Os últimos dias trazem a última valsa.

Ao meu sentimento de desilusão e ao seu sentimento de descaso.

Existência filosofavel cansa,

Sem raça, vive a cidadã silvestre;

Com erotismo que o animal se veste

Enquanto em minha frente rosna, dança

E quer sentir verticalmente a lança.

O regozijo na manhã da peste

É o vosso gozar, até que reste

A amenidade sem lar e esperança.

Ser eu é habitar num tobogã.

Antístenes, sou a bubônica sã,

Desço entre o norte focinho e o sul rabo

Na simples vida dum ser monossílabo;

Sou o parasita do cão sem um clã

Que late e que não posso mais ser fã.

Rio de Janeiro, 2021