UMA DISCUSSÃO SOBRE O POEMA ROSA DE HIROSHIMA DE VINÍCIUS DE MORAIS

Façamos uma leitura interpretativa do poema de Vinícius de Morais de forma crítica, séria, ética e sensível e veremos o quanto podemos aproveitar do mesmo em sala de aula com nossos alunos. Aliás, como podemos explorar, no bom sentido, a capacidade intelectual que nossos alunos já possuem e acrescentar, na medida do possível, principalmente por meio da reflexão, algo que eles ainda não conseguiam vislumbrar. Façamos então, a leitura do poema que segue.

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.

Quanta discussão pode ser feita por meio deste poema do Vinícius de Morais! Por exemplo, podem-se elaborar alguns questionamentos, tais como: Quais são os interesses do mundo capitalista em manter a guerra? Quem financia as campanhas dos governantes que querem a guerra? A quem interessa a guerra? Quantas doenças são desencadeadas na humanidade em função da guerra? E os laboratórios farmacêuticos não ganham nada com tudo isso? E os avanços tecnológicos pós-guerra, não são interessantes para ninguém?

São algumas das inúmeras perguntas que podem ser feitas após a leitura e interpretação do poema acima referido.

As discussões ultrapassam qualquer ciência. Podem se discutir os problemas fronteiriços entre os países. Pode ser discutido o problema econômico, ou melhor, o fator econômico. As migrações também podem ser discutidas, pois há sempre nestes momentos de guerra entre países. Quer dizer, há sempre os problemas dos exilados, etc.

A disputa geográfica pelo domínio de um povo pelo outro. A problemática da religião também se encontra inserida numa situação de guerra. A cultura também é utilizada ideologicamente a favor da guerra, pelos interessados nela. Os aspectos psicológicos deste ou daquele povo envolvido na guerra também podem ser alterados e, portanto, merecem discussões em sala de aula. Os aspectos sociológicos, idem. Enfim, existe aí uma gama muito grande de aspectos a serem explorados pelo processo ensino-aprendizagem. Cabe ao professor ter esta capacidade perceptiva e fazer com que o aluno também tenha esta percepção e análise crítica de tal realidade através deste poema.

Acreditamos que tudo isso deve ser trabalhado com nossos alunos independentemente da disciplina e a poesia bem escrita pode ser utilizada para este fim. Quando afirmo bem escrita, quero dizer que tenha sentido que sugestione algo interessante, pois sabemos que existem milhares de frases desconectadas do mundo real e do mundo literário e que seus autores insistem em dizer que são poesias, que não servem para nada, além de massagear o ego que de quem as “fizeram”. Além disto, tudo existe como já venho afirmando, um pacote de porcarias que fazem sucesso na mídia atual, que também não serve para nada, além de alienar seus seguidores e deseducar as crianças, jovens e adultos. Portanto, não procuro trabalhar com poesias deste tipo, a não ser para criticá-las e mostrar o lado ruim das mesmas.

*Aires José Pereira é graduado e especialista em Geografia pela UFMT, mestre em Planejamento Urbano pela FAU-UnB, Dr. em Geografia pela UFU. É escritor com 18 livros publicados. É professor Associado I no curso de Geografia na UFR. É coautor do Hino Oficial de Rondonópolis. É membro efetivo da Academia de Letras de Araguaína e Norte Tocantinense.

Aires José Pereira
Enviado por Aires José Pereira em 30/05/2022
Código do texto: T7527005
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