História de um povo II - Da Lusitânia a Portugal

História é o estudo que se faz do passado para melhor entendermos o presente.

O Mundo, como nós o conhecemos, sofreu várias transformações ao longo de milhares e milhares de anos.

Há muito tempo atrás, outros povos viveram na Terra – os nossos antepassados. Eram diferentes de nós, tanto no seu modo de vida como nos conhecimentos que tinham sobre tudo o que os rodeava.

Hoje, através do trabalho dos arqueólogos, dos historiadores e das fontes históricas (documentos escritos, como leis, diários, canções, inscrições, ou não escritos, como ossadas, fósseis, utensílios, vestuário, pinturas, monumentos, etc), é possível sabermos como viveram os nossos antepassados.

Para nos situarmos no tempo, tornou-se necessário datar e ordenar os vários acontecimentos passados. Para esse feito, nos povos de tradição cristã, o nascimento de Jesus Cristo tornou-se o ponto de referência: antes do seu nascimento, as datas aparecem com a designação a.C. (antes de Cristo); as datas posteriores podem aparecer com ou sem a designação d.C. (depois de Cristo).

A História é todo o trabalho dos historiadores e dos arqueólogos que nos permite reconstruir o passado dos povos. Mas a História não significa passado. Todos nós fazemos a história do nosso povo, do nosso país, do nosso mundo!

Conhecer a História de Portugal:

Portugal é um país com nome e História. Respira com prazer o ar puro das montanhas, a brisa do mar, o cântico do vento, o encanto da fauna e da flora, a exuberância do povo, a alegria da liberdade.

Esta sinopse histórica é um memorando. Foi escrita a pensar em quem quer conhecer a história de um povo valente e ousado. Aqui estão as bases, um resumo para nos situarmos, para sabermos como este País foi grande em território, povo e pensamento. Onde poderemos recordar o passado, viver o presente, e planejar o futuro.

Não é o tamanho de um país que é relevante para o bem estar de seu povo, é a inteligência, a cultura e o saber que fazem a grandeza de um país e de suas gentes.

Os portugueses ganharam o berço com o suor do rosto. Isso tornou-os muito ciosos da sua unidade e independência.

Os primeiros povos que habitaram a Península Ibérica

Portugal, oficialmente República Portuguesa, é um país localizado no sudoeste da Europa. Situa-se numa península, conjuntamente com Espanha, de nome Península Ibérica.

Possui uma área total de 92 090 km², e é a nação mais ocidental do continente europeu. O território português é delimitado a Norte e a Leste por Espanha e a Sul e Oeste pelo Oceano Atlântico, e compreende a parte continental e as regiões autónomas: os arquipélagos dos Açores e da Madeira, situados no oceano Atlântico.

No norte e centro de Portugal situam-se as maiores empresas metalúrgicas e a indústria, situando-se também aí o Governo do Estado, na capital, Lisboa. O sul tem as praias, os veraneantes, os turistas, as mais ricas frutas e legumes, e onde se encontram as grandes planícies. Tudo isto é característico de um país distintivo de um povo com mais de mil anos de História.

O território correspondente ao atual Portugal foi continuamente ocupado desde a Pré-História por povos autóctones. Cerca de 1000 a.C., chegaram à região da Península Ibérica povos Indo-Europeus que vieram a ser conhecidos como Iberos e Celtas. Mesclaram-se e deram origem aos Celtiberos. Chegaram mais tarde os Fenícios, Gregos e Cartagineses. Trouxeram, respetivamente, o alfabeto, o uso da moeda e as técnicas de conservação dos alimentos através do sal.

O povo Lusitano

A mistura de todas estas etnias deu origem ao povo Lusitano.

Para muitos historiadores, os Lusitanos são os verdadeiros antecessores dos portugueses. Daí se chamar luso (de lusitano)aquele que é português.

Estes povos já eram sedentários. Praticavam técnicas agrícolas, dedicavam-se ä pesca e criação de animais. Utilizavam diversos tipos de metal, principalmente o bronze para fabricar armas e escudos de defesa. As suas casas eram feitas em pedra. A esses vestígios ainda presentes em algumas terras de Portugal, dá-se o nome castros.

Ficaram também conhecidos no domínio da ourivesaria, pelo fabrico de jóias.

Vestígios da cultura megalítica, com os dólmens, monumentos de falsas cúpulas, constituem um testemunho de valor inestimável.

A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos, a quem venceu inúmeras batalhas.

Os lusitanos foram considerados, pelos historiadores, hábeis na luta de guerrilhas, como o provaram quando chefiados por Viriato. Utilizavam como armas o punhal e a espada, o dardo ou lança de arremesso, feito de ferro, e a lança de ponta de bronze. Praticavam exercícios de ginástica como o pugilato e corridas, simulacros de combates a pé ou a cavalo. Bailavam em danças de roda, homens e mulheres de mãos dadas, ao som de flautas e cornetas. Usavam barcos feitos de couro, ou de um tronco de árvore.

Condicionantes: geografia e clima

A Península Ibérica era muito procurada pelos povos invasores por várias razões:

o relevo penínsular, limitado pelo Atlântico a oeste e pela barreira natural dos Pirinéus criou um isolamento em relação à restante Europa Ocidental, que em algumas ocasiões contribuiu para originar uma relativa separação entre a evolução da Península Ibérica e da restante Europa. A localização geográfica constituiu porém a ponte que une a Europa ao norte da África, formando uma conexão entre os continentes africano e europeu. Outro condicionador foi a influência dupla do mar, com a ligação tanto ao oceano Atlântico como ao mar Mediterrâneo.

O Império Romano

A Romanização: os Romanos conquistam a península Ibérica

Os Romanos, possuidores de um vasto império, vieram de Itália, cuja capital era Roma. Chegaram à Península Ibérica no século III a.C. Tinham um exército muito bem organizado e armado, acabaram por dominar os povos Peninsulares, mas encontraram forte resistência por parte dos Lusitanos. Inúmeras batalhas foram travadas entre Lusitanos e Romanos. Estes, como não conseguiam as vitórias desejadas, pagaram a três Lusitanos, para assassinarem traiçoeiramente Viriato. A luta continuou e ficou como chefe dos Lusitanos Sertório, um antigo general romano, que continuou a luta contra Roma. Também foi morto traiçoeiramente, pois os romanos não conseguiam vencê-lo. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio da Lusitânia.

Em 60 a.C. Júlio César dá o golpe de misericórdia aos lusitanos. No entanto ainda algumas guerrilhas continuaram pois em 19 a.C. desenvolveram-se ações de submissão nas Astúrias, Leão e Norte de Portugal, onde Augustus teve de levar a guerra, ficando célebre a última resistência oferecida às tropas romanas pelo castro do monte Medúlio, sobranceiro ao rio Minho, cujos defensores, prestes a serem dominados, acabaram por suicidar-se, preferindo a morte à escravidão.

Citando Caius Julius Caesar (100-44 AC) "Há nos confins da Ibéria um povo (Lusitano) que por nós não se deixa governar."

Apesar dos esforços dos Lusitanos, após duzentos anos de lutas os Romanos conquistaram o seu território. A sua presença na Península Ibérica durou cerca de oito séculos, durante os quais se deu um processo a que se chamou Romanização. Trata-se da adoção, por parte dos habitantes da Península, da cultura romana: os costumes e leis, a moeda, as técnicas de construção, a numeração romana, a arte. Mas a principal herança foi a língua: o latim era o idioma falado pelos latinos, povos que habitavam a região central da Itália chamada de Lacio (Latium), onde atualmente se encontra a cidade de Roma. O latim viria a dar origem ao português que hoje falamos.

A permanência dos romanos foi muito importante e a Península sofreu um grande desenvolvimento devido às inovações que trouxeram.

Hoje em dia, em Portugal, podem ser encontrados muitos vestígios da sua presença: pontes, aquedutos, templos, estradas, a numeração romana, e várias técnicas e utensílios agrícolas.

Quando os Romanos dominavam a Península, nasceu Jesus Cristo (há 2010 anos), na cidade de Belém na Palestina.

Após vários anos de domínio, os romanos foram atacados por outros povos, que no século V a.C. também invadiram a Península Ibérica: os povos Bárbaros, entre eles Vândalos, Suevos e Visigodos.

Em 711 d.C., outros povos chegaram à Península. Eram os Muçulmanos (que incluiam sírios, egípcios, persas e berberes), que vindos do Norte de África atravessaram o Estreito de Gibraltar e entraram na Península Ibérica, comandados por um chefe de Tânger, de nome Tarique.

Os Muçulmanos invadiram e conquistaram quase toda a Península Ibérica, menos a parte norte – Montanha das Astúrias – onde vivia o valente guerreiro Pelágio entre cristãos que não queriam deixar de o ser.

Os últimos invasores - O Império Muçulmano

Eram usados vários nomes para designar os povos norte africanos invasores da Península Ibérica: Muçulmanos, Árabes, Mouros, Serracenos, Infiéis e Inimigo.

O seu objetivo era expandir a sua fé: o Islamismo, e conquistarem novas terras e riquezas.

Os Muçulmanos estiveram cerca de 800 nos na Península Ibérica e por isso influenciaram muito a população local. Muitos dos habitantes locais chegaram mesmo a converter-se à religião islâmica, a falar o idioma (língua) árabe e a aceitar totalmente os seus costumes.

A influência muçulmana foi muito forte nas terras a sul do rio Tejo, por essa região ter sido reconquistada mais tarde. Aí se formaram grandes cidades como Córdova e Granada, em Espanha e Lisboa e Silves, em Portugal. No território português, toda a região do Algarve e Baixo Alentejo ainda hoje revela fortes marcas da influência muçulmana, como mesquitas e palácios.

Os Muçulmanos deixaram uma grande e valiosa herança aos povos da região: desenvolveram algumas indústrias artesanais, como armas e outros objetos de metal, carros e arreios, e tapetes (os célebres tapetes de Arraiolos).

Introduziram novas plantas: laranjeira, limoeiro, amendoeira, figueira, alfarrobeira, meloeiro e provavelmente arroz. Também desenvolveram o cultivo da oliveira.

Tornaram-se famosos os grandes pomares de laranjeiras e amendoeiras que plantaram no Algarve, os saborosos figos e uvas de Évora e as enormes maçãs de Sintra.

Sendo um povo vindo do deserto, onde havia falta de água, os Muçulmanos dominavam as técnicas de captar, elevar e distribuir a água e os povos da Península Ibérica aprenderam com eles essas técnicas. Assim, passaram a dispor mais facilmente de água para o consumo doméstico, para mover moinhos, regar terrenos de cultivo e jardins.

Trouxeram novas técnicas agrícolas: a azenha, a nora, o chafariz, moinho de vento, lagares de azeite.

O nome de muitas terras portuguesas é também de origem árabe, como por exemplo: Algarve, Alentejo, Évora, Loulé, Silves, Tavira.

Introduziram novos vocábulos. São cerca de 600 as palavras de origem árabe. Algumas delas são fáceis de identificar porque começam por al. Todas as palavras cuja primeira sílaba seja al são de origem árabe (mas aquelas em que al não forme uma sílaba, podem ter uma raiz distinta, casos de Alexandre e Alentejo): açougue, açucena, açude, açoite, açafrão, arroz, azar, azulejo, Alá, algodão, algarismo, califa, damasco, elixir, esmeralda, Maomé, matraca, mesquita, oxalá, papagaio, prisão, sultão, xadrez, xarope, xeque, zênite, etc.

Era um povo detentor de grandes conhecimentos científicos. Levaram aos povos invadidos seus conhecimentos de medicina, matemática (os algarismos), navegação (bússola e astrolábio), astronomia, geografia, arquitetura, escultura, literatura e música. Introduziram o papel e a pólvora. A numeração que hoje usamos, que substituiu a numeração romana, é também herança dos Muçulmanos. Todos estes conhecimentos, muito evoluídos para a época, tornaram-se muito úteis quando os portugueses no século XV, partiram para a descoberta de novas terras. Até a caravela usada nas viagens das descobertas marítimas portuguesas, teve influências Muçulmanas.

Cristãos e Muçulmanos travaram inúmeras batalhas pela questão da posses das terras. Mas não estavam sempre em guerra. Houve períodos de paz em que árabes e cristãos conviveram e se respeitaram. Contribuiu para essa convivência a tolerância religiosa e o respeito pelos costumes e tradições praticados tanto pelos Cristãos como pelos Muçulmanos.

Durante o período da ocupação, os Muçulmanos tornaram-se senhores de um vasto território com cerca de 600 000 km2. Apoderaram-se do território que hoje é Portugal. Em 715 a ocupação estava praticamente concluída. Nunca conseguiram, no entanto, dominar o grupo de cristãos das Astúrias, de onde viria a partir a Reconquista.

Os séculos que mediaram até à sua completa (que se deu apenas em 1492) foram dominados por uma longa luta armada.

A reconquista ou reconquista cristã

É a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que visava à recuperação das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica.

A guerra tinha um objetivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: “cum cornu et albende de rege”, isto é, com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada.

Salienta-se o enorme contributo e apoio de várias Ordens Militares, das quais se destaca a Ordem dos Templários, uma Ordem militar e religiosa instituída com o propósito da cristianização.

Foi um longo processo, com avanços e recuos, que durou cerca de oito séculos, durante os quais se formaram os reinos de Leão e Castela, Navarra, Aragão e Portugal.

O Condado Portucalense – a formação de Portugal

O Condado Portucalense foi formado durante a reconquista cristã.

Em 1086, a par com as lutas da reconquista, D. Afonso VI, rei de Leão e Castela, foi auxiliado por cruzados franceses entre os quais um nobre francês, o conde D. Henrique de Borgonha.

D. Afonso VI recompensou-o pela sua valentia, doando-lhe e uma terra para governar - o Condado Portucalense e a sua filha D. Teresa em casamento. Assim, Henrique de Borgonha torna-se Conde de Portugal.

A terra concedida a D. Henrique correspondia sensivelmente ao Norte de Portugal, até Coimbra, onde então se situava a fronteira entre o Norte cristão e o Sul muçulmano.

D. Henrique de Borgonha desejou tornar o Condado Portucalense independente, mas morreu sem o conseguir, em 1114.

Reis da primeira dinastia - dinastia Afonsina ou de Borgonha

D. Afonso Henriques ou D. Afonso I de Portugal - Cognominado O Conquistador, porque conquistou muitas terras. Reinado: 1143 – 1185.

D. Sancho I - Cognominado O Povoador, por ter desenvolvido o povoamento do território. Reinado: 1185 – 1211.

D. Afonso II – Cognominado O Gordo, ou O Gafo, em virtude da doença que havia sofrido), Reinado: 1211 – 1223.

D. Sancho II – O Capelo, ou O Pio, por ter usado em criança o hábito de S. Francisco. Reinado: 1223 – 1248.

D. Afonso III – O Bolonhês, por ter casado com D. Matilde, condessa de Bolonha. Foi no seu reinado, em 1253, que se concluiu a conquista do Algarve (Silves)Reinado: 1248 - 1279.

D. Dinis – O Lavrador, O Trovador ou O Poeta, pelos benefícios feitos a favor . da agricultura e também da cultura. Reinado: 1279 – 1325.

D. Afonso IV – O Bravo, pela bravura que mostrou em várias batalhas, principalmente na batalha do Salado. Reinado: 1325 – 1357.

D. Pedro – O Justiceiro, O Cru ou O Vingativo, pela justiça igual que fez a todos. Reinado: 1357 – 1367.

D. Fernando – O Formoso ou O Belo, pela sua beleza física. Reinado: 1367 – 1383.

Portugal, um reino independente – o primeiro rei português - a Dinastia Afonsina ou Dinastia de Borgonha.

D. Afonso Henriques, cognominado O Conquistador, porque conquistou muitas terras. Reinado: 1143 – 1185.

Com D. Afonso Henriques, o fundador do reino de Portugal, e primeiro rei, inicia-se a primeira dinastia ou família de soberanos portugueses, chamada de Dinastia de Borgonha ou Dinastia Afonsina (pelo elevado número - quatro - de soberanos com o nome de Afonso) e foi a primeira dinastia do Reino de Portugal.

O filho do conde D. Henrique, D. Afonso Henriques , nasceu. em Guimarães, em 1111 (onde tem um monumento) e até aos 12 anos esteve entregue aos cuidados de seu aio, Egas Moniz, homem honrado e fiel, que tantas provas lhe deu de dedicação e amor. Aos 14 anos foi armado cavaleiro.

D. Afonso Henriques casou com D.Mafalda de Sabóia. O cognome histórico do primeiro rei de Portugal, “o Conquistador”, teve origens nas muitas conquistas por ele alcançadas. Quando assumiu o poder, o monarca tinha dois objetivos :

- Alargar o território, lutando contra os Mouros.

- conseguir a independência do Condado, travando para isso várias guerras contra o primo, Afonso VII, rei de Leão e Castela, a quem devia vassalagem. (As batalhas de Cerneja em 1137, e de Arcos de Valdevez em 1140, que D. Afonso Henriques venceu, são exemplos dessas lutas.

- ser rei de Portugal, o que conseguiu no ano de1143, quando foi assinado o Tratado de Zamora. Neste documento D. Afonso VII reconhecia a independência do Condado Portucalense, que passou a chamar-se Portugal, e D. Afonso Henriques intitulou-se rei de Portugal.

Sua mãe, D.Teresa governou Portucale durante a sua menoridade de acordo com os interesses da nobreza, gerando o descontentamento de mercadores e artesãos do litoral (a burguesia) e deixou-se cativar pelo prestígio dum fidalgo galego, D. Fernão Peres. Quando o jovem príncipe Afonso Henriques, atingiu os 14 anos de idade, entrou em conflito com sua mãe, pois seu objetivo era dar continuidade o processo de autonomia iniciado por seu pai. Em 1128 deu-se a célebre Batalha de S. Mamede. Nesse conflito, D. Teresa e seus partidários foram derrotados. Vitorioso, D. Afonso Henriques assumiu o governo do Condado.

Em 1139, enfrentou e venceu os exércitos combinados de cinco reis mouros, na famosa Batalha de Ourique), declarando a independência da região, que passou a chamar- se reino de Portugal (1143).

Segundo uma lenda, durante a célebre batalha de Ourique, o monarca teve uma visão: Jesus Cristo apareceu-lhe incitando-o à batalha. Saindo vencedor, D. Afonso Henriques intitula-se Rei de Portugal e mandou pintar sobre a cruz, do seu estandarte, cinco pequenos escudos azuis (quinas), simbolizando os cinco reis mouros vencidos, adornados cada um por cinco pontos brancos, representando as cinco chagas de Jesus Cristo (as cinco chagas são as cinco feridas que recebeu na cruz: nas mãos, nos pés e no tórax).

O monarca foi travando importantes batalhas contra os muçulmanos, a fim de alargar os seus territórios para Sul. Fez numerosas conquistas, com avanços e recuos. A difícil missão de alargar o território português não terminou com o fim do seu reinado. Os reis que lhe sucederam deram continuidade à sua expansão, conquistando definitivamente o Alentejo e o Algarve (século XIII).

O estabelecimento definitivo das fronteiras de Portugal:

Portugal, como é hoje, existe, há cerca de 700 anos. Atualmente, é o estado europeu com as fronteiras mais antigas e estáveis.

Em 1143, ocorreu a Conferência de Zamora, onde Afonso VII reconheceu a D. Afonso Henriques o título de rex (rei) , que já usava desde 1139 (Batalha de Ourique), mas com a condição de continuar a prestar-lhe vassalagem.

Decidido a pôr cobro a tal sujeição, D. Afonso Henriques procurou o reconhecimento do seu título e do seu reino perante o Papa.

Nesta época, o Papa, chefe supremo da Igreja Católica tinha muitos poderes. Todos os reis e imperadores cristãos lhe deviam obediência e fidelidade.

Quando se formava um reino cristão era necessário que o Papa reconhecesse a sua independência e confirmasse o título de rei ao seu primeiro monarca. Só assim a independência do novo reino seria respeitada pelos outros reis cristãos.

Em 1179, o Papa Alexandre III reconheceu, através de um documento escrito - A Bula Manifestis Probatum - , D. Afonso Henriques como rei e Portugal como reino independente.

– Bula Manifestis Probatum-

“Alexandre, Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in perpetuum.

Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação. Deve a Sé Apostólica amar com sincero afecto e procurar atender eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a tua pessoa, tomamo-la sob a protecção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos Sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério”.

D. Afonso Henriques morreu em 1185, tendo governado 12 anos como Príncipe e 45 como rei.

Os seus restos mortais encontram-se num monumental mausoléu manuelino, no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, por ele mandado construir, ao lado de sua mulher e de seus filhos D. Sancho l e D. Afonso ll.

A História de Portugal n' Os Lusíadas

A História de Portugal é narrada em Os Lusíadas, obra poética de um dos maiores escritores portugueses de sempre, Luís Vaz de Camões, considerada a epopeia portuguesa por excelência. O herói desta epopeia é o povo lusitano, ou seja, os portugueses.

O poema estrutura-se através de uma narrativa principal, a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama e sua armada.

A esse fio narrativo condutor é incorporada inicialmente a narração feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde, em que conta a história de Portugal até a sua própria viagem. Na voz de Vasco da Gama, ouvem-se os feitos dos heróis portugueses que tanto glorificam o povo português.

30 - Lutas de Afonso Henriques com a mãe, D. Teresa

"Mas o Príncipe Afonso, que desta arte

Se chamava, do avô tomando o nome,

Vendo-se em suas terras não ter parte,

Que a mãe, com seu marido, as manda e come,

Fervendo-lhe no peito o duro Marte,

Imagina consigo como as tome.

Revolvidas as causas no conceito,

Ao propósito firme segue o efeito.

31 - Batalha de São Mamede

"De Guimarães o campo se tingia

Co'm sangue próprio da intestina guerra,

Onde a mãe, que tão pouco o parecia,

A seu filho negava o amor e a terra.

Com ele posta em campo já se via;

E não vê a soberba o muito que erra

Contra Deus, contra o maternal amor;

Mas nela o sensual era maior.

42 - Batalha de Ourique

Mas já o príncipe Afonso aparelhava

o Lusitano exército ditoso,

contra o Mouro que as terras habitava

de além do claro Tejo deleitoso;

já no campo de Ourique se assentava

o arraial soberbo e belicoso,

defronte do inimigo Sarraceno (...)

46 - Afonso Henriques é Clamado Rei de Portugal

"Com tal milagre os ânimos da gente

Portuguesa inflamados, levantavam

Por seu Rei natural este excelente

Príncipe, que do peito tanto amavam;

E diante do exército potente

Dos inimigos, gritando o céu tocavam,

Dizendo em alta voz: — "Real, real,

Por Afonso alto Rei de Portugal."

53 - Já fica vencedor o Lusitano,

recolhendo os troféus e presa rica;

desbaratado e roto o Mauro Hispano,

três dias o grão Rei no campo fica.

Aqui pinta no branco escudo ufano,

que agora esta vitória certifica,

cinco escudos azuis esclarecidos,

em sinal destes cinco Reis vencidos.

(Os Lusíadas - Canto lll – 30; 31; 42; 46; 53)

(continua...)

Ana Flor do Lácio (05/10/2010)

Ana Flor do Lácio
Enviado por Ana Flor do Lácio em 06/10/2010
Reeditado em 03/11/2010
Código do texto: T2541570
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