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Reencontro

Gostaria tanto de poder reencontrar teu coração, agora mais sábio, mais tranquilo, menos temeroso. Eu sei que, naquela época, mal fazíamos ideia dos tantos desafios que a vida ainda iria trazer.

Estávamos apenas começando, engatinhando na escola da vida. E nunca foi obrigação nossa estarmos preparados para aquele momento. De fato, não estávamos. Até acreditávamos ser fortes, racionais, maduros. Mas como havia tanto ainda a aprender!

Havia tantas incertezas nas palavras não ditas. Não conhecíamos o caminho, nem onde queríamos chegar. Nossos corações jovens aceleravam ao mais doce olhar, mas não foram capazes de superar a segurança trazida pelo freio antes das curvas da vida.

Impossível esquecer aquele teu sorriso que queria tanto se desculpar pela confusão que havíamos criado. Aquele, que veio depois de eu já ter me acostumado com teu sorriso tímido, espontâneo, furtivo... Quando ignorávamos a presença dos demais em um mundo que fazíamos ser apenas teu e meu.

Eu sei que se tornou cada vez mais difícil nossa troca de olhares, enquanto nosso mundo ia aos poucos desaparecendo. Sei que a vontade era de mergulhar, e, por isso mesmo, precisávamos ficar distantes, como se naquele mundo houvesse, agora, apenas os demais à nossa volta.

Costumava dizer que fomos morrendo, aos poucos. Mas, se penso hoje, estávamos apenas tentando sobreviver. Era até tentador almejar que nossos olhares e sorrisos pudessem superar o valor da vida. Mas, no fundo, sabíamos que o preço era alto demais.

Nossa conclusão jamais foi a repulsa. Se nos afastamos foi porque a tortura de querer e não poder ter se tornara insuportável. Não sabíamos diferente, não estávamos prontos para construir um futuro para chamar de nosso.

A maturidade da qual tanto nos orgulhávamos permitiu apenas desejar que cada um de nós pudesse construir seu próprio futuro. O carinho que caberia às palavras precisava ficar guardado dentro do peito, ou pelo menos acreditamos que era melhor assim.

Mas meu coração, curioso, nunca esqueceu do teu. O carinho continuou morando aqui dentro, achou um cantinho para si e resolveu ficar. Prometeu que não ia me incomodar! Mas, tudo bem, eu aceitei perdoar aquelas vezes em que falhou. Lembrava-me de nós, e serviu como uma forma de perdoar também a nós mesmos. E meu coração se pergunta: "Como será que vai o teu?"

Gostaria tanto de poder reencontrar teu coração e ver o futuro brilhante que ele te permitiu construir. Já não estou pedindo para fazer parte da história, sei que a nossa é hoje apenas memória. Só queria ver que acertamos ao ir embora. Que nosso desejo, um ao outro, de que fôssemos felizes, tornou-se realidade. E, de longe, seguimos torcendo pela felicidade.

Mas, ah, que sorte seria a nossa se hoje, um pouco mais resolvidos, nos esbarrássemos por aí e descobríssemos que nossos olhares ainda brilham com a mesma intensidade. E se, nesse breve momento, uma vez mais brotasse aquele sorriso tão verdadeiro, que nos tranquilizaria por fim: segue vivo, e bem!
Dancker
Enviado por Dancker em 01/08/2020
Reeditado em 06/08/2020
Código do texto: T7022822
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Dancker
Blumenau - Santa Catarina - Brasil, 23 anos
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