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Terra seca

Já havia mencionado sobre as noites do sertão, desnutridas de afeto, com o miserável retirante que mora em meu peito, caminhando carcomido, esperançoso e desesperançado...
Já havia lhe descrito sobre as paranoias do desequilíbrio, a necessidade da desistência para enxergar o possível, e o quanto as desgraças da vida por vezes mantém-nos nobres.
Essa sede de viver é plebe!
Vês que a tristeza é incorruptível? Compõe-nos mais e mais. Sussurra-nos ao pé do ouvido nos momentos mais lúcidos e reflexivos que é ela como oxigênio, necessária à vida, que todas as alegrias possíveis, são mera distração, e tolo é regalar-se por elas.
Enquanto os cactos nessa terra tão seca permanecem embargados, machucam-nos.
Sinto esse sol de língua seca lambendo minha pele, oscilações do Brasil, e o couro coça pelo incômodo, e o frio relembra a perda, a perda de mim, e quando aponto para dentro, não me acho, viro alvo e sinto a flecha rasgar meu peito.
Amaldiçoe o desejo, meu amigo! Ele que se mostra de tanto em tanto, e faz-lhe perambular por nada, pois essa terra, é seca.
Carolina Svinna
Enviado por Carolina Svinna em 03/07/2019
Código do texto: T6687181
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Carolina Svinna
Jandira - São Paulo - Brasil, 23 anos
20 textos (222 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/19 01:31)
Carolina Svinna