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Pássaro Indefeso

De longe, alvíssaras moças se penteiam ao rebordo do sol, na cálida manhã. Eu, de chinelas e ainda com rumores de uma noite sem conversas, corrijo o corpo no sopro de vento que me guarda de aromas e me empertiga os sentidos.

Sei que, se algumas coisas se vão, só por instantes, jamais voltam. Não há retorno para as coisas sagradas ou profanas. O mínimo que posso fazer é, do meu patamar, sentir o embriago dos aromas que exalam das formosuras de cabelos. Mas outras, talvez mais sábias, tratam de tomar seu lugar.

E veio a saudade calejada e me arruinou. Tomo um trago que faz bem e me recupera. Sei que deste vento já não me larga mais, e vou um dia com ele para os cemitério dos falantes

E não conto a ninguém porque só me habitam fantasmas. E se a porta só se abre para o vazio e me priva dos degraus? Sozinho eu vou!

De longe sonho. De longe vejo algazarras juvenis se tropeçando na minha idade, como pássaros indefesos. Sei, porque não sei... não sei porque não quero ver e se algum dia descobrir guardo para mim estes pecados - segredos mortais que um dia só habitarão a eternidade!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 16/06/2019
Código do texto: T6674439
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel

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