Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A minha colega de trabalho

todas as sextas
eu passava em um bar perto do trabalho,
bebia umas doses de whisky,
fumava uns cigarros
e ia para casa
como de costume

eu já estava na minha sétima dose
e me preparando para ir embora
quando alguém apoia a mão em meu ombro
sentando-se no banco ao lado

- você está sempre sozinho, não é?! - era a minha colega de trabalho, Susana - não têm amigos?

- me distanciar das pessoas,
me aproxima de mim.

- por que todo bêbado é metido a filósofo? - perguntou aquela vadia sarcástica - vai acabar morrendo sozinho!

apaguei o cigarro no braseiro,
dei um gole no whisky e
acabei falando o que eu não queria falar
mas eu já estava bêbado
e bêbados na maioria das vezes
são despudoradamente honestos

- existem muitas formas de morrer
e algumas delas ainda te deixarão vivo
só para te fazerem gemer de dor
e desejar a eutanásia
digo isso porque sinto que algo em mim
faleceu há muito tempo
e eu tenho desejado
a morte há muito tempo
uma casca, grossa e áspera
é o que sou
oco por dentro, carente de qualquer sentimento
além da raiva e do tédio -

- droga, por que falei isso? - pensei

aquilo sem dúvidas assustou aquela moça
que só queria bater um papo e quem sabe uma noite de sexo
mas eu já estava bêbado demais para pensar nisso

- tu é um cara rabugento e amargurado - foi isso o que ela me disse - não me admira estar sozinho

eu ri, como nunca antes ri

- eu estava sozinho nos piores momentos - respondi - por isso me tornei um cara rabugento e amargurado

virei o copo de whisky e fui embora.
Hidromel da Poesia
Enviado por Hidromel da Poesia em 12/11/2019
Reeditado em 21/11/2019
Código do texto: T6793531
Classificação de conteúdo: seguro


Comentários

Sobre o autor
Hidromel da Poesia
Salvador - Bahia - Brasil
51 textos (810 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/09/20 13:25)
Hidromel da Poesia