LUA DE NARCISO

(Por Érica Cinara Santos)

No cair da noite aqui deste recanto

Do escuro breu pôs-se ela emergindo

Banhada de magia e nítido encanto

O leito de Iara vai a lua encobrindo

E, partindo o céu, a nossa personagem

Iluminando tudo e todos à sua frente

Em deslumbrante subida-viagem

A lua encantada vai se fazendo presente

Até que numa hora, quando cheia ela estava

E olhava distraída o firmamento

Sua visão estacionou no espelho d”água

E encantou-se com o que viu rio adentro

Quem haveria de ser a tal imagem?

Pensou a lua, ali, no então momento

Tamanho encanto que lhe parecia uma miragem

Deixou a lua a esvair-se em sentimento.

Eis que não mais seu olhar dali partiu

Qual Narciso, fixou-se por sobre a água

Porém, a lua não se apercebeu que era de si

Que ela própria estava enamorada.

OBS.: Uma poesia, quase um conto. Para homenagear o último luar lindo que banhou o meu recanto.

Érica Cinara Santos
Enviado por Érica Cinara Santos em 22/06/2019
Reeditado em 08/03/2020
Código do texto: T6679189
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