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A VIDA... E A MORTE

     A semente a morrer... no âmago da terra
   Daquela que nela se cava... e nela s'enterra...
      Sê-la-ia... a terra... um cemitério?

     A planta a nascer... também... no âmago da fértil terra
 E nela vede a s'erguer... ainda que lenta... morosa... calma...
      Sê-la-ia... a terra... uma maternidade?

  Mas, se na planta habita a semente em su'essência,
      [faz-se óbvio... qu'ela não morreu
   Ved'então qu'ela... apenas ali... s'escondeu?
 Qual crepuscular estrela d'uma hora a brilhar... n'outro canto da terra
       Milagrosa simbiose?
  Quem saberia dizer?

    Oh! Quem aqui se lembrará dos espasmos derradeiros... a que virá?
  Das tristes horas do exílio a que não mais existirão!
      D'alma naquel'hora a s'embriagar aos sons dos acordes da morte
  Porém, seria tal, em verdade, somente "privilégio" dos "encarnados"?
         (Ou só dos animais?)

   Ai! Quão tortura para mim a se ouvir que as plantas não têm alma!
    (Pelas bocas que se orgulham em dizer que só elas é que têm!)
 E, d'onde, pois é que vêm a mística e literal beleza que as envolve?
  Ou tal formosura só então existe no cérebro dos que têm alma?
    (Do enfermo Homem... no tempo, às vezes, tão desalmado!)

       A vida... e a morte!
    A morte... e a vida!
 Porém, por que este "e", como a se crer que separadas s'estão?

       A vida... ou a morte!
  A morte... ou a vida!
   Mas, por que este "ou" como s'elas fossem... diversas ou alternadas?

      Ao que, talvez melhor se diria:
  "Assim na vida... como na morte!"
     "Assim na morte... como na vida!"
     Pelo que se unem... qual n'uma mística ponte...

     Vida e morte de mãos dadas... a caminhar... no tempo
  Insondável e misterioso ser,
    [no que transcende o restrito e obnubilado entender

   A vida... que sempre nele se houve... (no tempo... e no infinito)
     A morte... que não existe... nem jamais s'existiu
   Porém, que tanto incomoda os que creem s'estar... vivos!
       (Será mesmo qu'estão?)

         Morte!
   Certamente... apenas um nome
     A dar-se pela forma que os limitados sentidos... não vêem
 (Não com os biológicos olhos que a terra há e sempre haverá de comer)



                           ************************

                               17 de outubro de 2019



Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 17/10/2019
Código do texto: T6772018
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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