Fome

Eu não mato a minha sede com poemas

Nem seco as minhas lágrimas com sorriso.

São toalhas, são navalhas o que preciso

Para estancar ou derramar os meus dilemas.

De que tinta são pintados meus problemas

Indispensáveis tanto quanto um dente siso,

São com pães, água e vinho que eu realizo

Os desejos das minhas necessidades extremas.

Sabe- se lá quantos talheres foram limpos

Em quantas inúmeras mesas reservadas

Seguindo etiquetas de guardanapos dobrados…

E nas ruas vejo míseros garimpos,

Negociatas em latinhas amassadas

Afim de matar a fome dos poetas desgraçados

Paulo Roberto Benedito
Enviado por Paulo Roberto Benedito em 25/11/2021
Reeditado em 25/11/2021
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