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( A imagem é da velha árvore de meu recanto de infãncia — um pé de óleo belíssimo como podem ver—, a árvore, dona desses versos )

A uma árvore...
 
Minha velha árvore está lá ainda
— eu sei— sua majestade nunca finda...
Também sei que de todas é a mais bela.
Tua beleza é também tão antiga!
E sua sombra então!...  Tão amiga!.
Não existe mais perfeita aquarela...
 
Tão digna venceu a idade e os ventos...
Quisera eu adivinhar-lhe os tormentos
quando levaram-te as folhas tão pequenas!...
Mas tu sabias— era apenas um outono   —
 que outra primavera enfeitaria seu trono
para abrigar as aves e suas doces cantilenas...
 
Por isso — ó velha árvore — hoje lhe digo:
que tua sombra foi tantas vezes meu abrigo
enquanto eu brincava sob teus ramos...
Mas tu sabias— embora não me dissesse — 
que a infância um dia parte—a gente cresce...
E já dizia Bilac : “... rindo! Envelheçamos..." 
 
De fato, envelheci — embora não rindo—
Pois, sinto qualquer coisa se esvaindo
— ó velha árvore— são tantos os reversos!
Não sou como tu, tão firme e tão forte!
Às vezes reclamo de minha sorte...
Mas sabes— são para ti esses versos...
 
Pois como esquecer-te? Se à tua sombra,
sentada despreocupada sobre a alfombra,
aprendi a admirar a tua farta beleza?
Hoje é teu dia velha árvore formosa
— eu sei— não há uma festa pomposa,
mas nessas linhas verso tua grandeza...

 



Caros amigos, hojé é o dia da árvore. Quero dizer que precisamos olhar mais às árvores, aprender com elas a resistirem aos ventos e ao tempo. Aprender com elas que não é preciso muito saber para que vivem, nem saber tantas coisas, mas talvez apenas abrigar, ser generosos no dar...  Vejam, elas nos dão tudo: a sombra, o fruto na sua hora, a madeira para o abrigo, nos dão, inclusive a matéria prima para o papel, o papel onde, nós poetas escrevemos nossos poemas, o papel onde os conhecimentos maiores são eternizados... Enfim, falta palavras para dizer tudo sobre a árvores. Perto delas somos seres tão pequenos, porque não sabemos lhes dar nada, senão destruí-las com nossos fogos e machados, enquanto elas nos dão tudo sem mesmo saber que dão. Acho que Fernando Pessoa disse bem quando disse que a melhor metafísica são as das árvores que mesmo não sabendo para que vivem revelam-nos o fundamento da realidade.
Nesse dia, ao homenagear as árvores, quis reverenciar uma velha árvore: um velho pé de óleo grande e copado no recanto de minha infância. Essa velha árvore me viu crescer brincando a seus pés, sob sua sombra, fazendo gangorras em teus galhos fortes. Não compreendia nada dela até que um dia lhe fiz um poema falando de minha saudade. Nesse tempo eu já tinha partido tentando fazer minha vida na cidade. Depois lhe fiz um soneto. Meu primeiro soneto, embora sem as técnicas, pois ainda descobria aos poucos o mundo da poesia. Muito tempo depois, sentei-me no chão junto a seu velho caule cinzento e lhe fiz uma crônica. Na crônica eu lhe fazia minhas confidências. A realidade da vida já começava a me torturar. Mas não importa. Foi nesse dia que compreendi a atração que ela exercia sobre mim e quando vou lá no recanto de minha infância vou sempre lá andar debaixo dela, ficar sentindo como ela me abraça e me acalma. Mas, claro , acho que todas as árvores fazem isso. Pensem nisso...
 
Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 21/09/2015
Reeditado em 21/09/2015
Código do texto: T5389388
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 56 anos
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2 e-livros (141 leituras)
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Sonia de Fátima Machado Silva

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