijos do que palavras, nas palavras do próprio Abelardo. E as mãos santas dele se dirigiam mais aos seios dela, que aos livros. E isso não é exagero do biógrafo aqui, mas são as palavras dele próprio. Fazia até versos e poesia para Heloísa. E isso tudo ficou meio escancarado entre os seus alunos, e ainda chega a refletir na desonra no tio da moça. Uma vez descobrindo o tio, eles tiveram de se separar. Assim veio a amargura ao espírito de Abelardo. Ela assim revela após meses uma notícia surpreendente: estava grávida. O filho assim se chamaria Astrolábio. Foge do tio e vive na casa de irmãos de Abelardo. Mas assim tentando reconciliar, ele oferece o matrimônio. Mas Heloísa se opõe ao matrimônio. Muitos falaram que não é bom ao filósofo possuir mulher. Também Sócrates teve esposa, e isso lhe gerou certos problemas com seguidores. Nascido o filho, a irmã de Abelardo ajudou no seu cuidado. Casaram assim em presença de poucos amigos e do tio, meio que em segredo. Mas o mesmo tio e amigos começaram a divulgar esse casamento proibido. Ela foi assim levada a certa abadia para se tornar monja, mesmo em Paris, chamada Argenteiul. Assim para se vingar ainda estes armaram contra Abelardo, comprando seu criado e pela noite o castrando. Isso em muito lembra uma história que a princípio os bispos romanos eram casados. Mas em certo momento seguiram uma seita romana que era castrada, e assim mesmo não literalmente, seguiram essa seita. E foi uma pena que não aprenderam com os gnósticos, que compreendiam o sexo, o usando até espiritualmente, numa semelhança ao tantra oriental. Mas lembrando Schopenhauer, talvez Abelardo cumpriu com a vontade de viver, com o gênio da espécie, que usa do amor para a reprodução, sendo a sua astúcia. E se Jesus era casado com Maria Madalena, ou tinha por essa grande amor, resta um dia a história provar. De doutrinas dele se destaca a pendenga dos universais, que para ele estariam apenas no intelecto. Morre assim no priorado de São Marcelo, em 1142.