O ANCIÃO

Andando em passo miúdo

Trôpego e sem firmeza

Qual nau que ao léu veleja

Em mar bravio e sisudo

Marcas do tempo em mãos nuas

É centenário? Talvez...

Tão sozinho... Insensatez?

Um ancião em nossas ruas.

Quem olhar só o seu porte

Inútil! Podem pensar

Que está a desejar

Que venha depressa a morte!

Ah! Pessoas sem pendor!

Não percebem que estão diante

D’um precioso diamante

De inestimável valor?

Não imaginam que o tempo

Tenha seu gesto atado

P’ra nele ser condensado

Muito mais discernimento

O vigor que teve um dia

Sabiamente foi sumindo

Pra que ali fosse surgindo

Muito mais sabedoria

A experiência acumulada

Ali, ao mundo traria

Mais amor, mais harmonia,

Se bem fosse aproveitada!

OSWALDO DE SOUZA
Enviado por OSWALDO DE SOUZA em 13/08/2014
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