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O AMARELADO VERDE DAS VASSOURAS

O AMARELADO VERDE DAS VASSOURAS

Naqueles tempos de verde farto
cortar vassoura era tão natural
quanto nascer de parto normal
Dispensava caminhadas longas
As ramagens nasciam perto de casa
em folhas fartas e oblongas

Na montagem do buquê,
o anel que unia os galhos
era de lata de massa de tomate
Essa peça do arremate
era o único quê de industrial,
e durava eternidades

O nome da planta de florzinha angelical
era um homônimo do instrumento artesanal
que faria a varrição da casa, do terreiro, do quintal
Vassoura

Varria o lixo,
que se chamava cisco
que era composto de gravetos, cacos e cascas
que formavam um composto rico
que ficava por ali, realimentando o solo
como um manto protetor cobrindo bebê de colo
*
Mas a tesoura do presente cortou rente
o cordão que fazia elo com esse passado
Sem serem notados,
ventos outros espalharam novidades
O lixo industrial é hoje nefasto presente
presente na paisagem rural
*
Fico pensando...
Se o verde atual não vivesse maltratado pelo lixo fabricado e
Se nos bueiros das cidades corresse o mesmo cisco rural,
as vias urbanas não seriam estas
Fico sonhando...
Se abraçada por bosques e florestas
Se mantidas as casas com quintal
Se fossem planejadas avenidas floridas,
a vida na cidade seria uma bucólica festa
O chão poderia reaver a  pavimentação de pedras
E até poderiam voltar as vassouras antigas
feitas da planta de florzinhas amarelas
iguais àquelas que  às tardes se colhiam
tão logo  sol e calor se iam
*
...Se do verde daquele tempo
não perdêssemos os matizes
talvez tivéssemos agora
tempos bem mais felizes
Mariana Mendes
Enviado por Mariana Mendes em 26/07/2019
Reeditado em 27/07/2019
Código do texto: T6704862
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Mariana Mendes
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Mariana Mendes