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Especial: Joel Schumacher – Parte 3 de 3

Publicado originalmente em frankcastiglione.wordpress.com, em 2009.

Chegamos a terceira parte do Especial Joel Schumacher, trazendo um ótimo thriller e a primeira bomba de sua carreira. Quero avisar de antemão, que teremos cenas fortes neste post. Portanto se você tiver problemas cardíacos ou for uma pessoa muito sensível, pense bem antes de continuar. Estejam avisados!

***

1994 –  O CLIENTE (THE CLIENT)

Depois de Um Dia de Fúria, o diretor segue fazendo um ótimo filme, mas que ainda assim não supera o anterior.

Mark (Brad Renfro) é um garoto pobre e vive em um trailer com sua mãe e seu irmão. Sua vida já não era lá muito boa, mas fica ainda pior depois que testemunha o suicídio de um advogado da máfia. Para piorar a situação, conversou com o mesmo antes de vê-lo se suicidar e fica sabendo de um grande segredo: a localização do corpo do Senador Boyd Boyette, morto por Barry Muldano (também conhecido como “A Lâmina”).

Por conta disso, todas as atenções se voltam para Mark: Polícia, Promotoria, Mídia e também a Máfia. O garoto fica assustado, pois acha que pode ser incriminado pela morte do advogado. Seu irmão, que é mais novo, fica em estado de choque desde então. O “Reverendo” Roy Foltrigg (Tommy Lee Jones), um promotor, quer fazer do caso um espetáculo para promover sua canditatura a governador. Para isso, conta com ajuda de muitos puxa-sacos.

Obs: Ele é chamado de “Reverendo” porque costuma citar a bíblia dentro dos tribunais.

No hospital onde seu irmão é internado, Mark vê um paciente acidentado sendo abordado por um advogado, que lhe oferece seus serviços para processar o motorista que o atropelou. Mark acaba pegando um panfleto e vai até o endereço indicado, procurar um advogado para lhe defender. Acaba conhecendo Regina Love (Susan Sarandon) que, mesmo vendo que o garoto não tem dinheiro, resolve ajudá-lo. Pois como diria o Professor Gilmar: “Em alguns casos você ganha dinheiro. Em outros, notoriedade”

Roy Foltrigg quer, a todo custo, a confissão de Mark. Porém o garoto tem medo de ser morto pela máfia e com a ajuda de sua advogada, vai tentando prorrogar a audiência o máximo possível. O filme não se prende apenas em cenas de tribunal, mas não vou contar mais, para não estragar a surpresa para quem não assistiu. É um bom filme, mesmo que não seja para coleção, vale a pena assistir.

Curiosidade: Brad Renfro também fez “A Cura” (The Cure) de 1995, dirigido por Peter Horton! Caso você não tenha ligado o nome à pessoa, Peter Horton é o protagonista da série Brimstone, que passava no SBT! Não sabia que esse cara também era diretor!

***

1995 – BATMAN ETERNAMENTE (BATMAN FOREVER)

Tirem as crianças da sala! Pois a partir de agora teremos imagens fortes, depois não digam que não avisei! Joel Schumacher solta a sua primeira bomba: uma nova adaptação de Batman para as telonas, 3 anos depois de Batman Returns (1992). Confesso que, na época, não senti a menor empolgação para ver o tal filme. E mesmo depois de passar várias vezes na TV, acabei nunca o vendo por completo, mas para este Especial me submeti a uma sessão de tortura por 2 horas e cumpri a árdua tarefa de o assistir.

Porque fiz isso? Como provavelmente vou tecer comentários bem negativos sobre o filme, resolvi assiti-lo antes para depois não ouvir a velha bronca: “Se você não assistiu, também não pode criticar!”. Sinceramente, acho que não precisamos fazer certas coisas para saber que elas são prejudiciais. E é por esse motivo que dificilmente vou ao Cinema, pois sei que a maioria dos filmes atuais serão pura perda de tempo, ao invés disso prefiro assistir um filme mais antigo que já é mais conceituado. mesmo que eu não goste, provavelmente irei tirar algum proveito da experiência.

Conhecemos Batman como um herói soturno, mas neste filme de Joel Schumacher, não é isso que vemos. Logo no primeiro diálogo, temos uma pérola:

Alfred: — Posso persuadí-lo a levar um sanduíche?
Batman: — Pego no drive-thru.

Nas primeiras cenas mostrando a cidade, vemos cores muito vivas e berrantes que são um prenúncio do desfile carnavalesco que veremos mais a frente. O filme conta com um elenco de peso, porém muito mal aproveitado:

Val Kilmer (Batman/Bruce Wayne)
Tommy Lee Jones (Duas-Caras/Harvey Dent)
Jim Carrey (Charada/Dr. Edward Nygma)
Nicole Kidman (Dra. Chase Meridian)
Chris O’Donnell (Robin/Dick Grayson)
Drew Barrymore (Sugar)

Além dos citados, temos outros atores que já apareceram nos filmes anteriores de Joel Schumacher, como o “coreano” da mercearia de “Um Dia de Fúria”, a carcereira de “O Cliente”, entre outras figurinhas carimbadas. Ao meu ver, o primeiro erro do filme foi ter 2 vilões ao mesmo tempo. Quem teve a infelicidade de assistir Homem Aranha 3, sabe que este tipo de fórmula não dá muito certo. Jim Carrey já mostrou ser um ótimo ator de filmes de comédia, mas o problema aqui é que ele foi muito mal dirigido, com isso o resultado foi catastrófico.

Depois de “O Cliente”, temos novamente Tommy Lee Jones, mas agora em um papel totalmente contrário ao seu estilo de interpretação: o Duas-Caras. Horrível! Mesmo em MIB, que é um filme com bastante humor, podemos ver que o papel de Tommy Lee Jones é mais sério, são as situações que causam o efeito humorístico e não expressões e caretas a la “Serginho Mallandro”. (E até onde eu lembro o Duas-Caras original não é um “palhaço” como mostrado no filme).

Em algumas partes do filme, vemos que deve ter sido gasto milhões, já em outras vemos que não tiveram muito cuidado. Como em uma cena onde vemos a “barbatana” do Batmóvel balançando, parecendo um carro alegórico de escola de samba. E o que dizer dos figurinos? Em uma das primeiras aparições de Batman, vemos o famoso traje de borracha com “mamilos”:

Há uma cena em que Batman troca de traje, quando vemos um morcego maior e ausência dos “mamilos”, pensamos que agora sim veremos um decente e sério… mas depois que ele coloca a capa e dá uma voltinha, temos um close e não conseguimos acreditar no que estamos vendo:

E perto do final do filme, Robin ganha um traje novo também, pensamos ser um traje mais legal de início, mas ao mostrar Batman e Robin, lado a lado, vemos que o diretor deve ter se inspirado nos “Gogo Boys”. Acho que as escolas de Samba deveriam contratar Joel Schumacher, o cara parece que entende de fantasias e alegorias.

O Roteiro é uma piada de mal gosto, a trama maior do filme gira em torno de uma engenhoca que o Charada faz para “sugar a inteligência das pessoas”, ele se une a Duas-Caras para concretizar seu plano “maléfico”. Mas ao invés de ir direto ao ponto, o roteiro é do tipo arrastado. O que acaba dando vontade de largar o filme pela metade.

Outro ponto negativo é a duração do filme, 2 horas para um filme deste tipo é algo enorme, uma verdadeira tortura. Sou um crítico fervoroso dessa receita de Hollywood de ter um formato padrão de filmes com 2 horas ou mais. Acho que o filme tem que ter o tempo necessário para contar a história, só isso. Filmes como “O Poderoso Chefão” tem quase 3 horas, mas são necessárias ao ritmo dele. Agora vejam filmes de ação como “Rambo”: 90 minutos e nada mais. Para que ficar enchendo linguiça? Acho que até mesmo o tão aclamado The Dark Knight foi longo demais.

Meu conselho: Se não viu, não veja, o filme realmente é horrível. Mas não deixe de assistir os outros filmes de Joel Schumacher. Até hoje não consigo entender como ele conseguiu fazer isso e ainda por cima repetir a dose em “Batman & Robin” de 1997. O que já ficou claro é que ele não serve para fazer adaptação de quadrinhos, mas em outros gêneros de filmes, ele se sai muito bem, com isso posso dizer:

“Joel Schumacher, tu é um cara legal, mas vacila!”

***

É isso pessoal, desculpem pela péssima resenha que, na verdade, ficou mais como uma crítica. Mas o filme é ruim mesmo, não tem nada que se salve, aliás até tem: a música do Offspring que toca durante o filme e a do U2 que toca nos créditos finais, essa última sim passando um clima mais sombrio, ao contrário do filme.

E para os fãs fervorosos do Batman dos Quadrinhos que tanto gostam de criticar Joel Schumacher por este filme, fiquem sabendo que Bob Kane (criador do personagem) foi consultor de projeto no filme, não acredita? Então veja: [imagem ausente, apenas mostrei uma foto da tela de créditos que comprova minha afirmação].

***

À época, pretendia fazer mais posts para esta série, mas acabei parando na terceira parte. Outro filme que pretendia resenhar é o ótimo Tempo de Matar. Faz muito tempo que não o assisto, pretendo fazer isso depois de ler dois livros que foram adaptados para o  Cinema por Joel Schumacher: O Cliente, que estou lendo atualmente e o próprio Tempo de Matar.
FrankCastle
Enviado por FrankCastle em 04/08/2017
Código do texto: T6074605
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Sobre o autor
FrankCastle
Osasco - São Paulo - Brasil, 34 anos
35 textos (271 leituras)
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