QUANDO O CALOR PASSAR... E A RUA FICAR VAZIA...

Quando o calor passa, a rua esvazia... tudo tem cheiro de recomeço e uma aparência – mesmo que mentirosa - de limpeza… As pessoas já estão cansadas, exaustas demais… geralmente putas da vida.

A “obrigação” de serem fortes... de serem auto-suficientes e espertos demais para que outros não tentem passar a perna, para que não tentem extrair confiança [e talvez até amor]... finalmente se dissipa com o pé de vento que antecede a madrugada.

O problema é que quando esse fenômeno diário de paz e tranquilidade acontece... todo mundo já está cansado, preguiçoso e irritado demais pra reunir forças e simplesmente abrir a boca... Quem dirá fazer amizade, quem dirá procurar AMOR VERDADEIRO, no coração de alguém.

Mas, há toda uma “COMUNIDADE” - gigantesca - de insistentes.

Estes são os que erram pelas noites e que tentam, madrugada afora... a sorte de encontrar alguma felicidade no calor da mesma espécie. Seja por meios sintéticos, seja através de danças e suor e bebida ou quaisquer outras substâncias... A adrenalina, dopamina, serotonina e também o pênis e a vagina… e tudo que lhes for conveniente pra que se faça:

LUZ!

... na escuridão.

(H.B)

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A rua vazia parece permitir que se respire um ar mais puro.

Os espíritos da noite me presenteiam com um pulmão mais jovem e a enxaqueca dá uma trégua, como se toda a dor passada pudesse ser recompensada em... sei lá... no máximo cinco horas de poesia, música clássica e gargalhadas com o Pernalonga, Patolino e o Gaguinho...

(H.B)

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E eu não posso mandar os espíritos se foderem, ora... Pois espíritos não podem ser penetrados...

E não posso mandar os anjos também se foderem... Pois anjos não têm sexo... E por fim, também não posso culpar Deus, pois ele me fez exatamente à sua imagem... Portanto xingar Deus e xingar o espelho seriam exatamente A MESMA COISA...

(H.B)