PRAZO DE VALIDADE PARA POLÍTICOS HONESTOS

Uma pessoa honesta que tenta entrar na política, deveria tatuar em sua testa um prazo de validade. Digo isso porque todo mundo que é honesto, tem boas intenções e realmente deseja fazer algo que possa pelo menos contribuir um pouco para o bem estar geral, pensa ou já pensou um dia que se estivesse no congresso ou à frente de algum cargo político executivo faria alguma coisa de útil.

Por algum tempo, acreditei em que isso seria possível. Contudo, percebi que era apenas mais uma ilusão pensar que a honestidade é incorruptível. Convivência e tempo são ingredientes poderosos que levam a estados da mente e alma que possam ser considerados corrompidos, tais como acomodação, omissão, medo, descrédito, descaso.

É uma questão de tempo para que uma pessoa reconhecidamente honesta que permaneça num ambiente corrompido não venha a sofrer fortes pressões para entrar num dos estados corrompíveis de menor escala, mas auxiliadores dos estados absolutos de corrupção.

Por isso que hoje afirmo não existir político honesto em nosso país, mesmo que alguns jamais tenham roubado, desviado verbas, utilizado Caixas Dois, se locupletados no poder que lhes é outorgado pelo voto e amparado pela constituição, não estejam com seus nomes listados na lava-jato, no mensalão, etc...

O prazo de validade para evitar uma contaminação é muito curto, exige muito da pessoa atenção constante, excelente preparação moral, vivência social e apuro intelectual para que o mais rapidamente possível se consiga promover as bases de transformação e convencimento necessárias para atrair mais do que aliados, mas principalmente, corresponsáveis pela modificação do pensamento e atitude daqueles que ainda possam ser resgatados, bem como, planejadores das estratégias para a criação de um ambiente inadequado àqueles já imersos em níveis maiores e consolidados de corrupção, nos quais a imensa maioria se encontra.

Mas, o tempo é bastante curto e as exigências para quem se candidata a tal tarefa, elevadíssimas. Não se consegue apenas com ideologias ou vontades. É preciso muita astúcia, coragem, disposição a enfrentar perdas cruciais, sacrifícios reais e talvez a própria morte.

Sinceramente, não creio que haja entre nós alguém com tamanha capacidade.

O país curvou-se ao descrédito moral, à ausência da ética mínima aceita, ao poder abjeto, egoísta, de classes, à arrogância de se estar acima do bem e do mal, à ausência de Deus e, principalmente, à subjugação do homem pelo homem.

Luiz Alberto G. Vasconcellos