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sonho corrido

meu amor fugiu com o circo como os cães fogem da carrocinha e como foge-me a palavra certa escuta isso que falo não tem nada a ver com administrar sensações mas é simplesmente perceber que ser o homem de vidro de Cervantes por mais bonita que seja a ideia deve ser extremamente dolorido não por questão de fragilidade perante o mundo ou de frustração ao bater o pé na quina da mesa mas sim puramente articular imagina mover os dedos e segurar uma caneta sem lascar a ponta das falanges imagina caminhar na areia com os pés tilintando imagina o corpo reagindo mal às mudanças de temperatura sempre a ponto de, de repente, explodir e assustar com o eco agudo do rompimento tudo em volta que permanece sempre íntegro enquanto tudo dentro se fragmenta em pequenos cristaizinhos mas sem machucar o entorno porque a capa de couro que proteje o esqueleto do homem é muito similar à dos vidros blindex do box dos banheiros com porta de vidro então o corpo e tudo mais se resumiria nessa sujeira de poeira dentro de um saco sem vida com resquícios de sonhos e o cheiro amargo do abandono descrente do mundo porque como raios bate um coração de vidro? não bate.
Clarice Sabino
Enviado por Clarice Sabino em 02/09/2019
Código do texto: T6735296
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Clarice Sabino
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 22 anos
13 textos (1358 leituras)
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Clarice Sabino