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Sobre os recomeços e seus pormenores

Por vezes nos pegamos pensando “e o que eu posso fazer para sair dessa situação?”, sendo que já estamos a anos mergulhados em um modo de vida cheios de problemas, nosso corpo não suporta mais o cotidiano, nossa pele tal qual uma cobra, já quer se revitalizar, mas insistimos em manter a mesma aparência, tememos o novo.

Já diria Rubem Alves que os recomeços pedem um trabalho com uma precisão artística de um pintor, pois é preciso raspar as tintas antigas com uma espátula, e repintar o quadro com novas cores, talvez experimentar novas combinações, novas construções de cenário.

 Certa vez em um de seus livros, Leonardo Boff afirmou que nossa tendência a ser galinha, um animal conformado, que aceita sua condição terrestre, é algo muitas vezes inconsciente, e para romper isso é necessário fazer um esforço hercúleo, uma verdadeira cruzada existencial, revisitando os vários recantos de nosso interior e exterior.

Talvez nesse processo você esteja se perguntando se o conhecimento não seria uma saída, pois como já diriam os grandes filósofos, o intelecto é o meio pelo qual o homem pode verdadeiramente ser homem, se diferenciando assim dos outros animais. Mas antes de mergulhar nesse pensamento, gostaria de lhe fazer uma provocação bem ao estilo grego: não seria o conhecimento também um espelho que engana?

Nesse sentido talvez fosse necessário algo a mais do que simplesmente conhecer. Aristóteles em sua filosofia afirmando sobre o Phatos humano, ou seja, sobre as paixões humanas, trouxe ao pensamento ocidental a noção de que não é apenas de razão que vive o homem, é necessário que hajam as interlocuções de outros saberes e sabores, e sabor é coisa que se aprende com o corpo, com os afetos.

Nesse caminhar que você se propõe, alguns obstáculos podem se sobrepor, mas nesses momentos lembra do conselho de Drummond, alegre-se com a pedra no caminho, faça dela talvez peça para um monjolo, ou lápis para desenhar ondas no lago, ou quem sabe ela possa se tornar uma prece! Já diria Leonardo Boff que as rezas nos reconectam com o todo, com o numinoso, com o sol que faz arder os olhos.

É preciso ter sabedoria para encarar o sol sem nos deixarmos cegar, ou pior, cair igual ao que ocorreu com Ícaro, que em seu anseio de voar, esqueceu-se de avaliar suas possibilidades reais e lançou mão de uma estratégia impensada. Também não podemos permanecer escravos das sombras projetadas nas paredes, é preciso mesmo acompanhado de angústia, ir de encontro ao novo.

Voltando-me a pergunta inicial, e o que eu faço para mudar? Bem, essa é uma pergunta que não me cabe responder, posso apenas lhe acompanhar nesse processo, ser divino ao estilo grego, que acreditava que o cuidado é um deus que acompanhava os homens em sua jornada mundana. Posso ser isso, um companheiro de viagem. Faço minhas as palavras de Fernando Anitelli " nesse nosso desbravar, emanemo-nos amor".
Thales Coelho
Enviado por Thales Coelho em 16/07/2019
Código do texto: T6696865
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Sobre o autor
Thales Coelho
São Luís - Maranhão - Brasil
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