O TIO E AS AVES

O TIO E AS AVES

Lá em casa é reino dos bichos,
E por isso eu me acho humano,
Pois é tudo produto dos nichos,
Em que vivo e prossigo amando.

Foram os cães e felinos daqui,
Reunidos como os passarinhos,
Mas não sei aonde foi o jabuti,
Que eu via com tanto carinho.

Foi quando lembrei de um tio,
Que criava dezenas de aves,
Em um tempo que eu noticio,
Pois a lei não criava entraves.

Foi assim que eu vi o azulão,
Arapongas, sofrês e acauãs,
Sábias, curiós e o cancão,
Ararinhas e os maracanãs.

A sábia tipo a bico de osso,
Junto à sua irmã laranjeira,
E o bigode cantava conosco,
Com canários pela jardineira.

E meu tio trocava as águas,
Ao repor o alpiste e o farelo,
Para ter a alegria que agrada,
De ouvir cada canto singelo.

Mas por lá também vi o tucano,
E o papagaio falou "dá o pé!",
Onde havia andorinha voando,
Bem na hora de tomar café.

Que saudades dos tios antigos,
Que se foram e não voltam mais,
Pois o tempo será meu castigo,
Porque leva quem amo demais.