LOST – Um segundo olhar

LOST – Um segundo olhar

A série LOST até hoje foi a que mais me empolgou a abriu as portas para minha entrada nesse mundo de seriador. Eu nunca tinha visto nada tão intenso na TV, com personagens bem estruturados e aquele clima de no final de cada capítulo você ter o seu cérebro explodido com novas respostas e novas dúvidas. A trama, que segue a vida dos sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha misteriosa, tinha tudo para ser apenas mais um seriado de sobrevivencia e drama, mas LOST foi muito mais além disso.

Eu vi a série e participava de fóruns de discussão e ouvia podcasts ao término de cada episódio. Ficava ansioso para a estreia de um novo capítulo e tecia inúmeras hipóteses na minha cabeça sobre como a trama ia se desenrolar. Sem contar que sempre havia o medo de um dos seus personagens queridos morrer. LOST não era Game of Thrones, onde até os protagonistas estavam na berlinda, mas houveram muitas mortes inesperadas que deixaram os fãs entristecidos. Mesmo sendo maníaco pela série, resolvi assistí-la novamente só depois de dez anos, e confesso que foi a melhor coisa que fiz.

Na segunda vez, vários detalhes ficaram mais claros e pude aprender muito mais com os personagens. Apesar de ter esquecido muitas coisas da trama, como por exemplo que a mãe do Faraday matava ele no passado (algo até muito importante mas que havia sido apagado completamente da minha cabeça) várias coisas eu sabia como terminariam. Então quando eu via alguém traçando um plano, eu me lembrava de como ia terminar, então ficava mais fácil entender quem estava certo e errado em várias ocasiões e isso me fez mudar muito em relação a alguns personagens.

Dois personagens que antes eu odiava e achava irrelevantes subiram muito no meu conceito: Kate e Saiyd. A primeira, para mim, era apenas a mulher indecisa comum cujo drama maior era escolher entre dois homens, Jack e Saywer. Com o tempo, comecei a entender melhor a personagem. Ela ia muito além disso. Era uma fugitiva que apesar de se preocupar apenas com ela, na maioria das vezes, estava sempre engajada em alguma tarefa do grupo. Era a primeira a se voluntariar sempre e parecia não descansar. O fato dela sair para explorar a ilha toda hora era uma outra fuga dela, para escapar daquele sofrimento e dos dramas que a perseguiam. No decorrer da série, ela aprendeu a se tornar uma mãe, mesmo que adotiva, coisa que ela não teve como exemplo pois sua própria mãe a denunciara para a polícia e foi uma das personagens que mais cresceu (sendo no final a responsável por dar um fim no Homem de Preto). Já o Saiyd eu achava foda mas sem sal. Agora eu considero ele foda para caramba. Ele estava certo desde o início em todas as decisões. Hora nenhuma vi ele cometer um erro (talvez só de não ter dado mais de um tiro no Ben Criança). Se a galera da ilha não perdesse tempo escolhendo entre Jack e Locke, e fossem direto com o Saiyd desde o início, a série acabava em uma temporada.

Outros detalhes eu tinha perdido e merecem ser citados, como a relação do Saywer original (personagem que James queria matar e roubou o nome) com o pilantra que era o pai do Locke. A questão da Sun não voltar no tempo, que fica meio mal explicada mas podemos entender por ela não ser uma candidata talvez ou então por não estar com a aliança e o bebê, o que não recriava as condições originais do voo. A profundidade do personagem Richard, que foi um dos primeiros homens a chegar na ilha, dentre outros fatores que só deixam a série grandiosa. Os filhos da puta, continuaram filhos da puta. O ódio pelo Michael continuou o mesmo. Locke e Ben também dividem opiniões o tempo todo, pois mesmo sendo personagens profundos e meticulosos, na maioria das vezes fazem merda por puro capricho e isso os torna personagens mesquinhos que não merecem nosso carinho. A Juliet eu não gostava muito e passei a entender ela uma pouco mais também, apesar de ainda achar uma uma personagem acessório apenas.

Várias mortes me emocionaram novamente. A morte do Charlie continua até hoje como uma das mais tristes e bonitas que já vi na sétima arte. Eu gostava muito da Sun e do Jim, não queria que eles e o Saiyd tivessem um final corrido assim, faltando 4 episódios para a série acabar, mas eu entendi que precisavam filtrar um pouco o elenco para o gran finalle e a história deles já tinha se encerrado (só fiquei triste pela Ji Yeon, que não teve seus pais de volta, mas já imaginou se daqui uns anos lançam um epílogo com ela e o Aaron procurando a ilha? Seria muito louco).

O Hurley continuou o mesmo tipo de personagem para mim. Ele era a torre que mantinha o grupo unido e ajudava a galera a não pirar, sendo o mais pirado de todos. O romance dele com a Libby foi algo forçado a princípio, que só serviu para dar uma carga emotiva negativa no personagem mas que no fim não teve impacto algum nas decisões ou no crescimento do personagem durante a série. Na verdade, todos os personagens da cauda do avião para mim continuam como fillers. Nenhum deles acrescentou coisa alguma na série e só o Bernard mesmo que rendeu mais de uma temporada, mas mesmo assim era apenas um secundário.

Vendo todos os easter eggs, cenas deletadas e making off, percebi que o Paulo (nosso representante Rodrigo Santoro) e a Nikki teriam mais destaque na série, mas os próprios roteiristas não gostaram muito deles e acabaram dando um fim nos personagens. Pude perceber também o quão difícil foi a produção desta série e a quantidade de profissionais envolvidos não foi brinquedo não. Teve uma cena que eu fiquei de cara quando vi que ocorreu naturalmente, fora do script que é o final da primeira temporada quando o pessoal está saindo da jangada e o Vincent corre atrás do Walt, nadando no mar para tentar alcançar seu dono. Achei a cena muito bonita, pois o cachorro já havia se adaptado ao ator que fazia seu dono e agiu com naturalidade, e a atriz que interpreta a Shanoon teve o dom em voltar e buscar o cão, como se não houvesse sido um erro. Uma das cenas mais bonitas na minha opinião agora que descobri que ela foi natural.

Mesmo com o choro de alguns haters, que dizem ter detestado o final e tudo o mais, acho que quem não viu merece dar uma chance à série. Há uma frase que diz “a vida é uma jornada, não um destino de chegada”. Ela está certa. O final de LOST dividiu opiniões, claro que sim. Nenhum final ali agradaria a todos. Eu particularmente gostei, acho que não mudaria nada se pudesse. Mas confesso que a quinta temporada foi muito ruim (com aquelas viagens no tempo) e sei reconhecer que a série perdeu o brilho nas duas últimas temporadas, mas mesmo assim julgar o todo apenas pelo final eu não acho justo. Tem tanta coisa boa para se aproveitar e aprender com os personagens, que ficar perdido assistindo LOST é a parte mais divertida de todas.

Lalinho
Enviado por Lalinho em 21/05/2018
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