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Dialética da Malandragem e Esquema/quadro de Memórias de um sargento de milícias

início do Romantismo com a publicação de:

Suspiros Poéticos, de Gonçalves de Magalhães

Contexto histórico geral:

A Imprensa no Brasil,
A crise do 2º Reinado,
A abolição da escravidão.

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ESQUEMA DO ROMANTISMO EM:

http://pt.scribd.com/doc/98227840/Esquemas-Escolas-Literarias-Brasileiras#scribd

CARACTERÍSTICAS DO ROMANTISMO:

•Individualismo e subjetivismo
•Sentimentalismo (paixão, tristeza, angústia, etc.)
•Culto à natureza
•Valorização do passado
•Sonho, fantasia, imaginação, idealização
•Escapismo
•Liberdade artística

ASCENSÃO DA BURGUESIA
 
REVOLUÇÃO FRANCESA
 
IMPLEMENTAÇÃO DEFINITIVA DO CAPITALISMO
•livre concorrência
 
•vitória do capital industrial
 
•liberalismo jurídico,filosófico, social
 
•democratização da vida política
 
•criação de escolas
 
•alfabetização geral
 
•desenvolvimento da imprensa NOVO PÚBLICOLEITOR
 
ROMANTISMO (Arte da burguesia em ascensão)
 
desobediência às regras clássicas, mistura de gêneros, surgimento do drama, afirmação do romance

Histórico: medievalismo,

 Individual: infância
 
FONTE: http://pt.scribd.com/doc/98227840/Esquemas-Escolas-Literarias-Brasileiras#scribd
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A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. p. 9-10)

FONTE: https://www.google.com.br/search?sourceid=chrome-psyapi2&rlz=1C1GIGM_enBR623BR623&ion=1&espv=2&ie=UTF-8&q=quadro%20sinotico%20de%20memorias%20de%20um%20sargento%20de%20mil%C3%ADcias&oq=quadro%20sinotico%20de%20memorias%20de%20um%20sargento%20de%20mil%C3%ADcias&aqs=chrome..69i57.23576j0j8
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PARA ENTENDER AS “MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS”

clique em:

http://www.cpv.com.br/cpv_vestibulandos/livros/litobr3202.pdf


Depois de ler o romance, poderíamos classificar as personagens das Memórias de um Sargento de Milícias de duas maneiras:

I. Personagens ligadas ao plano da ordem: Dona Maria, o Compadre barbeiro e a Comadre parteira — só para citar os mais
relevantes — são personagens que respeitam a ordem vigente, isto é, possuem alguma ocupação e, de maneira geral, respeitam
a lei. A personagem mais expressiva desse plano é o Major Vidigal, que persegue os vadios, os bêbados, os briguentos e os
festeiros, ou seja, faz valer a ordem;

II. Personagens ligadas ao plano da desordem: a cigana, o Chico Juca, todos os que fazem parte do ritual da Fortuna, o Teotônio,
piadista perseguido por Major Vidigal, que acaba se safando com a ajuda de Leonardo, e outros que de alguma forma estão à
margem da ordem.

Classificadas de acordo com esse critério, seria possível dispô-las em um diagrama:
Plano da ordem Major Vidigal, Dona Maria, Barbeiro, Parteira, Luisinha, as duas viúvas, Padre da Sé e outros
Plano da desordem a cigana, o Chico Juca, todos os que fazem parte do ritual da Fortuna, o Teotônio e outros.

No entanto, a leitura cuidadosa do romance nos leva a entender que a divisão acima parece ser imperfeita.

Basta investigar cuidadosamente as descrições das personagens e suas ações ao longo do romance: o Barbeiro, ainda que seja ligado ao plano da ordem por ter um ofício e por ter acolhido o pequeno herói abandonado pelos pais, conquistou pequeno cabedal tomando posse de
uma fortuna que não era sua, ainda jovem; o Padre da Sé, embora fosse um representante da Igreja, tinha um caso amoroso com a
cigana; o Major Vidigal, mesmo perseguindo todos os vadios do plano da desordem, concedeu facilmente a liberdade a Leonardo
em troca dos afetos de Maria Regalada.

Enfim, qualquer uma das personagens do plano da ordem, ainda que brevemente, transita rapidamente pelo plano da desordem.

Podemos, pois, imaginar uma nova configuração para o diagrama acima:
 Plano da ordem Major Vidigal, Dona Maria, Barbeiro, Parteira, Luisinha, as duas viúvas, Padre da Sé e outros
 Familiares de Leonardo, Leonardo Pataca, Maria da Hortaliça e Leonardo filho.

 elos entre a ordem e a desordem

 Plano da desordem a cigana, o Chico Juca, todos os que fazem parte do ritual da Fortuna, o Teotônio e outros.


 MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

Agora podemos representar mais fielmente o que ocorre no romance: de fato, as personagens do plano da ordem transitam para o
plano da desordem e vice-versa.

Leonardo Pataca — meirinho, representante da justiça, que, no entanto, acaba preso por prática de
Fortuna —, sua companheira — uma adúltera, que abandona o pequeno Leonardo — e o herói da história podem ser considerados
os elos entre os dois planos.

O protagonista também não foge à regra: ora no plano da ordem — quando trabalha na ucharia-real ou quando se torna granadeiro de Vidigal —, ora no plano da desordem — quando perde os dois empregos por irresponsabilidade e diversão —, Leonardo representa a verdadeira dinâmica das Memórias: uma representação curiosa do Brasil do início do século XIX, do “tempo do rei”.

Segundo o crítico literário Antonio Candido:

“Diversamente de quase todos os romances brasileiros do século XIX, mesmo os que formam a pequena minoria dos romances
cômicos, as ‘Memórias de um sargento de milícias’ criam um universo que parece liberto do erro e do pecado. Um universo sem
culpabilidade e mesmo sem repressão, a não ser a repressão que pesa o tempo todo por meio do Vidigal e cujo desfecho já vimos.
O sentimento do homem aparece nele como uma espécie de curiosidade superficial, que põe em movimento o interesse dos
personagens uns pelos outros e do autor pelos personagens, formando a trama de relações vividas e descritas. A esta curiosidade
corresponde uma visão muito tolerante, quase amena. As pessoas fazem coisas que poderiam ser qualificadas como reprováveis,
mas também fazem outras dignas de louvor, que as compensam. E como todos têm defeitos, ninguém merece censura.”

ANÁLISE DE UM FRAGMENTO
Analisemos, pois, um fragmento do texto em que os conceitos acima observados possam se tornar mais claros. Alguns trechos do
capítulo VII do primeiro tomo do livro, “A Comadre”...

http://www.cpv.com.br/cpv_vestibulandos/livros/litobr3202.pdf
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vídeo aula em:

FUVEST/UNICAMP - Memórias de um Sargento de Milícias
https://www.youtube.com/watch?v=JHVuTLgtUsY

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CONTEXTO DA OBRA NO ROMANTISMO: 3ª geração romântica: 1860/70 social e a república. Destaca-se: - Manuel Antônio de Almeida, com a Obra: Memórias de um sargento de milícias.
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Favor ler o texto de Antonio Candido

Dialética da Malandragem caracterização das Memórias de um sargento de milícias)"

in: Revista do Instituto de estudos brasileiros, nº 8, São Paulo, USP, 1970, pp. 67-89.

1. Romance picaresco?

2. Romance malandro

3. Romance documentário?

4. Romance representativo

5. O mundo sem culpa

(1) José Veríssimo, "Um velho romance brasileiro", Estudos brasileiros, 2ª série, Rio de Janeiro, Laemmert, 1894, pp. 107
124; Mário de Andrade, "Introdução", Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias. Bibliotecas de
literatura brasileira, I, São Paulo, Martins, 1941, pp. 5-19; Darcy Damasceno, "A afetividade lingüística nas Memórias de um
sargento de milícias", Revista brasileira de filologia, vol. 2, tomo II, Dezembro 1956, pp. 155-177, especialmente pp. 155-
177, especialmente pp. 156-158 (a citação é da p. 156).
(2) Josué Montello, "Um precursor: Manuel Antônio de Almeida", A literatura no Brasil, Direção de Afrânio Coutinho, vol.
II, Rio de Janeiro, Editorial Sul Americana S.A., 1955, pp. 37-45
(3) Frank Wadleigh Chandler, La novela picaresca en España, Trad. do inglês por P.A. Martín Robles, Madrid, La España
Moderna, s.d. (Trata-se de apenas uma parte da obra original de Chandler, The Literature of Roguery, 3 vols., New York,
Houghton Miffin, 1907). Ver também Angel Valbuena y Prat, "Estudio preliminar", La novela picaresca española, 4ª ed.,
Madrid, Aguilar, 1942, pp. 11-79. Trata-se de uma edição dos principais romances picarescos espanhóis utilizada neste ensaio.
(4) "É desse modo que Manuel Antônio de Almeida caracteriza o personagem Leonardo, que resulta num herói sem nenhum
caráter, ou melhor, que apresenta os traços fundamentais do estereótipo do brasileiro. Manuel Antônio de Almeida é o
primeiro a fixar em literatura o caráter nacional brasileiro, tal como terá longa vida em nossas letras (...) Creio que se pode
saudar em Leonardo o ancestral de Macunaíma." Walnice Nogueira Galvão, "No tempo do rei", in Saco de gatos. Ensaios
críticos, São Paulo, Duas Cidades, 1976, p. 32. Este belo ensaio, um dos mais penetrantes sobre o nosso autor, saiu
inicialmente com o título "Manuel Antônio de Almeida" no "Suplemento Literário" de O Estado de S. Paulo, 17.3.1962.
(5) Marques Rebelo, Vida e obra de Manuel Antônio de Almeida, 2ª ed., São Paulo, Martins, 1963, pp. 38-39 e 42.
(6) Alan Carey Taylor, "Balzac, Manoel Antonio de Almeida et les débuts Du réalisme au Brésil", resumo de comunicação, Le
réel dans la littérature et Le langage, Actes du Xe. Congrès de la Fédération des Langues et Littératures Modernes, publiés par
Paul Vernois, Paris, Klincksieck, 1967, pp. 202-203.
(7) Herman Lima, História da caricatura no Brasil, 4 vols., Rio de Janeiro, José Olympio, 1963, vol. I, pp. 70-85.
(8) Astrojildo Pereira, "Romancistas da cidade: Macedo, Manuel Antônio e Lima Barreto", O romance brasileiro (De 1752 a
1930), Coordenação etc. de Aurélio Buarque de Holanda, Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1952, pp. 36-73. Ver p. 40.
(9) Marques Rebelo, ob.cit., pp. 40-41.
(10) T.von Leithold e L. von Rango. O Rio de Janeiro visto por dois prussianos em 1819. Trad. e anotações de Joaquim de
Sousa Leão Filho, São Paulo, Editora Nacional, 1966, p. 166.
(11) C. Schlichthorst, O Rio de Janeiro como é. 1824-1826 (Huma vez e nunca mais) etc. Trad. de Emy Dodt e Gustavo
Barroso, Rio de Janeiro, Getúlio Costa, s.d., pp. 77-803.
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Memórias de um Sargento de Milícias - O filme

https://www.youtube.com/watch?v=sg_9rgAc7Xs
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"Memórias de um Sargento de Milícias" - Resumo da obra de Manuel Antônio de Almeida

Uma característica que difere a obra de Manuel A. de Almeida dos outros autores românticos de seu tempo é que ele nos apresenta a classe mais baixa, com tipos não letrados transitando entre a ordem e a desordem. Mesmo as personagens mais honestas tiveram seus deslizes. Por fim, uma questão em que se deve ficar atento na hora das provas é em que aspectos "Memórias de um Sargento de Milícias" antecede o Realismo, finaliza a profa. Augusta.


http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/memorias-sargento-milicias-resumo-obra-manuel-antonio-almeida-700296.shtml


"Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, foi lançado originalmente sob a forma de folhetim, em "A Pacotilha" - o suplemento literário do jornal "Correio Mercantil", do Rio de Janeiro, entre 27 de junho de 1852 e 31 de julho de 1853. Só nos dois anos seguintes se transformaria num livro, publicado em dois volumes.

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Um dos motivos do livro:

Leonardo é forçado pelos policias a se alistar no Exército. Mas ele não resiste e tece suas travessuras até mesmo dentro da polícia. Ao aprontar com Vidigal, é aprisionado de novo. Por insistência da parteira, de D. Maria e da antiga amante, Maria Regalada, o Major acaba perdoando o malandro e lhe garante o posto de Sargento do Exército.

Nos estudos sobre a obra, houve uma linha de interpretação que, seguindo as indicações de Mário de Andrade, e tendo como base o enredo episódico do livro, classificou o romance como uma manifestação tardia do “romance picaresco”, gênero popular espanhol medieval dos séculos XVII e XVIII.

O gênero picaresco – do qual o mais ilustre representante é o romance Lazareto de Tormes – caracteriza-se por narrar, em primeira pessoa, os infortúnios de um pícaro, um garoto inocente e puro que se torna amargo à medida que entra em contato com a dureza das condições de sobrevivência. Por isso procura sempre agradar a seus superiores. O pícaro tem geralmente um destino negativo, acaba por aceitar a mediocridade e acomodar-se na lamentação desiludida, na miséria ou num casamento que não lhe dá prazer algum.

http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/memorias-sargento-milicias-analise-obra-manuel-antonio-almeida-700300.shtml

FONTE: http://www.infoescola.com/livros/resumo-memorias-de-um-sargento-de-milicias/
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Lista de personagens

Leonardo: protagonista que garante unidade à narrativa. O sargento de milícias a que se refere o título da obra é Leonardo, embora o personagem obtenha esse cargo somente nas últimas páginas do livro.
Leonardo Pataca: pai de Leonardo, um meirinho (oficial de Justiça) que fora vendedor de roupas em Lisboa e, durante sua viagem ao Brasil, conhece Maria das Hortaliças, o que resultará no nascimento de Leonardo.

Maria das Hortaliças: mãe de Leonardo, uma saloia (camponesa) muito namoradeira, que abandona o filho para ficar com outro homem.

O Compadre ou O Padrinho: é dono de uma barbearia e toma a guarda de Leonardo após os pais abandonarem a criança. Torna-se um segundo pai para ele.

A Comadre ou A Madrinha: mulher gorda e bonachona, apresentada como ingênua, frequentadora assídua de missas e festas religiosas.

Major Vidigal: homem alto, não muito gordo, com ares de moleirão. Apesar do aspecto pachorrento, era quem impunha a lei de modo enérgico e centralizado.

Dona Maria: mulher idosa e muito gorda, não era bonita, mas tinha aspecto bem-cuidado. Era rica e devotada aos pobres. Tinha, contudo, o vício das demandas (disputas judiciais).

Luisinha: sobrinha de dona Maria. Seu aspecto, inicialmente sem graça, se transforma gradualmente, até se tornar uma rapariga encantadora.

Vidinha: mulata de 18 a 20 anos, muito bonita, que atrai as atenções de Leonardo.

Sobre Manuel Antônio de Almeida
Manuel Antônio de Almeida nasceu em 17 de novembro de 1830 na cidade do Rio de Janeiro. Enquanto fazia a Faculdade de Medicina começou a carreira de jornalista levado por dificuldades financeiras. Formou-se em 1855, mas nunca chegou a exercer a profissão de médico.

Durante 1852 e 1853 publicou anonimamente (assinava como “um Brasileiro”) os folhetins que dariam origem ao livro Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55). Na terceira edição, que saiu postumamente em 1863, o nome verdadeiro do autor passou a constar na obra. Ainda durante essa mesma época, publicou uma peça, alguns poemas, um libreto de ópera e escreveu sua tese de Doutorado em Medicina.

Em 1858 foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu Machado de Assis. Em 1859 é nomeado 2º Oficial da Secretaria da Fazenda e, no dia 28 de novembro de 1861, acaba falecendo no naufrágio do navio Hermes.

Seu único livro é "Memórias de um Sargento de Milícias" (1852), mas publicou também diversos contos, crônicas, poesias e ensaios. Além disso, escreveu uma peça teatral chamada "Dois Amores" (1961).
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ELEMENTOS DA OBRA:

LINGUAGEM E COSTUMES DO RIO DE JANEIRO
Fala do morro carioca e da capital do século 19.

“ERA NO TEMPO DO REI”
Com a frase acima, Manuel Antonio de Almeida inicia as Memórias de um Sargento de Milícias. Segundo o crítico literário
Antonio Candido, no texto Dialética da Malandragem, as Memórias se organizam por meio da dinâmica que observamos acima,
ou seja, o trânsito das personagens do plano da ordem para o plano da desordem e vice-versa. Qual seria, então, a intenção do autor
ao situar as personagens “no tempo do rei”?
Segundo o crítico, as descrições do Rio de Janeiro do século XIX que aparecem em toda a narrativa nos dão a impressão de que a
intenção de Manuel Antônio de Almeida era escrever um romance documentário, análise consagrada entre os críticos brasileiros
durante um bom período. No entanto, um romance desse gênero seria valioso se reproduzisse com fidelidade a sociedade e os
costumes de determinada época e de determinado espaço; não é o que ocorre nas Memórias, já que, como vimos, suas personagens
são de apenas uma classe social das três que compunham o Brasil:
“Restrito espacialmente, a sua ação decorre no Rio, sobretudo no que são hoje as áreas centrais e naquele tempo constituíam o
grosso da cidade. Nenhum personagem deixa o seu âmbito e apenas uma ou duas vezes o autor nos leva ao subúrbio, no episódio
do Caboclo do Mangue e na festa campestre da família de Vidinha.
Também socialmente a ação é circunscrita a um tipo de gente livre modesta, que hoje chamaríamos pequena burguesia.”
Da mesma maneira, há ainda episódios em que a exposição de costumes do Rio de Janeiro do tempo do rei não se encaixa
perfeitamente às ações do texto, como se tivéssemos a impressão de que as descrições estão “soltas”, sem finalidade alguma. Para
o respeitado crítico literário, são fragmentos como esses — que foram considerados a força da narrativa por um bom tempo — o
ponto fraco do romance de Manuel Antônio de Almeida. Só terão valor, para Antonio Candido, as descrições que aparecerem
conectadas à trama de modo que lhe confiram “impressão de realidade”. Caso contrário, o livro poderia ser considerado bem escrito
por ser uma seqüência de quadros descritivos, e já vimos que sua força está contida em outro núcleo. Na verdade, o que ocorre é
que os “quadros” colaboram com a dinâmica da ordem e da desordem que vimos acima, associados ao que se pode chamar a
“costela folclórica” das Memórias.

FONTE: http://www.cpv.com.br/cpv_vestibulandos/livros/litobr3202.pdf
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Estilo individual

Como vimos, a presente obra foge das características gerais do Romantismo, apresentando características próprias. O estilo da obra, bem como de seu autor, apresenta tendências bem pessoais e marcantes. Destaquemos algumas dessas tendências:

a) Emprego de linguagem bem coloquial, marcada por incorreções e linguajar lusitano, interiorano ou das periferias de Lisboa, lembrando que boa parte das personagens são imigrantes portugueses ou gente simples do povo.
b) Ausência de personagens idealizadas e de análise psicológica: o romance prefere focalizar os costumes, hábitos e cacoetes das pessoas de camadas sociais inferiores, numa construção mais realista da sociedade suburbana do início do século XIX.

c) Presença do humorismo, do ridículo e do burlesco: o tom geral da obra segue a tendência da gozação, marcado que está pela construção de personagens que tendem para o caricatural, para o mais absoluto ridículo. A essa tendência chamamos carnavalização.

d) Presença da ironia.

e) Presença da linguagem: A obra volta-se para si mesma, comentando os procedimentos que estão sendo empregados: palavras utilizadas, explicações sobre capítulos ou personagens que desaparecem de cena.

f) Presença de digressões: a narrativa não segue a ordem linear dos fatos, é episódica e, não raro, foge da história para comentar fatos paralelos ou para dar explicações sobre o próprio livro.

g) Presença do narrador intruso, que o tempo todo se intromete para dar explicações, analisar fatos ou personagens e conversar com o leitor.

h) Presença do leitor incluso, com quem o narrador procura estabelecer conversação: 'Pôr estas palavras vê-se que ele suspeitaria alguma coisa; e saiba o leitor que suspeitara a verdade'.
A obra deixa transparecer a presença de diversas figuras de linguagem, bem como, hipérboles, comparações, metáforas, perífrases, trocadilhos, metonímias, linguagens forenses, sarcasmos, barbarismos, etc.

https://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/memorias-de-um-sargento-de-milicias.html

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Esse romance merece destaque e ocupa um lugar ímpar na história da literatura brasileira, na medida em que se distancia muito dos modelos românticos que prevaleciam na época de sua publicação: a visão de mundo que ele expressa não é marcada por traços idealizados e sentimentalistas. Ao contrário, o autor se vale de um estilo objetivo e realista, semelhantes ao das crônicas históricas e de costumes.

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/memorias-de-um-sargento-de-milicias-analise-do-livro-de-manuel-de-almeida.htm

O livro ‘Memórias de um Sargento de Milícias’ está dividido em 48 capítulos.

É um romance de costumes, publicado de 27 de junho de 1852 a 31 de julho de 1853 no  jornal Correio Mercantil do Rio de Janeiro.

Por meio deste personagem - Leonardo Pataca, Manuel Antonio reproduz os costumes de uma época e expõe de forma bem-humorada a forma como muitos moradores do Rio de Janeiro recorriam à malandragem para ganhar a vida. Cada personagem que desfila pelas páginas desse livro luta para transpor os obstáculos que surgem na jornada que empreendem contra a miséria.

FONTE: http://www.infoescola.com/livros/resumo-memorias-de-um-sargento-de-milicias/
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Foco Narrativo: Terceira Pessoa  -  A trama aqui é conduzida na terceira pessoa, por um narrador-testemunha. Ele observa os eventos, mas não toma parte deles. A narrativa é fluida e dinâmica.
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Tempo Cronológico  -  Toda a história se desenvolve de maneira cronológica; somente aqui e ali o narrador suspende essa sequência para se referir brevemente ao pretérito, com a intenção de explicar alguns pontos não compreensíveis da narrativa. Por exemplo, em dado momento ele revela o passado do barbeiro no Navio Negreiro. Tudo se passa no período em que a família real desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, na época em que D. João VI era o rei de Portugal.

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Leonardo é, sem dúvida, o pioneiro na galeria dos personagens malandros da literatura brasileira. Ele representa os seres que, no início do século XX, percorriam as ruas da cidade do Rio de Janeiro.

ESPAÇO LITERÁRIO E EPOCAL: Cenários: Rio de Janeiro

Isso pode ser visto desde as primeiras linhas do texto, em que o jovem Manuel Antônio, que tinha 21 anos ao escrevê-lo, faz questão de deixar claros a data ("Era no tempo do rei." - no caso, dom João 6o) e o local ("Uma das quatro esquinas que formam as Ruas do Ouvidor e da Quitanda [...]" - no centro do Rio de Janeiro) onde sua história vai se desenrolar.

– cenário principal, palco das aventuras do herói.

Navio de Lisboa-Brasil – trouxe os pais de Leonardo para o Brasil.
Casa da família de Leonardo Pataca – onde o protagonista viveu até a separação dos seus pais, quando ele tinha apenas sete anos de idade.

Barbearia – Cenário onde o barbeiro exerce sua profissão.
Casa do barbeiro – Aí Leonardo passa boa parte da sua existência.
Casa da Cidade Nova - onde se pratica magia negra.
Casa da Guarda da Sé ou Campo dos Ciganos - depósito temporário dos presos.
Pátio dos Bichos - saleta do Palácio do Rei.
Largo do Paço e Navio Negreiro - ligados ao passado do barbeiro.
Casa da Rua da Vala - residência do mestre do menino, única escola que ele conheceu.
Casa de Dona Maria – nesta residência Leonardo conhece Luisinha.
Império - sede do imperador do Divino. É numa das festas que Leonardo vê Luisinha desabrochar e se encantar com tudo, especialmente com os fogos de artifício.
Oratório de Pedra – antigo oratório onde o povo ia orar, especialmente durante a Via Sacra. A polícia o transforma em uma guarita de pedra vazia.

Conceição - a madrinha de Leonardo insiste para ele aprender um ofício neste lugar.
Coimbra - para onde o barbeiro deseja enviar Leonardo, com a intenção de que ele se torne padre.
Cajueiros – lugarejo onde Leonardo conhece Vidinha.
Casa de Vidinha – também localizada na Rua da Vala.
Ucharia Real - despensa do rei.
Rua da Misericórdia - aí residia o major Vidigal.

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Personagens:

Leonardo-Pataca

Marido de Maria-da-Hortaliça e pai de Leonardo, o protagonista.

Maria-da-Hortaliça

Mãe do protagonista e esposa infiel de Leonardo-Pataca.

Leonardo

Protagonista do romance. Filho de Leonardo-Pataca e de Maria-da-Hortaliça, criado pelo barbeiro, seu padrinho. Desde pequeno ele já revela um caráter duvidoso. Quando se tornou rapaz, assumiu a malandragem como forma de vida. Não queria ser padre nem exercer qualquer ofício.

A Comadre

Parteira, madrinha de Leonardo, ela estava sempre ajudando o afilhado.

O Compadre

Barbeiro, padrinho de Leonardo. Não tinha esposa nem filhos. Dedicou a vida a Leonardo. No início desejava que ele fosse padre. Depois desistiu e fez tudo para que ele se casasse com Luisinha.

Capitão do navio

Leonardo-Pataca o encontrou diversas vezes nas proximidades de sua casa. Ele acreditava que o homem fosse amante da sua mulher. Maria-da-Hortaliça foge com ele para Portugal.

Caboclo velho

Ele praticava magia negra. Leonardo Pataca recorreu a ele para ter a cigana de volta.

Cigana

Novo amor de Leonardo-Pataca, depois da fuga de Maria. Ela também o traía. Tinha um caso com o mestre-de-cerimônias da igreja da Sé.

Major Vidigal

Ele representava a justiça, o aparato policial da época. Concentrava em suas mãos a tarefa de julgar, a execução da sentença e também perseguia os infratores.

Meninos ciganos

Eles foram colegas de Leonardo enquanto durou a via-sacra. Os garotos o convidam para conhecer o Campo dos Ciganos, onde ele assiste a uma das festas deles.

Tenente-coronel

Ele protegia Leonardo-Pataca e seu filho, graças a uma dívida moral com Maria-da-Hortaliça.

Mestre

Personagem que criou o barbeiro, sem jamais lhe revelar se eram parentes.

Marujo

Tripulante de um navio negreiro, ele propôs ao padrinho de Leonardo que trabalhasse nesta embarcação.

Capitão do navio negreiro

Ele ficou doente dentro do navio e morreu, mas não sem antes pedir ao barbeiro que levasse sua herança à filha, e deu ao padrinho de Leonardo o endereço para a entrega de seus bens.

Velha portuguesa

Mãe de Maria-da-Hortaliça.

Vizinha do Compadre

Viúva, ela sempre discutia com o barbeiro por causa de Leonardo, a quem detestava.

Beata

Amiga da vizinha do compadre. Por ela a comadre tomou conhecimento da separação dos pais de Leonardo.

Velho vizinho do compadre

Também desdenhava de Leonardo.

Mestre do pequeno

Era um dos melhores professores da região. Adorava os pássaros.

Tomás da Sé filho

O garoto era sacristão como o pai. Ele era companheiro de travessuras do menino Leonardo. Na juventude ele vai encontrar mais uma vez o protagonista e o apresentará a Vidinha.

Tomás da Sé

Pai do sacristão. É ele que consegue inserir Leonardo como sacristão na igreja em que é responsável pela sacristia.

Mestre-de-cerimônias

É um sacerdote já em idade avançada. Ele se graduou em Coimbra. Parecia ser um franciscano devoto, mas na verdade era um libertino. Ele tinha um envolvimento afetivo com a cigana cortejada por Leonardo Pataca.

Capuchinho italiano

É este sacerdote que toma o lugar do Mestre de Cerimônias na realização do sermão anual. Ele só se comunica através do próprio idioma, o qual ninguém entende.

Chiquinha

Era a filha da parteira. Sua mãe ansiava por lhe achar um bom marido. Enfim, quando Leonardo-Pataca desiste da cigana, acaba se casando com ela. Os dois têm uma filha. Chiquinha se mantém em luta constante contra o protagonista.

Dona Maria

Uma mulher na terceira-idade, piedosa e caridosa. Adorava se envolver em demandas; ao vencer uma delas, conquista a guarda da sobrinha órfã. Era uma velha amiga do barbeiro.

Luisinha

Sobrinha de Dona Maria. Quando perde os pais ela vai morar com Dona Maria, sua tia. Ela e Leonardo eram apaixonados um pelo outro. Na adolescência era sem graça; depois se transforma em uma bela mulher.

Vidinha

A jovem mulata era desejada pelos dois primos. Leonardo também cai de amores por ela quando Tomás da Sé o apresenta à garota. Na época o grupo se reunia no Cajuzeiros e Vidinha cantava e tocava viola.

Irmãs viúvas

Elas integravam o grupo de Tomás, intitulado por ele de ‘sua gente’. Uma tinha três filhos e a outra três filhas.

Filhos da viúva

Três garotos de vinte anos ou um pouco mais, todos trabalhadores na Conceição.

Filhas da outra viúva

Três jovens irrequietas, aproximadamente na mesma faixa de idade que os primos. Vidinha era uma delas. A irmã casada parecia ter um caso com Tomás.

Vizinhas de Dona Maria

Elas é que sempre bisbilhotavam sobre a união de Luisinha e José Manuel.

Procurador de Dona Maria

O homem era o responsável pelas demandas de Dona Maria. Acaba morrendo subitamente.

Toma-largura

Era um homem obeso que residia no interior do pátio da Ucharia, ou seja, da despensa real. Ele vivia com uma moça que tomava conta da sua casa. Ela se torna a responsável por Leonardo ser mandado embora do trabalho quando seu companheiro a encontra ao lado de Leonardo, tomando um caldo com ele. Depois o ex-chefe do protagonista cai de amores por Vidinha.

Moça do caldo

Companheira de Toma-Largura, ela era uma bela jovem, um contraste com o rude homem da despensa. Vidinha, enciumada, foi tirar satisfações dela e do despenseiro.

Maria-Regalada

Muito amiga de Dona Maria e a paixão do Major Vidigal. Ela foi muito bonita na juventude e ainda agora estava sempre alegre, dando constantes gargalhadas. Por esse motivo todos a chamavam de Regalada.

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Biografia do Autor
Manuel Antônio de Almeida nasceu no dia 17 de novembro de 1830, na cidade do Rio de Janeiro. Ele morreria durante um naufrágio da embarcação a vapor conhecida como “Hermes”, nas proximidades de Macaé, em 28 de novembro de 1861. Ele concluiu o Doutorado em Medicina no Rio de Janeiro em 1855, mas nunca praticou sua profissão. O autor atuou como funcionário público, administrador da Tipografia Nacional e oficial do Ministério da Fazenda.

O escritor também exerceu o jornalismo, colaborando com artigos para o Correio Mercantil de 1854 a 1856. Em seu currículo literário consta somente uma tradução da obra Rei dos Médicos, do francês Paul Fléval e do drama lírico Dois Amôres, lançado em 1861, e a única produção dele é esse romance, Memórias de um Sargento de Milícias, inicialmente impresso em folhetins e depois em um livro de dois tomos, publicados em 1854 e em 1855.

Mas, neste caso, mais que em qualquer outro, importa realmente a qualidade da obra. Ele é o primeiro livro de costumes editado no Brasil e, por essa razão, o consagrou como escritor.

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AUDIOLIVRO: "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida

https://www.youtube.com/watch?v=Uq9udFnRVJk


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Conclusões FINAIS

Nota-se que, apesar de romântico, ao longo da trama vários aspectos do movimento são criticados, e diversas vezes satirizados.

O livro foge à diversas características do estilo romântico, o relacionamento amoroso não é idealizado, Leonardo não se mostra corajoso e íntegro, como nos padrões do herói romântico. Mostra-se vagabundo, irresponsável, um anti-herói.

Ele não é um vilão, mas não representa um modelo de comportamento; é uma pessoa comum.

O final da história, fugindo do estilo romântico já conhecido com tragédias, Leonardo e Luizinha se casam e vivem felizes para sempre.

Manuel Antônio de Almeida faz referências à mitologia grega, cita personagens reais, como o major Vidigal.

Ele apresenta pequenas histórias no mesmo contexto, histórias "perpendiculares" à trama principal.

Enfim, ele faz de tudo para prender a atenção do leitor para o próximo capítulo, criando assim um estilo próprio, um romantismo irônico, e crítico à sociedade vigente na época.

Apesar de o livro ter sido escrito no século XIX, época do Romantismo, ele não pode ser classificado como uma obra do Romantismo, e sim como uma obra excêntrica.

Os fatos que comprovam que tal obra é excêntrica são a ausência de maniqueísmo e personagens idealizados. Outro fator é a existência de metalinguagem, valor herdado por Machado de Assis, que viveu no Realismo.

Por tais motivos, fica inviável classificá-la como uma obra do Romantismo, apesar de ser escrita na época em que tal movimento literário perdia forças e dava espaço ao realismo.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3rias_de_um_Sargento_de_Mil%C3%ADcias

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ASSIM DISCUTA SE HÁ PARADOXO NA LIBERDADE no Decálogo Milloriano (principalmente o nº 10) e COMO NÃO SOMOS TÃO LIVRE QUANTO PENSÁVAMOS: P. 194, DE MILLÔRES DIAS VIRÃO, de Breno C. Serafini (2012), UFRGS, Porto Alegre.

nº 10: FRATERNIDADE sugere o equilíbrio (im)possível entre liberdade-igualdade, da revolução Francesa. Millor Fernandes em 1999.

https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/56029/000858800.pdf?sequence=1

http://pt.scribd.com/doc/98227840/Esquemas-Escolas-Literarias-Brasileiras#scribd


http://www.educacional.com.br/upload/dados/materialapoio/580001/8384666/Artigo%20-%20Dial%C3%A9tica%20da%20malandragem%20(Antonio%20Candido).pdf
Enviado por J B Pereira em 05/04/2015
Reeditado em 05/04/2015
Código do texto: T5196126
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira