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Ben & John: Dois Homens e um Acaso
Publicado por: Caio Varalta
Data: 03/01/2017
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Texto: "Ben & John: Dois Homens e um Acaso"
Autor: Caio Varalta
Voz & Edição: Caio Varalta
Software de edição: WavePad

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Texto

Ben & John: Dois Homens e um Acaso

Ben era um casca-grossa de olhos puxados que sempre estava com sua Enfield. Sua exclusiva companhia era John, um rapaz jovem e ignorante que havia matado dezenas de homens com sua estimada Colt 45.

Num dia miserável, Ben e John encontravam-se em Hoyo de Manzanares — na Espanha — encarando um ao outro com um imenso ódio, sabendo que um deles sairia morto dali. Eles iriam duelar até alguém morrer.

O singular elemento que ditaria o vitorioso chamava-se Natureza: o mais rápido, instintivo e bem treinado homem sacaria o revólver e atiraria primeiro — com precisão.

A única coisa que faltava era o motivo para disparar, pois eles ainda não haviam encontrado um.

O Acaso, então, a fim de desencadear o conflito, decidiu colocar um saco de moedas perto do local eles estavam, de forma explícita. Imediatamente, após perceberem a presença do tesouro, os olhos de John brilharam e cintilaram. Cintilaram e brilharam tanto que sua alma segmentou uma centelha para a Morte, e esta fez-se homem. Homem este que manifestou-se com um precário sorriso e um poncho verde, sob o nome de Chester.

O desconhecido santificou as moedas contidas no saco e disse para Ben e John duelarem até a morte — o vencedor ficaria com o dinheiro.
Os dois, antes parceiros, encararam-se novamente, mas não com ódio; desta vez, eles se entenderam por um breve instante. Sabiam que deveriam matar para ficar com o dinheiro. Eles começaram a andar em círculos, prontos para atirar à qualquer momento.

Os olhos não piscavam e as mãos tremiam. A cada passo, os movimentos ficavam mais rápidos; este ciclo repetiu-se até a dupla iniciar uma corrida. Eles corriam, se encaravam e sorriam, enquanto seus braços suavam e seus corações palpitavam no anseio de matar.

Ben, rapidamente, fitou Chester e percebeu que ele estava desarmado; não pensando duas vezes, ele tornou seu corpo, puxou o revólver e descarregou nele 5 balas de sua pistola — o homem de poncho não aguentou-se e caiu, falecido. John correu para o tesouro e, ao chegar lá, cuspiu no chão. Ben, sem entender, puxou sua arma em direção à John, mas o jovem rapaz sacou o revólver com maior destreza e gastou todo o seu tambor carregado em Ben. Mesmo baleado, o casca-grossa levantou sua Enfield e acertou um tiro na cabeça de John.

Alguns segundos passaram, a poeira cessou e ambos começaram a gargalhar, junto com o Acaso. Afinal, os ‘ex-parceiros’ mataram a própria Morte antes de matar um ao outro; e o resultado desta situação foi favorável para a dupla, pois além de saírem vivos, Ben e John conseguiram saquear as preciosas moedas “santificadas”.

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Este texto é fruto de brincadeiras com o 'bangue-bangue à italiana' (um salve para meu avô, que adora assistir a trilogia do Leone comigo). Mesclei diversas outras características surreais no texto -- como a personificação do Acaso e da Morte -- para 'ver no que dava'.
Uma versão do conto em .pdf (e-book) também está disponível no meu perfil.
Caio Varalta
Enviado por Caio Varalta em 03/01/2017
Código do texto: T5871077
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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Sobre o autor
Caio Varalta
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Caio Varalta
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