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Quinquagésimo dia

"A quarentena de um poeta"

Quinquagésimo dia:

Pelo mar, pela terra e pelo ar, somente um dos inimigos passageiros estivera a nos atacar e as três forças não conseguiram êxito contra uma investida invisível, porém, o escancarado as convidara em público para destruir o sufrágio brasileiro a irritar a cúpula dos casacos brancos, verdes e azuis.
Em sua frente a falsa liberdade de expressão se confrontara com a liberdade de imprensa e houvera agressões de socos e pontapés nas costas do aniversariante.
A democracia estivera a ser derrotada sob o sorriso de cobra que do alto da rampa esticara seu pescoço a observar o seu ninho.
O ser perçonhento que gerara a cada dia uma ofidiofobia nos seres racionais tivera algo em comum com o matador abstruso,  suas vítimas sofreram constrição.
Naquele dia, foram embora dois artistas que fizeram parte do meu passado. O autor da esperança equilibrista não escutara mais a sua letra cantada na voz da eterna pimentinha e a camicleta enfim recebera Xerife no céu, o seu último integrante. Um mineirinho gênio da bola que fora vítima de um insensato destino não poderia estar a contar suas histórias pra a moça bonita, pois lutara contra a morte na terra onde aprendera sua arte.
O meu inconsciente dissera que tudo estava próximo de acabar. Muitas pessoas foram curadas de suas feridas sem mesmo percebê-las e quiçá fossem elas aquelas que desobedeceram a ordem dos especialistas e não haveria mais a possibilidade de muitas contaminações.
Eu precisara desse otimismo para levantar o humor dos meus, pois eu observara a tristeza a rondar sobre a minha casa.
E ao entardecer tivera a vontade de fugir para um lugar onde ninguém pudesse me encontrar, onde a solidão e a solitude me acompanhassem como em minha fantasia:

Minha solitude

Hoje acordei a buscar a solitude
Pude ficar sem o tumulto das vozes
Encontrei um lugar sem vulto
Onde eu ouvi o meu eu


Alguém dos ares me avistara
A tentar jogar as cordas
Que eu recusara
Destarte um descarte à forca

Não havia nenhuma solidão
Existia a solidez de um coração
Como qualquer viola
Que bate no compasso do diapasão

Minha solitude não revela
A minha solidão...
Ed Ramos
Enviado por Ed Ramos em 04/05/2020
Reeditado em 09/05/2020
Código do texto: T6937446
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ed Ramos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
544 textos (6594 leituras)
23 áudios (1463 audições)
6 e-livros (1063 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/08/20 18:20)
Ed Ramos