O EPÍLOGO HISTORIOGRÁFICO SANTARITENSE

Em tempo de delação, conte tudo que leu, pesquisou, viu, ouviu e aprendeu antes que seja tarde.

Francisco de Paula Melo Aguiar

A colonização de Santa Rita teve origem logo após a fundação da Paraíba em 05 de agosto de 1585, por Frutuoso Barbosa, valendo salientar de que naquele tempo os portugueses, potiguaras (auxiliadores pelos franceses) e tabajaras viviam em combates freqüentes pela disputa do nosso território.

A origem do termo de Santa Rita vem da criação em 1771 da capela dedicada a Santa Rita de Cássia e inaugurada em 6 de dezembro de 1776. Assim nasceu o arraial, povoado, vila e cidade dormitório, epistemologicamente falando, pois desde então a população nascente, assim o chama, em virtude do acampamento espontâneo constituído por nativos, colonos, exploradores, grandes e pequenos comerciantes, grandes e pequenos criadores de animais de todas as espécies e voltados para o abate comercial, e bem assim por tropas militares que saiam da capital para o sertão e que vinham do sertão com destino a capital da então província. A historicidade nos informa que foi construído o Forte Atalaia, na localidade de Forte Velho, no estuário do Rio Paraíba, por ser o lugar apropriado para garantir segurança a capital da Paraíba, o que nos leva crer que possível tal construção foi a primeira edificada não só em Santa Rita, mas também em todo o território paraibano pelos colonizadores portugueses. E se não bastasse esse fato histórico, é em nosso território que foi fundado o primeiro engenho de cana de açúcar, provavelmente a partir de 1586, na localidade Tibiry, também foi posteriormente erguido o Forte de São Sebastião em 1771 e em suas adjacências a Capela de São Sebastião. Assim sendo, O engenho Del Rey Tibiry, o Forte e a Capela de São Sebastião, provas fundamentais que constituem o marco primitivo da formação do nosso povoado. Não temos dúvida de que o engenho Tibiry recebeu profissionais (engenheiros, químicos, artífices, mão de obra especializada) europeus para sua edificação e para a exploração agroindustrial desde sua fundação, constituindo assim uma elite intelectual junto aos nativos e escravos em nossa terra no mais de dois séculos (1586 a 1822), portanto, no período do Brasil Colônia.

O atual município de Santa Rita, serviu de palco para a primeira derrota e expulsão dos holandeses na várzea do Paraíba, graças ao Capitão Francisco Rabelo ( ou Rebelo), seus homens e a bravura do negro Henrique Dias e o Capitão Sebastião de Souto, a margem direita do rio que vieram em socorro da tropa, segundo J. Glês Lacet (1937) e seus comandados, em 17 de novembro de 1636, tendo em vista o “[...] o estratégico engenho à margem direita do Rio Samuraguai, defendido pelos holandeses com muito empenho lhes foi tomado de assalto pela companhia do Cap. Francisco Rabelo. Lutando entre defensores, morreu o conselheiro Ippo Eys-sens, Governador da PB, membro do Conselho do Recife [...]”, conforme Donato (1996). Assim vem daí a origem da construção das capelas de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e de Nossa da Batalha, ambas originárias do pedido de Francisco Rabelo, tendo em vista o sua fé na Virgem Maria, especialmente no campo de batalha contra o invasor holandês em nossa terra, sic, enfocado por Lacet (1937), não obstante que “[...] Em novembro de 1636, junta-se à tropa de Francisco Rebelo. No mesmo ano Rebelo e seus companheiros foram atacados e derrotados na Paraíba pelo major inglês John Godlad, comandante das tropas holandeses. Os brasileiros perderam 25 soldados 17 negros de Henrique Dias”,conforme nos informa Moura (2004, p. 128). Ressaltamos que Francisco Rabelo e ou Francisco Rebelo é o mesmo capitão que assassinou o conselheiro holandês Ippo Eys-Sens, antes da batalha de 17 de novembro de 1636.

O nosso território municipal serviu de passagem e de hospedagem ao Imperador Pedro II e sua comitiva em dezembro de 1859 quando ia inaugurar a Casa da Câmara em Pilar e aqui pernoitou no solar dos Gomes da Silveira no Engenho Gargau, quando regressava de Mamanguape com destino a Capital da Provincia da Paraíba.

No dia 7 de setembro de 1883 foi oficialmente inaugurada a estação de trem sobre trilhos de Santa Rita pela Conde D'Eu Railway Company Limited. O município por ser o maior pólo de cultivo e comercialização de cana de açúcar e seus derivados, portanto, principal produto da economia do Estado da Paraíba durante os séculos XIX e XX, Assim sendo, na década de 50 do século XX, as usinas locais também tinham suas linhas férreas e seus trens próprios em suas propriedades para o transporte da referida cultura e de seus empregados na labuta diária, o que vale dizer que foi neste período que a ferrovia atingiu o auge no âmbito municipal. A estação ferroviária de Santa Rita é usada para transportar operários para a capital da Paraíba diariamente através da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos. O prédio original da estação inaugurada em 1883 foi derrubado e em seu local construído outro de alvenaria e coberta de telha de amianto, não tendo nada a haver com a antiga estação ferroviária, segundo o historiador Ralph (2007) fundamentado em diversas fontes, dentre as quais o Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volume IV, 1958; e o Estudo Descriptivo das Estradas de Ferro do Brazil, Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr., 1886. São escritos com grandezas de detalhes históricos praticamente indiscutíveis, haja a seriedade de tais pesquisas envolvendo o tempo e o espaço em que cada acontecimento inaugura o sonho sonhado de seus idealizadores e executores. É o testemunho imparcial dos acontecimentos da implantação e da falência do transporte ferroviário no Brasil do Império a República.

Aqui também é o berço do nascimento do único Engenho Central edificado em 1888, fábrica sucessora do primitivo Engenho São João, de propriedade de José Teixeira de Vasconcelos – Barão de Maraú, que inclusive foi segundo vice Presidente da Provincia e que exerceu o cargo de Presidente da Paraíba no período de 22 de abril a 01 de novembro de 1867. O já referido engenho central foi transformado em usina, já no período republicano. Também serviu de berço para a construção da primeira fábrica de tecidos na Vila Operária Tibiri, na última década do século XIX.

A obra retrata em prosa e verso o município e cidade de “Santa Rita, Sua História, Sua Gente”, envolvendo a origem, a história, o povo, a sociedade, a base econômica, a antrologia geo-social e cultural, desde a criação da capela dedicada a Santa Rita de Cássia, em 6 de dezembro de 1776, a qual deu origem a fundação do arraial, do povoado, da vila e atual cidade e município de Santa Rita, Estado da Paraíba, emancipado do município da Paraíba, então Capital do estado de igual nome, que em 19 de março de 1890, através do Decreto nº 10, assinado pelo Governador Venâncio Neiva. Por outro lado, o município foi oficialmente instalado no dia 29 de março de 1890, tendo tomado posse o primeiro Conselho de Intendência Municipal, sendo: Antônio Gomes Cordeiro de Mello (Presidente); Major Bento da Costa Villar e Amaro Gomes Ferraz; e para substitutos os cidadãos: João de Mello Azedo e Albuquerque; e os capitães: Antonio Manoel de Arroxellas Galvão e Benicio Pereira de Castro, conforme extrato do expediente do dia 21 de março de 1890 dos “Actos do Governo” do Estado da Paraíba, publicados na Gazeta da Parahyba.

A vocação industrial e empresarial de nosso município é por natureza indiscutível desde os primórdios, pois, foi aqui construída a primeira Fábrica de Cimento Portland na Paraíba e quiçá no Brasil na última década do século XIX, segundo Battagin (2009) ao afirmar: “[...] Assim, chegou a funcionar durante apenas três meses, em 1892, uma pequena instalação produtora na ilha de Tiriri, na Paraíba, cuja construção data de 1890, por iniciativa do engenheiro Louis Felipe Alves da Nóbrega, que estudara na França e chegara ao Brasil com novas ideias, tendo inclusive o projeto da fábrica pronto e publicado em livro de sua autoria. Atribui-se o fracasso do empreendimento não à qualidade do produto, mas à distância dos centros consumidores e à pequena escala de produção, que não conseguia competitividade com os cimentos importados da época [...]”.Isso é fato e contra fato não se tem argumento.

O ramerame da disputa dos senhores de engenhos de Santa Rita pelo poder político municipal, fez o Poder Executivo Estadual suprimir o município logo após sua emancipação primitiva, que voltou a ser subprefeitura do território da Capital da Paraíba, sendo portanto, restabelecido pela Lei Estadual nº 79, de 24 de setembro de 1897 graças a intervenção do Padre Manoel Gervásio Ferreira da Silva, chefe religioso, político e oligárquico, homem afeiçoado as manobras e contra-manobras oligárquicas, da situação e da oposição, tendo ocupado por vários mandatos o cargo de conselheiro (vereador) e de presidente do Conselho Legislativo Municipal (Câmara Municipal), inclusive exerceu o mandato de Segundo Vice Presidente (Vice Governador) do Estado da Paraíba, no período de 22 de outubro de 1990 a 22 de outubro de 1904, do governo do Desembargador José Peregrino de Araújo, conforme Almanark Administrativo e Industrial do Rio de Janeiro (1901).

O Município de Santa Rita foi extinto várias vezes, porém, pela Lei Estadual nº 613, de 3 de dezembro de 1824, foi restabelecida a emancipação municipal, que novamente foi extinta, sendo restaurada finalmente via o Decreto Estadual nº 352, de 28 de dezembro de 1932 até a presente data. Em síntese, em 1959 o município de Santa Rita era formado pela sede e pelos distritos de Livramento, Bayeux (emancipado em 1959) e Lucena (emancipado em 1961). Atualmente o município tem 730.205Km2, segundo a Resolução da Presidência do IBGE nº 5 (R.PR-2/02) de 10 de outubro de 2002. Temos ainda uma densidade demográfica de 165,62 hab/Km2. clima tropical, quente e úmido. O IDH – Índice de desenvolvimento humano é 0,659, em média, segundo o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2000). O PIB per capita é de R$ 7.781,67 (sete mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e sete centavos), segundo nos informa o IBGE(2008). A população estimada em 2015 é 134.940 habitantes. Gentílico: santa-ritense.

Referências

ALMANAK ADMINISTRATIVO, MERCANTIL E INDUSTRIAL DO RIO DE JANEIRO (1891 A 1940) - PR_SOR_00165_313394 – Estados da República, p. 1346, 1347 e 1348. 1901. Edição digitalizada A00058, fls., 1169, 1170 e 1171. In.:

< http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=313394&PagFis=20729 > . Acesso em: 03 abril 2015.

BATTAGIN, Arnaldo Forti. Uma breve história do cimento Portland. 2009. In.: <http://www.abcp.org.br/conteudo/basico-sobre-cimento/historia/uma-breve-historia-do-cimento-portland >. Acesso em: 03 abril 2015.

GIESBRECHT, Ralph Mennucci. Estações Ferroviárias do Brasil. 2007. In.: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/paraiba/starita.htm>. Acesso em: 03 abril 2016.

LACET, J. GLÊS. O milagre (conto histórico). In.: Anuário Informativo do Municipio de Santa Rita. João Pessoa. Tipografia A Imprensa. 1937.

MOURA, Clóvis. Dicionário da Escravidão Negra no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR
Enviado por FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR em 15/05/2016
Reeditado em 26/07/2016
Código do texto: T5636342
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