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Sobra tanta ausência

Sobra tempo, mas falta espaço.
Sobra ideia, mas falta o ato.
Sobra madrugada, mas falta poesia.
Sobra cama, mas falta companhia.

E números, e pessoas
Possibilidades, espaço, tempo,
Dúvida, erro, alegria,
Saúde, juventude, saudade,
Amor, tristeza e fantasia.

Sobrou papel para o que poderia ter sido escrito,
Amor pelo que poderia ter sido dito.
E por ironia,
Sobrou até medo do que não queria.

Então, as pessoas que sobraram
Decidiram fazer companhia para os amores que faltaram
O tempo que sobrou decidiu
Que não poderia sobrar saúde,
Nem juventude.

E faltaram as ideias para completar os números,
Faltou a dúvida,
Mas não se viu a possibilidade.
Sobrou erro para
Tudo que faltou de amor.

Faltava espaço pro que queria,
Faltava dinheiro pras fantasias,
Faltava companhia pro dia a dia.
Faltava um  ato de insanidade temporária.
Faltava primavera pra muito outono,
Faltava paz para pouco sono,
Faltava vontade pra muito sonho,
Faltava ideia pra cada número,
Faltava gente pra casa vazia.
As vezes, faltava até dor pra alguma alegria.

E a madrugada virou o tempo,
A cama virou o espaço
A ideia virou a fantasia
Só a saudade continuou sobrando,
Mas virou a única alegria.

E de tanto sempre achar que faltava
Nunca guardou o que sobrava
E sequer percebeu um único dia
Que essa era a fonte de toda a agonia.

Sempre falta.
As vezes um dia,
As vezes uma vida.


-
L Figueiredo
Enviado por L Figueiredo em 27/02/2013
Reeditado em 28/02/2013
Código do texto: T4162795
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
L Figueiredo
Varginha - Minas Gerais - Brasil
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L Figueiredo