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Corpo e mente devem morrer

    Sábios ocultistas em diversas ocasiões disseram isto: a mente como nossa serva submissa é fiel e muito útil, mas como mestra é impiedosamente tirana. Você não é sua mente e não é seu corpo: por acaso você só pensa no que quer ou é assaltado pelos pensamentos que invadem sua cabeça? Você está só limitado à matéria do seu corpo ou há em você estados que não dependem do seu físico?
    Frequentemente você é perturbado pela própria mente que, como uma porta aberta, permite a entrada de figuras indesejadas. Pior ainda é que não raro você nem consegue separar de um pensamento algum sentimento ruim ou o efeito físico que ele causa, como o coração que bate mais forte, o cenho que se franze, os olhos que variam seu foco, a boca que engole a seco, tremores nos membros, palidez no rosto.
    Diz-se que os verdadeiros iogues são os que se dispensaram dessa escravidão: ao pensar no Todo, essa é a única coisa que persiste em sua mente, e pensar naquilo que tudo contém e que está contido em tudo é o mesmo que cortar todos os pensamentos, é a Realização.
    O que eles têm que você não tem? Eles pararam de ser enganados pela Ilusão do mundo, quer dizer, eles não se identificam com o próprio corpo, com uma personalidade, com os acontecimentos que vêm e vão. Só algo perene e eterno pode ser porto seguro, escorar-se no resto é fincar estacas na areia, porque tudo isso é temporário, e tudo que é temporário, por pior ou melhor que seja, passa.
    Os iogues queimam e matam seu corpo, sua mente e principalmente sua personalidade. E esse fogo renova cada uma dessas coisas, na medida que corrói os instantes, os apegos, as imagens que você atribui a essas coisas, como reflexões fracas das coisas do mundo que você vê. Pra que serve a sua personalidade se ela é apenas uma auto-imagem que você criou para representar num teatrinho? Sua auto-imagem é só uma imagem, não contém sequer a sombra da sua Vida eterna. Você só está apegado a ela demais, e chama isso de amor-próprio.
    Quais coisas então são eternas, sua alma, Deus ou deuses, o nada? Não busque por mais nomes, diga que só há uma coisa eterna, e esta é o Todo. Se é só uma coisa, você também é esse Todo. A diversidade de coisas neste mundo faz parte da sua ilusão, é outro véu de ignorância que quanto mais os olhos miram, mais cegos se tornam.
    Seu estado natural é estar no Todo, mas você acredita ser parte da diversidade, da multiplicidade, da quantidade, do dois-ou-mais, e por isso essa dualidade te faz crer que você é um ente separado, ou que é ao menos uma engrenagem da grande máquina. Só que o Todo é Um e não admite partes, tudo nele é sempiternamente.
   A verdadeira mente, o verdadeiro corpo e a verdadeira personalidade são também esse Todo. É preciso que o corpo e a mente da ilusão morram para que você pare de se identificar com este mundo. No Eterno, os paradoxos são possíveis: é a submissão total ao Todo que torna você livre, a única escravidão que é também a alforria. Já o mundo da ilusão em que você vive abomina os paradoxos: você precisa nascer e morrer nele para descobrir que a Vida verdadeira não tem nascimentos nem mortes.
O Todo é como a luz do Sol, e toda a iluminação vem dele. A mente é como a Lua, apenas reflete parte dessa luz, e diariamente desaparece. O corpo é um objeto que pode ser visto se houver luz. O Todo é aquele que emana a luz, é aquele que vê a Visão.
    O suicídio que liquida o corpo e a mente é o único modo de se identificar finalmente com o que você já é, isto é, o Todo. Portanto, corpo e mente devem morrer.
Eric Alcalai
Enviado por Eric Alcalai em 26/02/2021
Reeditado em 28/02/2021
Código do texto: T7193326
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Eric Alcalai
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 29 anos
74 textos (2608 leituras)
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Eric Alcalai