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Tão Cansada de Ser

Na urgência da noite, a pétala
Que de tua delicada silhueta desprendeu-se
Do lírio prateado, pálida mãe, vândala
E pela fresta da janela adentrou resfolegante
Um facho de luz vacilante, hesitante luz, luz trêmula
Feito minhas mãos sobre o papel, sobre o poema
Feito o lápis sobre a linha, sobre a dor

Observo sua batalha contra as trevas, tão infrutífera e fugaz
Tal qual meu próprio conflito de palavras e lembranças
Que num momento está e então deixa de ser
Feito verso que logo se rasura, se anula, se reprime
Seja pela efemeridade de sua beleza, que instante brota e instante murcha
Ou pela jovialidade que com tempo morre
E a ponta do lápis se parte

Quisera eu mesma te-la partido, num só instante
Arrancá-la-ia pela raiz num golpe único e cortante
Para que não fosse mãe de mais palavras que machucam
Para que não fosse mais palco de lutas sem perdão.
Todavia quisesse dar fim a toda essa infinidade, ver morrer
Findar é verbo infinitivo e definitivo, que hora quero ser sujeito
Hora me sujeito esquecer.

Céus, leva-me em silêncio e deixa-me ir!
Que na urgência da noite já não quero repousar.
Embriaga-me a poesia relutante e indefinida
E em tua pétala prateada me enterneça de luar.
Luar na cor de luz
Luar na luz em flor
Hina Mari
Enviado por Hina Mari em 21/08/2019
Código do texto: T6725940
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Hina Mari
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil
15 textos (288 leituras)
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Hina Mari