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ALINHAVOS DA VIDA*
(Análise de obra)
 
Maria Teresa Freire
 
 
     Espanha, início do século vinte. A primeira guerra mundial solapa a vida do país. A guerra civil lhe prejudica mais ainda. E o estado deplorável é agravado pela segunda grande guerra. País e população, sem recuperação, são envolvidos no turbilhão injusto e violento que caracterizou este episódio de luta. Neste ambiente, cresce uma garota em meio às costuras de um atelier renomado, aprendendo o ofício de costureira junto à sua mãe que criava vestidos elegantes e apreciados. Madri, com sua sofisticação natural, exige das senhoras vestimentas apropriadas para as ocasiões sociais. Finas, chiques, diferenciadas.
       A encantadora espanholinha tem seu noivo e os planos do casamento encaminhados. Mas, parece faltar-lhe algo. Talvez um entusiasmo diferente da vida rotineira que prevê à sua frente. Conhece, então, um homem sedutor que, além de bonito é experiente no trato com as mulheres. Encanta a aprendiz de costureira. Tira-a da casa de sua mãe e vão viver juntos contra as regras sociais da época, a oposição da mãe e o desespero do noivo que a amava apaixonadamente. A vida leva-a por caminhos inesperados. E as consequências nem sempre são controláveis e muito menos confiáveis.
    Entretanto, a aventura amorosa não dura muito tempo. Acaba-se quando o maravilhoso amante rouba-lhe as jóias e o dinheiro recebido do pai, deixando-a grávida em Tânger, no Marrocos, África. Fraca por causa da gravidez e aniquilada com o abandono e traição do homem amado, a espanhola cai em uma depressão física e mental profunda. Tenta voltar à Madri, mas a declaração de estado de guerra a impede. Cega pela dor e fraqueza pega um ônibus que a leva para Tetuán. Ao chegar ao destino, não tem forças para continuar e desmaia em consequência do estado deplorável em que se encontra.
       É acudida pelo Delegado da Polícia local que a interna no hospital onde permanece muitos dias. Ao se recuperar ele a leva para uma pensão. Não pode sair dali, pois está sendo responsabilizada pelas falcatruas do esplendoroso amante.
     Todavia, em Tetuán se recupera, refaz sua vida, abre um atelier de costura e angaria excelente clientela. Consegue por meio de amigos, dentre eles um em especial, e conhecidos trazer sua mãe de Madri, onde estava vivendo em plena miséria, exaurida pela guerra. A Espanha de Franco é simpatizante dos nazistas e o ambiente é atemorizante. Entretanto, Sira, a costureira, faz alguns bons amigos. Especialmente uma inglesa, cujo grande amor era um oficial espanhol de alta patente. Este amor sobreviveu aos inúmeros obstáculos sociais, políticos e de guerra. Apartou-se por causa da morte dele. Mas a inglesa nunca deixou de amá-lo até sua própria morte.
     A espanhola, uma vez uma pequena assistente de costureira, chegou a ser uma estilista famosa. O contato com os ingleses, levaram-na a tornar-se uma espiã de exímia competência. Nesse ambiente conhece um homem que vem a ser o amor da sua vida. Também trabalha no Serviço de Inteligência Britânica. Chamado para missão longe de Tetuán, ficam sem se ver por muitos anos. Entretanto, encontrando-se em outra missão em Lisboa, a eles é dado a oportunidade de, finalmente, ficarem juntos.
     O final, o leitor escolhe. Escolho o feliz, aquele em que a costureira se transforma em uma mulher formosa, altiva, elegante e termina seus dias ao lado de um homem garboso e inteligente.
Escolho, sim, o final feliz, pois Sira, a espanhola, foi a personificação da resiliência. Recuperou-se de várias derrocadas e seguiu em frente, aprendendo a confiar em si mesma. O sucesso de suas sofisticadas criações ofereceu-lhe a auto-estima necessária para conhecer seu valor e potencialidade. Aprendeu, adaptou-se e, depois de fortalecida fisicamente, dispôs-se para as mudanças que vieram em sua vida. Ela foi resiliente, aprendendo novas formas de lidar com as situações. 
 
*Considerações sobre a obra de María Dueñas, O tempo entre costuras. Tradução Sandra Martha Dolinsky. Editora Planeta do Brasil, 2010.
 
Tereza Freire
Enviado por Tereza Freire em 26/04/2017
Reeditado em 28/04/2017
Código do texto: T5982075
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Tereza Freire
Curitiba - Paraná - Brasil
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Tereza  Freire