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A VIDA EM NÚMEROS

No começo do século XX testemunhamos a aplicação do conhecimento cientificamente especulativo, perigoso e devastador, baseado em leis genéticas, a eugenia, na procura e tentativa de selecionar coletivamente pessoas para o aperfeiçoamento das características físicas, mentais e de controle reprodutivo, a exemplo do que ocorreu durante o Holocausto, com suas concepções sistematizadas pseudocientíficas da raça e sua glorificação absurda do conflito como parte da sabedoria evolutiva da natureza, entre outros feitos infames.

O intento subjacente que motivou e legitimou tal experimento ilusório e capcioso foi, essencialmente, a escolha coletiva em detrimento da opinião da minoria. Daí, a primordialidade de individualizar a maioria para motivar a vontade de consciência e discernimento, de modo a reverter a mentalidade egoísta e impulsiva da sociedade, remetendo as pessoas à sua própria responsabilidade individual.

O quantitativo de opinião é uma construção social conveniente, que, com seu uso generalizado fez-se convencional, não representando o bem maior, e se vale meramente de reflexões sobre a justiça universal, que somente defende a conveniência de sua efetivação, sendo frágil e injustificável diante do argumento fundamentado na razão.

A sociedade em que vivemos é planejada na geração de conflito social politicamente e filosoficamente absurdo para criar um dilema moral, uma artificialidade utilitária que afasta a habilidade individual de resolver os problemas e transferir o poder de solucionar as questões para a classe dominante, que, além de não ordenar o infortúnio social, restringe o bem-estar das pessoas, tornando-as passivas e de fácil condução.

Somente a característica básica e primordial da pessoa tem um fundamento superior à etnia, gênero e a ideologia, pois, deve haver um equilíbrio comum de preferências, onde a ação estável e serena dos privilégios particulares do indivíduo não perturbe e nem prejudique o desempenho correspondente dos direitos individuais de qualquer outra pessoa, tendo como princípio basilar, a noção de que a nossa liberdade de consciência e de expressão não impede a do próximo.

Entretanto, num mundo falso, em permanente conflito, guiado por propósitos políticos, predomina a aprovação do pensamento do bem comum, e nos rendemos à soma das prerrogativas naturais e a proporcionalidade inerente das vantagens, aceitando o mau e a imoralidade do sacrifício da minoria em prol da maioria, quando o valor supremo de independência legítima rejeita toda e qualquer necessidade de sacrifício.

O princípio de uma moralidade elevada reivindica que, entre dois bens opostos, a norma demanda que o bem menor seja sacrificado em prol do bem superior, violando os direitos individuais e contradizendo a regra basilar de que a liberdade é um bem único e acessível a todos, e não exige nenhum sacrifício, desconsiderando qualquer distinção entre propriedades de virtudes precípuas que separe a humanidade.

A execução peremptória de todos os assassinos condenados aplacaria a dor dos sobreviventes, ou, resultaria na impossibilidade da ocorrência de novos homicídios?

Se fosse fornecido um plebiscito para a aprovação imediata de execução de todos os criminosos violentos aprisionados, teríamos o direito moral de abonar e consentir em favor desse procedimento, sem incorrer num dilema moral?

Hesitaríamos sobre a questão peticionada, considerando que tal pedido contrapõe a nossa rejeição moral do homicídio à nossa culpa moral, por não colaborar para salvar muitas vidas, mesmo entendendo a dualidade que tal requerimento postula como um paralelismo nas normas de causa e efeito da normalidade na experiência, ao mesmo tempo, em que cria um conflito que aniquila e remete a moralidade para o vazio preenchido pela razão do valor prático, quando o bem-estar de muitos é mais importante do que a morte de alguém?

Em determinadas circunstâncias, diante da extrema e deliberada violação à vida, confrontamos o paradoxo que compõe alguns  pressupostos morais que demandam a conformidade com a moralidade que exige a profanação profunda do princípio da decência moral que dita, que uma vida é tão relevante quanto todas as vidas e, que os juízos não podem se transformar numa mera questão de quantidade, pois, o coletivo não deve sobrepujar o indivíduo. O que você faria?

J Starkaiser
Enviado por J Starkaiser em 04/09/2019
Reeditado em 14/10/2019
Código do texto: T6737374
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J Starkaiser
Orlando - Florida - Estados Unidos
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